Exército do Lula ia cair do ar. Ganhou 112 mil seguidores em meia hora
O canal fixou que só reabriria aos 10 milhões de membros e bateu a meta no fim da tarde — enquanto o administrador embarcava para o Rio · 23 de outubro de 2026
1 · A meta que virou evento
Na tarde desta sexta-feira 23 de outubro de 2026, a dois dias do segundo turno, o canal "Exército do Lula" no WhatsApp fixou no topo uma mensagem em letras maiúsculas: "O CANAL ESTÁ FECHADO ATÉ ATINGIR 10 MILHÕES DE MEMBROS". Era 14h59. O canal tinha 9,9 milhões de seguidores.
A partir dali, passou a publicar convocações em sequência curta, todas no mesmo registro de urgência: "EXPLODE! EXPLODE! EXPLODE!!!", às 16h06; "AGORA", às 16h07; e, às 16h13, o chamado mais explícito — "A gente tem agora 4 horas apenas pra trazer 300 mil pessoas e chegarmos a 10 milhões! Não parem por favor! Estamos quase lá!". Depois vieram "Subam agora", "#ExércitoDoLulaVenceuMaisUma", "Sobre a live de ontem! Subam todos", "#HojeTemShowDoLula" e, às 17h15, "Está faltando só 130 mil".
Não era um canal se preparando para sair do ar. Era um canal usando a ameaça de saída como combustível de crescimento.
2 · A curva dos últimos 31 minutos
O acompanhamento da contagem, na própria interface do canal, mostra a aceleração do fim da tarde.
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Horário |
Seguidores |
Variação |
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17h24 |
9.909.383 |
— |
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17h33 |
9.940.425 |
+31.042 em 9 minutos |
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17h42 |
9.970.703 |
+30.278 em 9 minutos |
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17h55 |
10.021.592 |
+50.889 em 13 minutos |
A meta foi batida por volta das 17h50, e ultrapassada: às 17h55 o canal já registrava 10.021.592 seguidores. No total, cerca de 112 mil novos seguidores em pouco mais de meia hora.
Vale registrar como o crescimento se manteve constante: entre 17h24 e 17h42, o canal ganhou cerca de 30 mil seguidores a cada nove minutos, num ritmo que não desacelerou. Foi essa regularidade, e não um pico isolado, que levou o canal aos 10 milhões.
3 · O administrador embarcou e deixou a contagem com os seguidores
Às 17h36, o canal publicou uma foto: um homem de camiseta preta em frente à aeronave presidencial, com a legenda "Partiu Rio de Janeiro". A publicação que registra a partida saltou de 27 mil para 120 mil curtidas em menos de vinte minutos, e acumulava 4,5 mil compartilhamentos.
Às 17h37, veio a mensagem que transferiu a responsabilidade da contagem para os próprios seguidores: "Quando eu pousar quero ser surpreendido com a notícia de que chegamos em 10 milhões de soldados". No mesmo minuto, um áudio de 34 segundos, com 102 mil curtidas e 9,4 mil compartilhamentos.
É o detalhe que dá o tom da operação. Quem administra o canal não estava monitorando o número — estava embarcando, e deixou a meta na mão de quem segue. A contagem pública, atualizada a cada mensagem com quantos ainda faltavam, funcionou como um placar coletivo.
Ao pousar — ou antes disso —, a meta estava cumprida.
4 · Cumprida a meta, a mobilização foi estendida
Bater os 10 milhões não encerrou a operação. Às 17h45, o canal anunciou: "Só mais um detalhe: vocês ficarão comigo das 20h00 de hoje até amanhã 23h00 da noite". A convocação, que tinha prazo de algumas horas, foi ampliada para cobrir a noite do debate e o dia inteiro de véspera da votação.
Às 17h46, a mensagem seguinte mudou de registro — de meta numérica para vínculo pessoal: "Quero ver se, mais do que um exército, eu tenho amigo aqui também". A publicação acumulava 124 mil curtidas.
Às 17h57, o canal voltou à carga com o mesmo grito que havia marcado a tarde: "EXPLODE!!". A meta estava cumprida, mas a convocação seguia ativa. Às 18h02, o canal registrava 10.043.415 seguidores — mais de 21 mil acima do número apurado às 17h55.
Em cerca de três horas, entre a fixação da meta às 14h59 e o anúncio da extensão às 17h45, o canal transformou uma ameaça judicial em campanha de adesão, com placar público, prazo declarado e alvo ultrapassado.
5 · O que estava em jogo
A mobilização ocorreu no mesmo dia em que a disputa judicial em torno do canal se intensificou. Na quinta-feira 22, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia dado prazo de 24 horas para que a Meta apresentasse relatório técnico sobre o canal, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de promover ações coordenadas nas redes sociais. Na mesma noite, o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu liminar que impediu a suspensão do canal por via administrativa até decisão do plenário do tribunal, vedou à Meta retirá-lo do ar mesmo sob determinação judicial de outra origem e fixou multa diária de R$ 50 mil por descumprimento.
Pela manhã, integrantes da campanha de Lula foram informados de que o canal poderia sair do ar às 18h daquela sexta. O deputado André Janones, criador do canal, chegou a dizer aos seguidores que ele deveria cair ainda naquele dia, por volta do horário do debate, e que com isso o resultado de domingo voltaria a ser incerto. A liminar da véspera bloqueou essa via.
No fim da tarde, o prazo das 18h chegou sem que o canal fosse retirado do ar, e o canal passava dos 10 milhões de seguidores. A ameaça de suspensão não interrompeu a mobilização, alimentou-a.
O canal é público, e as mensagens e a contagem de seguidores descritas neste texto podem ser conferidas por qualquer usuário do WhatsApp no endereço informado pelo próprio canal:
https://whatsapp.com/channel/0029VbCbRfD7tkj88k3soZ0Y
Nota metodológica
As contagens de seguidores e os números de curtidas e compartilhamentos deste texto foram registrados diretamente na interface do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, entre 14h59 e 17h55 de 23 de outubro de 2026, e são informados pela própria plataforma, sem auditoria independente. Os horários correspondem aos marcadores das publicações do canal. O canal é público e foi criado em 15 de abril de 2026, conforme informação exibida na própria plataforma. As referências às decisões judiciais de 22 e 23 de outubro baseiam-se em registros públicos divulgados pelo TSE e pela imprensa brasileira.