Rádio EG News Sexta, 25 de setembro de 2026 25/09/2026
EG News
Siga-nos
Governo Federal BRASIL POLITICO

Lula anuncia proibição de bets e tigrinho e endurece regras para mercado ilegal

Por Redação EG News • 25/09/2026 às 16h24 (Atualizado em 25/09/2026 às 16h34) • ⏱️ 6 min de leitura
WhatsApp
Tamanho:
Imagem da matéria

Medida provisória vai formalizar a proibição das plataformas de jogos e apostas no ambiente digital

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25), em cerimônia na capital paulista, que vai proibir o funcionamento de cassinos online, como o chamado 'jogo do tigrinho', e das casas de apostas esportivas conhecidas como bets, por meio de uma medida provisória (MP) que será editada com o conteúdo do anúncio.

A medida provisória formaliza a proibição das plataformas de jogos e apostas no ambiente digital e terá efeito imediato assim que o governo publicar o texto no Diário Oficial da União, conforme previsto na legislação. Depois disso, o Congresso Nacional precisará analisar a MP em prazo determinado, podendo aprová-la, modificar pontos específicos ou rejeitá-la.

A medida veda o recebimento de novos aportes financeiros de apostadores de forma imediata a partir da publicação da MP e estabelece um rito com prazos rígidos para a desativação de plataformas, reembolso de valores e remoção de campanhas publicitárias.

Transição: fim de aportes e devolução de saldos

A Medida Provisória fixa etapas e prazos específicos direcionados a apostadores, empresas operadoras e instituições bancárias:

  • Intermediação da Caixa Econômica Federal (a partir de 14/10): Caso ocorra algum impedimento na devolução bancária direta, a Caixa Econômica Federal intermediará o pagamento aos apostadores convocados a partir do dia 14 de outubro.
  • Suspensão imediata de aportes e novas propagandas: A partir da publicação da MP, fica proibido o recebimento de novos aportes de dinheiro por parte dos apostadores e a veiculação de qualquer nova peça publicitária.
  • Resgate voluntário pelos apostadores (até 05/10): Quem possui saldo em contas de bets até então autorizadas terá até as 23h59 de segunda-feira, 05 de outubro, para realizar o saque voluntário do dinheiro diretamente nas plataformas.
  • Remoção de publicidade e marcas de patrocínio (até 05/10): As empresas têm até as 23h59 de 05 de outubro para retirar todas as peças de publicidade, propaganda e marketing (físicas e digitais), assim como remover marcas vinculadas a contratos de patrocínio.
  • Desativação de sites e aplicativos (a partir de 06/10): As plataformas e aplicativos de apostas sairão do ar a partir de terça-feira, 06 de outubro.
  • Consolidação de saldos pelas bets (07 e 08/10): As operadoras deverão informar aos bancos parceiros os valores residuais vinculados a cada CPF entre os dias 07 e 08 de outubro.
  • Devolução automática via bancos (09 a 14/10): As instituições bancárias que operavam para as bets realizarão a devolução integral dos saldos aos apostadores entre os dias 09 e 14 de outubro.

Argumentos do governo

Para fundamentar o banimento das plataformas, a apresentação oficial do Ministério da Fazenda apoia-se nos impactos sociais, financeiros e psicológicos causados pelas apostas nas famílias. A argumentação central do governo afirma categoricamente que "quando alguém aposta a família inteira perde", discriminando a perda em três eixos principais: "perde orçamento, perde saúde, perde convivência".

O documento oficial prossegue descrevendo o ciclo do endividamento: "a renda vira dívida, e a dívida vira angústia". Segundo o material do governo, o hábito de apostar desencadeia danos emocionais que afetam todo o núcleo familiar: "adoece silenciosamente quem aposta e quem convive com o apostador", resultando em "vergonha, conflito e afastamento dentro de casa".

Em defesa do veto integral, a gestão federal declara que "acabar com as bets é mais um passo importante para recuperar a renda das famílias" e reforça: "seguimos no combate ao endividamento". Sob a premissa de um "governo trabalhando para proteger as famílias brasileiras", a justificativa sintetiza os objetivos da intervenção na promessa de "mais renda, menos preço, mais tempo, menos perda".

Fiscalização e combate à ilegalidade

Paralelamente ao encerramento do mercado autorizado, o plano prevê o bloqueio a operações clandestinas. A MP estabelece a proibição de qualquer transferência bancária destinada a apostas, a identificação e derrubada de sites ilegais e o bloqueio de contas bancárias utilizadas ilegalmente.

Para garantir o cumprimento do decreto, o governo criou uma força-tarefa interministerial voltada à integração de forças de segurança e ao compartilhamento estratégico de dados financeiros. A estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal será reforçada para investigar movimentações suspeitas. O governo determinou ainda que os recursos apreendidos nessas ações serão destinados à segurança pública e disponibilizou o canal Fala.BR (www.gov.br/falabr) para que a população envie denúncias.

Fonte: Band.com.br