Gilmar Mendes libera propaganda de Sandro Alex sobre tese de Moro e põe o aborto no centro da véspera da eleição no Paraná
Linha fina: Ministro do STF derrubou o direito de resposta concedido pelo TRE-PR e entendeu que a propaganda está nos limites da crítica política. Moro lidera as pesquisas, mas o segundo turno contra Sandro Alex aparece empatado.
Curitiba, 3 de outubro de 2026
A véspera do primeiro turno no Paraná ganhou um episódio jurídico de peso. Neste sábado (3), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que haviam concedido direito de resposta ao senador Sergio Moro (PL) contra propagandas de Sandro Alex (PSD), seu adversário na disputa pelo governo do estado. O centro da controvérsia é a tese de doutorado de Moro e o tema do aborto.
O que diz a propaganda
A campanha de Sandro Alex usou uma passagem da tese de doutorado de Moro sobre o caso Roe v. Wade, decisão da Suprema Corte americana que, em 1973, reconheceu proteção constitucional ao direito ao aborto. No trabalho, o hoje senador descreveu a decisão como uma solução intermediária para a questão do aborto e considerou que ela não deixava de ser razoável, diante da dificuldade de consenso sobre o tema.
Esse trecho virou uma inserção na TV com a frase "ABORTO = SOLUÇÃO RAZOÁVEL". A campanha também publicou no Instagram um vídeo que questionava se Moro é favorável ao aborto.
Moro contesta as peças. Sua defesa argumenta que o trecho foi tirado de contexto e que a tese analisa a decisão da Corte americana, sem representar defesa pessoal do aborto. A coligação do senador alegou descontextualização e veiculação de informação inverídica.
O caso teve decisões em sentidos opostos:
O plenário do TRE-PR rejeitou os primeiros pedidos de direito de resposta de Moro.
O presidente do tribunal, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, concedeu depois o direito de resposta ao senador em decisões individuais e determinou a retirada das propagandas. Para ele, a campanha de Sandro Alex havia retirado a tese de contexto, transformando uma análise técnico-jurídica em posição pessoal do candidato.
Sandro Alex recorreu ao STF. O pedido foi apresentado dentro de uma ação que já tramitava no gabinete de Gilmar Mendes desde maio.
A decisão do STF
Ao derrubar as decisões do TRE-PR, Gilmar afirmou que a propaganda se baseia em documentos e fatos públicos e está dentro dos limites da crítica política. Para o ministro, não ficou caracterizada uma afirmação sabidamente falsa que justificasse a retirada do conteúdo ou o direito de resposta.
Na decisão, ele registra que a crítica política com base em fatos públicos e acadêmicos de um candidato, mesmo quando aponta contradições entre passado e presente, faz parte do debate democrático e da liberdade de expressão. Esse tipo de crítica, segundo o texto, não configura fato sabidamente inverídico ou gravemente descontextualizado a ponto de gerar direito de resposta.
Com isso, as propagandas podem voltar a ser exibidas na televisão e no Instagram, e a campanha de Sandro Alex fica desobrigada de conceder espaço de resposta a Moro. A decisão também determina que o TRE-PR seja comunicado com urgência.
Um ponto de cuidado: a decisão não estabelece que Moro seja favorável ao aborto. O ministro não julgou a posição do senador sobre o tema, e sim se a propaganda deveria ser retirada e se havia direito de resposta.
A disputa nas pesquisas
O tema chega no momento de maior equilíbrio entre os dois. A pesquisa Real Time Big Data, divulgada na sexta-feira (2), mostra Moro com 37%, Sandro Alex com 29% e Requião Filho (PDT) com 24%. Nos votos válidos, Moro tem 40%, Sandro Alex 32% e Requião Filho 26%.
No segundo turno, o cenário é de empate. Moro e Sandro Alex aparecem com 42% cada. Em levantamento anterior do mesmo instituto, a diferença era de 41% a 39%, o que mostra a aproximação.
esmaelmorais
A rejeição também pesa. Requião Filho é o mais rejeitado, com 47%, seguido de Moro, com 40%, e Sandro Alex, com 33%. Ter a menor rejeição é uma vantagem de Sandro Alex numa eventual disputa direta. Na pesquisa espontânea, 32% dizem não saber em quem votar.
Outras sondagens confirmam a liderança de Moro no primeiro turno, com diferenças de números. A ADI-PR/Radar mostra Moro com 38,2%, Sandro Alex com 26,3% e Requião Filho com 23,3%. Já a AtlasIntel, em levantamento anterior, colocava Requião Filho à frente de Sandro Alex e apontava Moro vencendo Sandro no segundo turno por 50,4% a 35,5%. As pesquisas divergem sobre quem fica em segundo e sobre o tamanho da vantagem de Moro numa disputa direta.
O que observar
O peso do tema: com a propaganda liberada na véspera, o aborto deve dominar os últimos momentos da campanha, especialmente entre o eleitorado conservador.
Segundo lugar: Sandro Alex e Requião Filho disputam a vaga no segundo turno, e as pesquisas divergem sobre quem fica à frente.
Segundo turno: se Moro e Sandro Alex chegarem à segunda rodada, marcada para 25 de outubro, o empate das pesquisas indica uma disputa apertada.
Novos recursos: a decisão de Gilmar é individual, e o caso ainda pode ter desdobramentos na Justiça Eleitoral.
Pesquisas eleitorais são retratos de um momento e não garantem o resultado das urnas. A pesquisa Real Time Big Data foi contratada pelo próprio instituto, registrada sob o número PR-04002/2026, e ouviu 1.600 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro.
Com informações de O Globo.