A idade não te define, mas o preconceito sim / La edad no te define, pero los prejuicios sí
Coluna Walter Pinaya – Portal EGNEWS
O preconceito que se disfarça de elogio. O silêncio que adoece. O monstro que tem nome e solução. Etarismo: entenda, denuncie, transforme. Você nem parece ter essa idade. Parece elogio? Não é. É etarismo. E precisa parar. / Los prejuicios que se disfrazan de halago. El silencio que enferma. El monstruo que tiene nombre y solución. Edadismo: entiende, denuncia, transforma. "No pareces de esa edad". ¿Suena a halago? No lo es. Es edadismo. Y tiene que parar.
Sabe quando alguém olha para uma pessoa de 60, 70 anos e automaticamente assume que ela não entende de tecnologia, não pode namorar, não deveria trabalhar ou que “já viveu o que tinha que viver”? Isso tem nome: etarismo. Também chamado de idadismo, é o preconceito baseado na idade e ele é mais comum do que a gente imagina. Aparece na piada disfarçada de elogio (“você nem parece ter essa idade”), no currículo descartado sem sequer uma entrevista, na família que infantiliza o idoso e decide o que ele pode ou não fazer. O etarismo não é “coisa da sua cabeça”. É discriminação real, e no Brasil viola o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), podendo gerar consequências legais sérias.
¿Sabes cuando alguien mira a una persona de 60, 70 años y automáticamente asume que no entiende de tecnología, que no puede enamorarse, que no debería trabajar o que "ya ha vivido lo que tenía que vivir"? Eso tiene nombre es el edadismo. También llamado ageísmo, som los prejuicios basados en la edad y es mucho más común de lo que creemos. Aparece en el chiste disfrazado de halago ("no pareces de esa edad"), en el currículum descartado sin siquiera una entrevista, en la familia que infantiliza a la persona mayor y decide lo que puede o no hacer. El edadismo no es "cosa de tu cabeza". Es discriminación real y, en Brasil, viola el Estatuto de la Persona Mayor (Ley nº 10.741/2003), y puede tener consecuencias legales serias.
O que muita gente não enxerga é o tamanho do estrago que esse preconceito causa por dentro. Quando uma pessoa é repetidamente tratada como incapaz, invisível ou “ultrapassada”, ela começa a acreditar nisso. A autoestima despenca. A ansiedade chega. A depressão se instala. O isolamento vira rotina. Defensores públicos que atuam na defesa dos direitos da pessoa idosa alertam que o etarismo produz sequelas psicológicas graves, como depressão e afastamento do convívio social. E o pior: muitas vítimas nem percebem que estão sendo discriminadas, porque o preconceito vem embalado em cuidado, em “é para o seu bem”, em “já está velho demais para isso”. A pessoa vai se apagando aos poucos, e a sociedade finge que não vê.
Lo que mucha gente no ve es el daño que los prejuicios causan por dentro. Cuando una persona es tratada repetidamente como incapaz, invisible o "desfasada", acaba creyéndoselo. La autoestima se hunde. Llega la ansiedad. Se instala la depresión. El aislamiento se vuelve rutina. Defensores públicos que trabajan en la defensa de los derechos de las personas mayores alertan de que el edadismo produce secuelas psicológicas graves, como depresión y alejamiento de la vida social. Y lo peor, muchas víctimas ni siquiera se dan cuenta de que están siendo discriminadas, porque los prejuicios vienen envueltos en cuidado, en "es por tu bien", en "ya eres muy mayor para eso". La persona se va apagando poco a poco, y la sociedad hace como que no lo ve.
No Brasil, se você presencia ou sofre etarismo no Distrito Federal, saiba que existem canais concretos para denunciar. A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa (DECRIN) atende pelos telefones 197 (a denúncia pode ser anônima). 61 3207-5244 e WhatsApp 61 98626-1197, com registro também possível pela Delegacia Eletrônica. A Procuradoria de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da CLDF (PRO60+) recebe denúncias pelo telefone (61) 3348-8722 / 8723 e pelo e-mail pro60@cl.df.br. O Disque 197 e o Disque 100 funcionam 24 horas, são gratuitos e garantem anonimato. E a Defensoria Pública do DF tem um Ofício exclusivo para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, pelo telefone 3103-7612. Denunciar não é “criar caso”. É interromper um ciclo de violência que, silencioso, adoece e mata.
En el Brasil, si presencias o sufres edadismo en el Distrito Federal, debes saber que existen canales concretos para denunciar. La Comisaría Especial de Represión de los Crímenes por Discriminación Racial, Religiosa u por Orientación Sexual o contra la Persona Mayor (DECRIN) atiende en los teléfonos 197 (la denuncia puede ser anónima), 61 3207-5244 y WhatsApp 61 98626-1197, con registro también posible a través de la Comisaría Electrónica. La Procuración de Defensa de los Derechos de la Persona Mayor de la CLDF (PRO60+) recibe denuncias por teléfono (61) 3348-8722 / 8723 y por correo electrónico pro60@cl.df.br. El Disque 197 y el Disque 100 funcionan 24 horas, son gratuitos y garantizan el anonimato. Y la Defensoría Pública del DF tiene una oficina exclusiva para personas mayores en situación de vulnerabilidad, en el teléfono 3103-7612. Denunciar no es "crear problemas". Es interrumpir un ciclo de violencia que, en silencio, enferma y mata.
O mundo não é só notícia ruim. Existem exemplos inspiradores de quem está combatendo o etarismo de frente. Em São Paulo, um projeto de lei propõe o programa “Conecta 60+”, que cria um banco de mentores seniores para orientar
jovens empreendedores e profissionais em início de carreira, transformando experiência acumulada em ativo econômico e social. Em cidades como Mogi Guaçu (SP), a proposta do “Banco de Saberes da Pessoa Idosa” quer levar idosos às escolas para compartilhar histórias, ofícios e conhecimentos com as novas gerações. Lá fora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lidera a Década do Envelhecimento Saudável, com campanha global anti-idadismo e materiais que podem ser usados em escolas, empresas e comunidades. Portugal usa o selo “Stop Idadismo” em organizações comprometidas com a mudança. Não faltam provas de que outro caminho é possível.
El mundo no es solo malas noticias. Hay ejemplos inspiradores de quienes están combatiendo el edadismo de frente. En São Paulo, un proyecto de ley propone el programa "Conecta 60+", que crea un banco de mentores sénior para orientar a jóvenes emprendedores y profesionales que empiezan su carrera, transformando la experiencia acumulada en activo económico y social. En ciudades como Mogi Guaçu (SP), la propuesta del "Banco de Saberes de la Persona Mayor" quiere llevar a las personas mayores a las escuelas para compartir historias, oficios y conocimientos con las nuevas generaciones. Fuera de aquí, la Organización Mundial de la Salud (OMS) lidera la Década del Envejecimiento Saludable, con una campaña global anti-edadismo y materiales que pueden usarse en escuelas, empresas y comunidades. Portugal utiliza el sello "Stop Idadismo" en organizaciones comprometidas con el cambio. No faltan pruebas de que otro camino es posible.
Mas, o que o Brasil pode fazer, na prática, para valorizar quem tem 60+ e carrega décadas de conhecimento? Primeiro, parar de tratar experiência como defeito. Empresas podem criar programas de mentoria reversa, onde o sênior ensina o jovem sobre relações, negociação e visão de longo prazo, e o jovem ensina tecnologia. Segundo, pode incluir letramento digital como direito da pessoa idosa, como já se discute no Congresso, para que ninguém fique excluído do mundo digital. Terceiro, criar certificação de saberes da experiência, reconhecendo formalmente o que tantos aprenderam na vida real e nunca tiveram diploma para provar. Quarto, incentivar a convivência intergeracional desde a escola: quando crianças e idosos se encontram, o preconceito não nasce. O etarismo não se combate com pena. Combate-se com respeito, com oportunidade e com a consciência de que envelhecer não é o problema, o preconceito é.
Pero, ¿qué puede hacer Brasil, en la práctica, para valorizar a quienes tienen 60+ y cargan décadas de conocimiento? Primero, dejar de tratar la experiencia como un defecto. Las empresas pueden crear programas de mentoría inversa, donde la persona sénior enseña al joven sobre relaciones, negociación y visión a largo plazo, y el joven le enseña tecnología. Segundo, incluir la alfabetización digital como derecho de la persona mayor, como ya se debate en el Congreso, para que nadie quede excluido del mundo digital. Tercero, crear una certificación de saberes de la experiencia, reconociendo formalmente lo que tantos aprendieron en la vida real y nunca tuvieron un diploma para demostrar. Cuarto, incentivar la convivencia intergeneracional desde la escuela: cuando niños y personas mayores se encuentran, los prejuicios no nacen. El edadismo no se combate con pena. Se combate con respeto, con oportunidades y con la conciencia de que envejecer no es el problema, los prejuicios sí.
Se você tem 60, 70, 80 anos, você não é um peso. Você é arquivo vivo de histórias, soluções e afeto. Se você é jovem, lembre-se: o seu futuro também depende de como a sociedade trata quem já chegou lá. O monstro do etarismo só cresce no silêncio. Denuncie. Questione a piada. Contrate a experiência. Escute quem veio antes. Porque uma sociedade que respeita seus mais velhos não está apenas sendo gentil, está sendo inteligente. Está aprendendo a envelhecer com dignidade. E isso, no fim, é o que todo mundo quer.
Si tienes 60, 70, 80 años, no eres una carga. Eres un archivo vivo de historias, soluciones y afecto. Si eres joven, recuerda: tu futuro también depende de cómo la sociedad trata a quienes ya llegaron allí. El monstruo del edadismo solo crece en silencio. Denuncia. Cuestiona el chiste. Contrata la experiencia. Escucha a quien vino antes. Porque una sociedad que respeta a sus mayores no solo está siendo amable, está siendo inteligente. Está aprendiendo a envejecer con dignidad. Y eso, al final, es lo que todo el mundo quiere.
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