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Administrações Regionais do DF: Até quando o amadorismo e o loteamento político falarão mais alto que a competência?

Por Redação EG News • 30/10/2026 às 05h27 (Atualizado em 30/10/2026 às 08h14) • ⏱️ 6 min de leitura
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COLUNA EDITORIAL: Bastidores & Poder

Administrações Regionais do DF: Até quando o amadorismo e o loteamento político falarão mais alto que a competência?

Por: Eugênio Piedade

A política, em sua essência mais pura, deveria ser o instrumento máximo de transformação social, pautada por três pilares fundamentais: competência, profissionalismo e fidelidade. No entanto, quando olhamos para a engrenagem do poder no Brasil — e muito em especial no Distrito Federal —, percebemos uma dolorosa realidade: esses três valores parecem ter se tornado artigo de luxo ou, pior, moeda desvalorizada.

Na estreia deste editorial semanal no EG News, lançamos luz sobre uma das feridas mais abertas da gestão pública do DF: a descaracterização e o sucateamento funcional das nossas Administrações Regionais.

A estrutura perfeita capturada pelo "Loteamento Político"

No papel, o conceito das Administrações Regionais do DF é brilhante. Elas foram concebidas para exercer o papel mais nobre da gestão: ser a extensão do Governo do Distrito Federal (GDF) dentro de cada comunidade. É o administrador quem deveria ouvir o morador, andar pelas ruas, mapear as demandas, ter trânsito livre junto às secretarias, à Novacap, Terracap, Sec. de Obras, Adasa, SSP à CEB, à CAESB ao DER e ao DF Legal, e resolver os problemas da cidade com agilidade.

A estrutura é perfeita. A prática, no entanto, é desastrosa.

As Administrações Regionais transformaram-se em meros cabides de emprego e balcões de negociação política. Servem como "moeda de troca" do Executivo para blindar ou aprovar projetos na Câmara Legislativa (CLDF). Não se discute aqui o direito legítimo de deputados ou governantes indicarem aliados, parentes ou apoiadores — a política funciona por alianças. O crime contra a população começa quando o critério exclusivo da escolha é a fisiologia, ignorando totalmente a capacidade técnica, o conhecimento do cargo e a vontade de trabalhar.

O preço do amadorismo pago pelo morador (e pelo servidor humilde)

O resultado dessa conta política cai diretamente no ombro do cidadão. O que vemos hoje em diversas regiões administrativas são gestores e chefias sem qualquer preparo técnico ou sensibilidade social:

  • Gestores alienados e ineficientes: Pessoas que assumem cargos de liderança sem saber como funciona a máquina pública, sem trânsito nos órgãos de serviço e visando unicamente o salário no fim do mês. Esquecem que a função primária do cargo é buscar melhorias contínuas para a cidade.

  • Falta de humanidade no atendimento: Indivíduos sem qualquer preparo ou tato para lidar com a população mais carente, que busca na Administração Regional o socorro para problemas básicos do seu bairro.

  • Soberba interna: Pessoas que tratam com arrogância e desrespeito os próprios funcionários humildes da casa — aqueles trabalhadores que vivem exclusivamente de um salário modesto, que seguram a burocracia no braço e assistem, diariamente, à incompetência de chefias indicadas passar e virar as costas para a cidade.

Enquanto isso, a cidade padece. Buracos se multiplicam, a iluminação falha, as praças abandonadas viram ponto de urgência e a burocracia trava a vida do comerciante local.

A cegueira eleitoral: O tiro no pé dos próprios deputados

Há um fenômeno curioso e repetitivo que parece não ensinar nada aos nossos parlamentares.

Em época de campanha, deputados prometem mundos e fundos, batem recordes de votação em determinadas cidades e ganham a benção das urnas. Ao assumirem seus mandatos, apadrinham Administrações Regionais com indicados incompetentes, egocêntricos e sem nenhum compromisso com o povo. Essas cidades são deixadas ao léu, esquecidas pelos órgãos competentes.

O resultado? Na eleição seguinte, esses mesmos deputados perdem mais da metade dos votos que obtiveram.

Ainda pior: por falta de critério e de liderança, acumulam "afilhados políticos" desleais que, após se nutrirem da máquina pública, se voltam contra os próprios padrinhos na tentativa de tomar seus lugares.

Será que governantes e deputados ainda não perceberam que a Administração Regional é a base e o pilar de sustentação de qualquer mandato duradouro? Uma gestão regional competente, humana e resolutiva gera uma população satisfeita. E uma população com a cidade limpa, segura e bem cuidada transforma-se em um eleitorado fiel e engajado naturalmente, sem a necessidade de falsas promessas de quatro em quatro anos.

Até quando?

Passa ano, entra ano, e o ciclo do atraso se repete. O eleitor assiste impassível a cidades inteiras entregues à sorte enquanto apadrinhados desfrutam de cargos e salários sem entregar absolutamente nada em troca.

A pergunta que o EG News deixa no ar para a reflexão de governantes, deputados e da sociedade do Distrito Federal é simples, mas urgente:

Até quando a competência, o profissionalismo e a fidelidade continuarão sendo ignorados na política do DF em troca de alianças baratas e passageiras?

A população do DF não aguenta mais ser moeda de troca. As Administrações Regionais precisam voltar a pertencer às suas comunidades.

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