Aos 90+7, o choque. No dia seguinte, a morte: o futebol espanhol se despede de Jesús de Miguel
Atacante do Tenerife morreu aos 30 anos após sofrer parada cardiorrespiratória em lance com o goleiro Owono, do Andorra; o Grupo de Homicídios da Polícia Nacional investiga o caso sob supervisão judicial.
O futebol espanhol amanheceu de luto nesta terça-feira (3). Jesús de Miguel Alameda, atacante do CD Tenerife, morreu às 8h do horário local, no Hospital Universitário Nuestra Señora de Candelaria, onde estava internado na UTI desde a noite anterior. Ele tinha 30 anos.
A morte veio cerca de 12 horas depois de um lance que, à primeira vista, parecia apenas mais uma dividida no fim de um jogo de segunda divisão.
1 · O lance, no minuto 97
A partida era Tenerife x FC Andorra, no estádio Heliodoro Rodríguez López, em Tenerife, pela 12ª jornada da LaLiga Hypermotion — a segunda divisão espanhola. O placar marcava 2 a 2.
Foi aos 7 minutos de acréscimo do segundo tempo (90'+7') que o choque aconteceu. De Miguel avançava para disputar uma bola quando foi atingido no peito pelo goleiro do Andorra, Jesús Owono, que havia deixado a área para tentar afastar o perigo.
A arbitragem registrou o cartão vermelho direto a Owono no minuto 97 — o que consolida o momento exato do impacto. É a súmula da competição que fixa esse minuto, e é ela que explica a divergência inicial entre veículos, que citaram desde o minuto 90 até o 108.
O jogador caiu no gramado e ficou inconsciente. A partida foi suspensa definitivamente no minuto 108 para permitir a entrada das equipes médicas em campo.
2 · O atendimento e a internação
De Miguel sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimado ainda no gramado. Foi transportado de emergência ao hospital, onde deu entrada consciente, mas em estado grave, e ficou internado na UTI.
O clube informou, ainda na segunda-feira, que o jogador estava "estável dentro da gravidade". Durante a madrugada, porém, o quadro mudou: o Tenerife comunicou que houve piora do estado neurológico, e o atleta não resistiu.
3 · O comunicado do clube
A confirmação veio pela conta oficial do CD Tenerife no X:
"Dilacerados de dor, com um nó na garganta e sem poder acreditar que isto seja verdade, desde o CD Tenerife comunicamos o trágico falecimento, esta terça-feira, dia 3 de novembro de 2026, às 8:00 horas, de Jesús de Miguel Alameda."
O clube informou que divulgaria novos detalhes — entre eles as informações sobre o velório, o funeral e as homenagens — nas horas seguintes.
4 · A investigação policial
O Grupo de Homicídios da Polícia Nacional da Espanha, em Santa Cruz de Tenerife, abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte. O procedimento corre sob supervisão judicial, segundo fontes da delegacia provincial ouvidas pela agência EFE.
A apuração envolve a possibilidade de homicídio culposo — a figura do homicídio sem intenção, prevista no Código Penal espanhol. O Tenerife e o Andorra empatavam em 2 a 2 quando o lance ocorreu.
Há, no entanto, um contraponto relevante apresentado por especialistas. Um jurista ouvido pela EFE considerou "muito difícil" que se abra um processo penal no caso, argumentando que o golpe ocorreu num lance de jogo e que será necessário aguardar a análise do Comitê de Disciplina Esportiva.
Em outros termos: a abertura do inquérito não significa que haja imputação ou acusação formal contra o goleiro — é o procedimento padrão diante de uma morte não natural cujas circunstâncias precisam ser esclarecidas.
5 · Quem era Jesús de Miguel
Espanhol, natural de Madri, De Miguel atuava como atacante e defendia o CD Tenerife, clube das Ilhas Canárias que disputa a segunda divisão do Campeonato Espanhol. Ele tinha 30 anos.
O goleiro envolvido no lance, Jesús Owono, defende o FC Andorra e é internacional pela Guiné Equatorial. Foi expulso após o choque.
6 · O que acontece agora
Com a morte do jogador, dois caminhos seguem em paralelo:
· O esportivo — a partida foi suspensa no minuto 108 e seu resultado e desfecho dependem da análise do Comitê de Disciplina Esportiva, que também avaliará o lance em si.
· O judicial — a investigação policial sob supervisão judicial segue em curso para esclarecer as circunstâncias da morte, sem que haja, até o momento, imputação formal.
7 · Ficha do episódio
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Item |
Informação |
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Jogador |
Jesús de Miguel Alameda, 30 anos, atacante |
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Clube |
CD Tenerife (segunda divisão espanhola) |
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Partida |
Tenerife x FC Andorra — LaLiga Hypermotion, 12ª jornada |
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Estádio |
Heliodoro Rodríguez López, Tenerife (ESP) |
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Data do lance |
2 de novembro de 2026, segunda-feira |
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Minuto |
90'+7' (registrado como 97 na súmula) |
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Placar no momento |
2 a 2 |
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Goleiro envolvido |
Jesús Owono (FC Andorra) — vermelho direto |
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Partida |
Suspensa definitivamente no minuto 108 |
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Data da morte |
3 de novembro de 2026, às 8h (horário local) |
8 · Nota metodológica
As informações sobre o lance, o atendimento, a internação, a morte e a investigação foram apuradas em material da BBC Sport, CBS News/AP, ABC News, Al Jazeera, Reuters, EFE, El País, El Mundo, La Voz de Galicia, 20minutos, Menorca, Cadena SER, EITB, DW, RTP, Diario Libre, UOL, g1, ge e CNN Brasil, com datas entre 2 e 3 de novembro de 2026. O comunicado oficial do CD Tenerife foi publicado na conta do clube no X.
Sobre o minuto do lance, houve divergência entre veículos — de 90 a 108 minutos. Esta reportagem adota 90'+7' (minuto 97), o registro consignado na súmula da competição pela marcação do cartão vermelho direto ao goleiro Jesús Owono, conforme apurado pela redação. Os minutos 108 e 96/97 que aparecem em outros textos referem-se, respectivamente, à suspensão definitiva da partida e a estimativas de diferentes fontes.
A investigação policial está em curso e não há imputação formal até o fechamento desta edição. Esta reportagem não afirma que haja crime, nem responsabiliza o goleiro pelo óbito: apresenta a linha de apuração aberta pelas autoridades e o contraponto jurídico apresentado por especialista ouvido pela EFE.
A causa médica da morte relatada — parada cardiorrespiratória decorrente do impacto no peito — consta das informações divulgadas pelo clube e reproduzidas pelas agências. O laudo oficial não havia sido divulgado até o fechamento.
FOTO: Reprodução.