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Flávio Bolsonaro diz que não vai ao debate da Band; em meio à polarização, confronto na TV é chance de o eleitor comparar propostas

Por Redação EG News • 13/10/2026 às 16h43 (Atualizado em 13/10/2026 às 16h46) • ⏱️ 9 min de leitura
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Candidato do PL havia dito, em 6 de outubro, que iria aos debates do segundo turno; Lula confirmou presença e a emissora mantém o programa

 

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (13) que não vai participar do debate da TV Band, marcado para domingo (18), às 20h. Ele e o presidente Lula (PT), adversários no segundo turno, ainda não se enfrentaram em nenhum debate durante a campanha de 2026. A decisão reacendeu uma discussão que vai além dos dois nomes: qual é o papel do debate para quem ainda vai decidir o voto?

O que aconteceu

Flávio disse que não está previsto ir ao debate de domingo e que a palavra final sobre o último debate, o da Globo, marcado para 23 de outubro, será da equipe técnica da campanha. A fala ocorreu após um evento no comitê do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante o anúncio de apoio de 17 diretórios estaduais do MDB à candidatura dele.

A Band informou, em nota nas redes sociais, que o debate será realizado mesmo sem a presença do candidato, e o púlpito dele ficará vazio. O encontro será mediado por Eduardo Oinegue e Adriana Araújo e transmitido pela Band, por veículos parceiros e pelo Estadão. No mesmo dia, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, informou que Lula participará dos debates do segundo turno.

Flávio não detalhou os motivos. Segundo o Metrópoles, uma ala da campanha defende que ele priorize um ato na Avenida Paulista, por avaliar que a preparação para o debate comprometeria a agenda de fim de semana e que o retorno não compensaria o tempo investido.

O que ele havia dito antes

A decisão de agora contrasta com declarações anteriores do próprio candidato. A sequência dos fatos, segundo a imprensa:

27 de setembro (primeiro turno): Flávio confirmou que iria ao debate da Globo, marcado para 1º de outubro, mesmo que Lula não comparecesse.

1º de outubro: Flávio desistiu do debate da Globo horas antes da transmissão, alegando o que chamou de “censura” do TSE; a campanha havia reavaliado a presença após uma decisão da ministra Stella Aranha. Lula já havia informado que não participaria.

6 de outubro: já no segundo turno, Flávio afirmou que participaria dos debates contra Lula.

9 de outubro: a Record cancelou o debate que havia marcado para 11 de outubro, alegando incompatibilidade nas agendas dos dois candidatos.

13 de outubro: Flávio diz que não vai ao debate da Band. A declaração ocorre no mesmo dia em que o PT confirmou a presença de Lula. O candidato não relacionou uma coisa à outra e não citou motivos.

As duas leituras

Para quem vê a decisão como estratégia, a campanha tem um calendário limitado, e a escolha entre debate e mobilização de rua é legítima. Essa leitura se apoia no fato de que, segundo relatos, a campanha mantém a previsão de que ele participe do debate da Globo. O próprio candidato, porém, afirmou que a participação ainda está em análise.

Para quem critica a ausência, o debate é um dever de quem pede o voto, e o púlpito vazio deixa o eleitor sem respostas. Foi o que apareceu no primeiro turno: o candidato Caiado afirmou que Lula e Flávio desrespeitaram a população e propôs tornar obrigatória a participação de candidatos em debates.

Não é a primeira ausência, e não é de um lado só

No primeiro turno, nenhum dos dois participou dos debates de TV. Na época, cada campanha deu uma explicação: a de Lula alegou falta de igualdade de condições entre os candidatos 

convidados, e a equipe de Flávio avaliou que, sem Lula, o senador poderia se tornar o principal alvo dos demais candidatos.

O resultado foi curioso: mesmo ausentes, os dois foram os mais citados no debate da Band em agosto, com Lula mencionado 44 vezes e Flávio 29. Foram assunto o tempo todo, mas sem poder responder.

Outros debates já cancelados

Neste segundo turno, outros dois encontros saíram do calendário. A Record cancelou o debate de 11 de outubro, alegando incompatibilidade de agendas dos dois candidatos. Segundo reportagens desta terça-feira, o pool Momento da Decisão, liderado pelo SBT, também não realizará o debate marcado para 15 de outubro, pelo mesmo motivo. No mesmo dia, a Globo marcou entrevistas com Lula, na quinta (15), e com Flávio, na sexta (16), após o Jornal Nacional.

Não é inédito: no primeiro turno, o mesmo pool havia cancelado o debate de 14 de setembro depois que o prazo de confirmação terminou sem resposta de Lula e de Flávio. Segundo apuração do Poder360, a campanha de Lula informou que ele participaria de todos os debates do segundo turno e só deixaria de ir se as emissoras os cancelassem.

Por que o debate importa ao eleitor

Há um dado que mostra o peso do tema. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 9 de outubro, 78% dos entrevistados avaliam como muito importante a presença de Lula e Flávio nos debates do segundo turno.

Entre os motivos mais citados por quem acompanha campanhas:

Comparar propostas lado a lado. Em propaganda, entrevista ou comício, cada candidato fala sozinho e escolhe o tema. No debate, o eleitor ouve a resposta de ambos à mesma pergunta, no mesmo formato e no mesmo tempo.

Esclarecer dúvidas. Temas como economia, segurança, saúde e educação costumam aparecer com números e promessas que precisam ser explicados. No confronto, o adversário e os jornalistas podem cobrar detalhes, como custo, origem do dinheiro e prazos.

Ver o candidato sem edição. É uma das poucas ocasiões em que o eleitor assiste ao candidato reagindo ao vivo a perguntas que ele não escolheu.

Em meio à polarização, o debate ganha peso para quem ainda decide

O primeiro turno mostrou um país dividido. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%. Somados, os dois ficaram acima de 92% dos votos válidos, com menos de dois pontos de diferença entre eles.

Num cenário assim, qualquer parcela do eleitorado pode pesar no resultado, inclusive quem ainda não se decidiu ou pode mudar de opinião. Para esse público, o debate é uma das poucas ocasiões em que os dois candidatos respondem às mesmas perguntas. A ausência de um deles reduz essa oportunidade de comparação.

Quem defende a estratégia de faltar tem outra leitura: em um ambiente polarizado, o eleitor já teria posição formada, e o debate ofereceria mais risco do que benefício para quem avalia estar bem posicionado. Cada campanha faz essa conta de um jeito, e só o resultado da votação, em 25 de outubro, mostrará o peso real do debate.

O calendário até a votação

Data

Evento

Situação

Quinta (15)

Debate do consórcio liderado pelo SBT

Cancelado, segundo reportagens desta terça; pool cita incompatibilidade de agendas

Quinta (15) e sexta (16)

Entrevistas da Globo (Lula na quinta, Flávio na sexta)

Anunciadas pela emissora, após o telejornal

Domingo (18), 20h

Debate da Band

Mantido; Flávio não irá; Lula confirmou

23 de outubro

Debate da Globo

Presença de Flávio em análise pela equipe

25 de outubro

Segundo turno

—

Com os debates da Record e do SBT cancelados e Flávio ausente da Band, o debate da Globo pode ser a única chance de um confronto direto antes da votação. Se acontecer com os dois candidatos, será o primeiro nesta campanha.