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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

Candidatos apresentam propostas para enfrentar os desafios da educação

Por Redação EG News • 21/10/2026 às 04h11 (Atualizado em 21/10/2026 às 04h16) • ⏱️ 10 min de leitura
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Escola publica cidades - (crédito: pacifico)

Especialistas analisam as convergências entre os planos de Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) para a rede pública de ensino e apontam a falta de infraestrutura e a utilização recorrente de contratos temporários como questões a serem resolvidas

A quatro dias do segundo turno das eleições 2026, no domingo, a educação pública segue na pauta da disputa pelo Governo do Distrito Federal (GDF) como um dos temas que exige respostas concretas dos candidatos. As propostas de Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) colocam em debate quais caminhos o próximo governador ou governadora pretende adotar para enfrentar os problemas da rede pública e reduzir as desigualdades educacionais no DF.

A professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Catarina Santos aponta a precarização dos vínculos de trabalho, a falta de profissionais e as desigualdades na infraestrutura das escolas como alguns dos principais problemas da educação pública do Distrito Federal. "Estamos com mais de 60% dos professores temporários. É uma questão seríssima", afirma.

 

As diferenças na estrutura física das escolas também preocupam a professora. Na avaliação dela, enquanto algumas unidades contam com boas instalações, outras não oferecem condições adequadas para o ensino. A situação se agrava diante dos extremos climáticos enfrentados pela capital, com períodos de calor intenso e baixa umidade. "Estamos vivenciando um condição climática muito séria. Temos escolas sem ventilação nem climatização, o que tem uma interferência direta nesse processo", observa.

Ela também critica a expansão do modelo de escolas militarizadas e afirma que a política não apresenta os resultados esperados em segurança e aprendizagem. Ao defender outras prioridades, a professora afirma: "Ao invés de ampliar a militarização, é preciso ampliar o número de outros profissionais da educação que a escola precisa".

Na avaliação de Catarina, o Distrito Federal tem condições econômicas para oferecer uma educação pública de qualidade, mas precisa melhorar a aplicação dos recursos e a organização da rede. Ela questiona a falta de informações detalhadas sobre a situação das unidades de ensino, como infraestrutura, climatização, reformas e demanda por vagas. 

Propostas

Entre as propostas da governadora do DF e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), estão a ampliação da oferta de educação em tempo integral, climatização de salas de aula e melhorias na estrutura das escolas públicas. A proposta também inclui o aumento do número de monitores para atender a estudantes da educação inclusiva. "Quero que o professor tenha condições de ensinar, que cada aluno receba o apoio que precisa e que as famílias confiem na escola onde deixam seus filhos", afirmou.

Na alfabetização, a candidata pretende investir nos programas Primeiras Letras e o Futuro Agora. "Com o Primeiras Letras, queremos toda criança lendo e escrevendo ao concluir o segundo ano. E, com o Futuro Agora, vamos oferecer uma bolsa vinculada à frequência e ao desempenho no ensino médio, além de fortalecer a formação profissional", declarou.

A valorização dos profissionais da educação também aparece entre as prioridades apresentadas pela candidata. Celina afirma que pretende avançar na reestruturação da carreira, ampliar as ações de formação e cuidar da saúde dos trabalhadores da rede pública. "Passada a eleição, vamos retomar o diálogo com a categoria, ouvir as demandas e construir os próximos passos juntos", disse.

Ao defender a gestão na área educacional, Celina citou as nomeações de professores e a ampliação da infraestrutura escolar como resultados da administração. "De 2023 a setembro de 2026, foram 11.209 nomeações de professores, e já temos outro concurso autorizado, com 7.517 oportunidades. Entregamos 1.257 salas de aula, 28 creches e 13 escolas", afirmou.

Na política de remuneração, a candidata menciona o pagamento de parcelas do plano de carreira, reajustes salariais e ampliação de benefícios. "Na valorização profissional, quitamos a parcela do plano de carreira pendente desde o governo Agnelo, concedemos mais 18% de reajuste, incorporamos a Gratificação de Atividade Pedagógica (Gaped) para ativos e inativos e dobramos os valores da titulação", declarou.

Visão

O candidato do PT, Leandro Grass, promete priorizar a valorização dos professores e dos profissionais da assistência à educação, com a retomada das negociações permanentes com as categorias e a realização de concursos públicos regulares. "Sou professor há 20 anos e sei como a escola pública funciona de verdade. Por isso, a minha prioridade é valorizar quem faz a educação acontecer, os professores e os profissionais da assistência à educação", declarou. 

Na proposta para ampliar a educação em tempo integral, Grass defende começar pelas regiões periféricas do DF. O objetivo é oferecer atividades que vão além do currículo tradicional, com arte, cultura, ciência e esporte. "Assim, ele (o aluno) pode terminar os estudos com um curso técnico e um projeto de vida, pronto para o trabalho ou para a faculdade", afirmou. O candidato promete melhorar o desempenho da rede nos indicadores nacionais de aprendizagem, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A infraestrutura das unidades de ensino também está entre as prioridades apresentadas pelo candidato. "Vamos cuidar da estrutura das escolas, com sala climatizada, biblioteca, laboratório e apoio à educação inclusiva. Para as mães e os pais de crianças menores, vamos construir e ampliar o número de creches, começando pelas regiões onde faltam mais vagas", disse. 

Na alimentação escolar, o petista defende o cumprimento da legislação que prevê a compra de produtos da agricultura familiar do DF para abastecer a merenda. "Vou fazer cumprir a lei que eu escrevi, que manda comprar, pelo menos, 45% da merenda direto da agricultura familiar do DF", declarou.

Grass também propõe ampliar a participação da comunidade nas decisões das escolas, com a manutenção das eleições diretas para diretores e o fortalecimento dos conselhos escolares. "A escola precisa ser de quem está nela. Vamos manter a eleição direta para diretor, fortalecer os conselhos escolares e garantir que o dinheiro do PDAF (Programa de Descentralização Administrativa e Financeira) chegue com transparência e no prazo certo. A segurança vai ficar na porta da escola, com mais presença do Batalhão Escolar", frisou. 

Desafios

Fabrício Abreu, mestre em educação e professor do curso de pedagogia da Estácio Brasília, avalia que a rede pública de ensino do DF enfrenta desafios que vão além da infraestrutura. Entre os pontos de atenção citados pelo especialista estão "a melhoria dos indicadores de aprendizagem, a valorização docente, especialmente no que se refere à remuneração e às condições de trabalho, a dependência de contratações temporárias e o fortalecimento da gestão democrática".

Para Abreu, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reforçam a necessidade de mudanças. Segundo os dados citados pelo especialista, o indicador do ensino médio caiu de 4,2 para 4,1, enquanto a média nacional subiu de 4,3 para 4,5. "Esses resultados demonstram a necessidade de compreender a qualidade educacional para além dos indicadores quantitativos, considerando as condições concretas em que os processos de ensino e aprendizagem acontecem", avalia.

Ao analisar as propostas de Celina e Grass, o professor identifica pontos de convergência, principalmente nas promessas de ampliar a educação em tempo integral e garantir a alfabetização das crianças até o fim do segundo ano do ensino fundamental. "Embora existam diferenças nas estratégias previstas, ambas as propostas reconhecem a importância de assegurar a aprendizagem da leitura e da escrita nos primeiros anos de escolarização", observa.

Apesar das convergências, Abreu pondera que o principal desafio será transformar as promessas em políticas públicas duradouras. "A falta de professores e a utilização recorrente de contratos temporários para atender demandas permanentes da rede podem comprometer a continuidade do trabalho pedagógico e a construção de vínculos entre professores, estudantes e comunidades escolares", alerta.

Fonte: Correio Brasiliense

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