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Democratas varrem as midterms: viram 25 cadeiras na Câmara, chegam a 54 no Senado e impõem derrota a Trump

Por Redação EG News • 04/11/2026 às 09h26 (Atualizado em 04/11/2026 às 09h27) • ⏱️ 11 min de leitura
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Partido retoma o controle das duas casas do Congresso e encerra o trifecta republicano; apuração consagra a primeira governadora negra eleita na história dos EUA e o primeiro senador muçulmano.

 

Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos na apuração das eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), impondo ao presidente Donald Trump a derrota que encerra o domínio republicano sobre as duas casas do Congresso.

O resultado foi sendo confirmado ao longo da madrugada e da manhã desta quarta-feira. A NBC News projetou o controle da Câmara ainda na noite de terça; o Senado veio depois, e a Decision Desk HQ projetou a maioria democrata na Casa às 23h20 de terça-feira.

1 · Os números da Câmara

Eram 435 cadeiras em disputa. A projeção consolidada até a manhã desta quarta-feira:

Partido

Cadeiras

Situação

Democratas

228

maioria garantida

Republicanos

139

—

Aguardando resultado

68

em apuração

Os democratas viraram 25 cadeiras que estavam sob controle republicano, em distritos de mais de dez estados. A maioria na Câmara exige 218 — o partido passou do número com folga de dez cadeiras, e a margem ainda pode crescer com a apuração das 68 restantes.

2 · Os números do Senado

Eram 35 cadeiras em disputa, das 100 do Senado. O resultado:

Partido / bancada

Cadeiras

Situação

Democratas

52

—

Independentes (votam com os democratas)

2

—

Total da maioria

54

maioria garantida

Republicanos

44

-7 cadeiras perdidas

Maioria necessária

51

—

Segundo as projeções da BBC, os democratas conquistaram 52 vagas — e a maioria se completa com duas cadeiras de políticos independentes que costumam votar com o partido, chegando a 54 senadores. É a composição que a emissora apresenta, separando o que é voto formalmente partidário do que é alinhamento de bancada.

Os democratas conquistaram sete cadeiras que eram dos republicanos e mantiveram outras 11 já consagradas. Com 54 cadeiras alinhadas, ficam três acima do mínimo necessário para comandar a Casa.

Duas disputas seguem indefinidas: Alasca e Mississippi.

·         Mississippi — a disputa mais apertada do país. O democrata Scott Colom lidera a republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante da cadeira, por 28 votos.

·         Alasca — o republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição, aparece com 48,5% contra 47,7% da democrata Mary Peltola, diferença de cerca de 2,4 mil votos. A corrida ficou marcada pela confusão envolvendo dois candidatos chamados Dan Sullivan — o senador e um professor aposentado que concorre como independente, com 1,7% dos votos. Um juiz rejeitou uma ação do governo Trump que buscava adiar a certificação dos resultados, e a BBC informa que o FBI investiga alegações de que operadores democratas teriam recrutado o homônimo para dividir votos.

Se as duas cadeiras caírem, a maioria democrata pode chegar a 56 senadores.

3 · Os estados que os democratas viraram

A apuração consagrou vitórias democratas em estados que Trump venceu por margens de dois dígitos em 2024 — o dado que dimensiona o tamanho da onda:

·         Texas

·         Carolina do Sul

·         Carolina do Norte

·         Ohio

·         Maine

·         Iowa

·         Kansas

Também foram confirmadas vitórias democratas em Minnesota, Nova Hampshire e Geórgia.

4 · Os resultados das corridas principais

Estado

Vencedor

Resultado

Geórgia

Jon Ossoff (D)

59,0% a 41,0% (2.463.132 a 1.711.322)

Ohio

Sherrod Brown (D)

50,0% a 45,2%

Michigan

Abdul El-Sayed (D)

52,5% a 45,5% (2.497.852 a 2.162.890)

Carolina do Sul

Annie Andrews (D)

51,1% a 46,7%

Maine

Troy Jackson (D)

53,8% a 46,7%

Um marco histórico em Michigan: Abdul El-Sayed, médico e ex-diretor de saúde de Detroit, se torna o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.

Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews derrotou a senadora republicana Lindsey Graham, numa das viradas mais simbólicas da noite.

5 · Os governos estaduais e os marcos históricos

Eram 36 governos estaduais em disputa. Até a última atualização, os democratas haviam vencido 17, os republicanos 11, com os demais ainda em apuração — e pelo menos dois foram virados: Geórgia e Ohio.

Duas eleições entraram para a história:

·         Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, se tornou a primeira mulher negra eleita governadora na história dos Estados Unidos — 54,3% a 45,7% sobre Rick Jackson. É também o primeiro governador democrata da Geórgia em mais de 20 anos.

·         Amy Acton se tornou a primeira mulher eleita governadora de Ohio, com 52,3% dos votos, derrotando o republicano Vivek Ramaswamy.

Um terceiro marco se somou a esses na noite: Chris Pappas, de Nova Hampshire, se tornou o primeiro homem abertamente gay eleito ao Senado dos Estados Unidos.

E nos estados, outro: Deb Haaland, democrata e integrante da comunidade Laguna Pueblo, foi eleita governadora do Novo México ao derrotar o republicano Gregg Hull — e se torna a primeira mulher indígena a governar um estado americano.

Outras vitórias democratas relevantes nos estados:

·         Arizona — Katie Hobbs (55,7% a 42,6% sobre Andy Biggs)

·         Texas — Gina Hinojosa virou o estado, derrotando Greg Abbott

·         Michigan — Jocelyn Benson (54,3%, sobre John James)

·         Minnesota — Amy Klobuchar (55,5%, resultado final)

·         Iowa — Sand (55,5%)

Nos estados onde os republicanos mantiveram o governo, os destaques foram Tommy Tuberville, eleito governador do Alabama com 52,1%, e Byron Donalds, eleito na Flórida com cerca de 50% dos votos.

6 · O que muda em Washington

A eleição encerra o trifecta republicano — a situação em que o mesmo partido controla a Presidência e as duas casas do Congresso. A partir de janeiro, os democratas comandam a pauta legislativa da Câmara e do Senado, com poder para barrar projetos do governo e abrir investigações.

Segundo as projeções, a vitória democrata veio da reação do eleitorado ao governo Trump, num pleito em que o custo de vida e a insatisfação com a economia dominaram as pesquisas. O voto antecipado já apontava nessa direção: 49,6 milhões de americanos votaram antes do dia da eleição, um recorde para midterms, com os democratas registrados liderando o comparecimento.

A apuração ainda não terminou. Com 68 cadeiras da Câmara e dois estados do Senado indefinidos, os números finais devem ser confirmados ao longo dos próximos dias — e em alguns distritos a contagem pode se estender por semanas.

7 · A reação de Trump e o tamanho da derrota

Trump reconheceu o resultado e, ao mesmo tempo, atacou o próprio partido. Em entrevista à Fox News, disse que os democratas fizeram "um bom trabalho", admitiu ter ficado "um pouco surpreso" e afirmou que eles enviariam projetos de lei que considera "insanos" — e que os vetaria. Em publicação nas redes sociais, chegou a exibir um boné com a palavra "VETO".

Ele também atribuiu a derrota a fatores externos, citando a guerra com o Irã e os preços mais altos dos combustíveis como causas do revés republicano. O senador republicano Ron Johnson, de Wisconsin, resumiu a leitura ao dizer à BBC que a guerra e o custo dos combustíveis "pesam muito na cabeça das pessoas".

A aprovação de Trump foi a mais baixa já registrada por um presidente numa eleição de meio de mandato: 38%, segundo a pesquisa Voter Poll — abaixo dos 44% de 2018 e dos 47% de 2020, quando perdeu para Joe Biden. Para comparação, 43% aprovavam o desempenho de Biden nas midterms de 2022.

O dado do eleitorado: segundo a pesquisa SSRS, as mulheres apoiaram os candidatos democratas à Câmara por 58% a 40% — uma das margens mais amplas do ciclo.

8 · Nota metodológica

Os dados desta edição foram atualizados com a cobertura ao vivo da BBC News Brasil, mantida em tempo real, que registra a projeção de 52 vagas democratas somadas a duas cadeiras de independentes, contra 44 republicanos. A distinção entre votos partidários e alinhamento de bancada é da própria emissora. Os demais dados de apuração foram compilados a partir de material da BBC News, do New York Times, da NBC News, da NPR, da Associated Press, da ABC News, da PBS News, do Ballotpedia, do Decision Desk HQ, da Reuters (via R7), do g1, do SBT News e do Pleno.News, com datas entre 3 e 4 de novembro de 2026.

Os totais da Câmara variam conforme a fonte e o horário de consulta. O g1, o SBT News e a BBC registravam 228 democratas e 139 republicanos; o Ballotpedia, que atualiza continuamente, registrava 211 a 122 às 3h01 de 4 de novembro e 115 a 50 às 22h53 de 3 de novembro. A diferença reflete o ritmo da apuração, não divergência de dados — e os números devem ser conferidos em fonte oficial antes de qualquer publicação, porque mudam ao longo do dia.

As projeções de controle das casas são de mesas de decisão (NBC News, Decision Desk HQ, AP), não de contagem final. Candidatos citados como vencedores em alguns estados foram projetados por essas mesas, conforme o padrão da imprensa americana.

Os percentuais das corridas estaduais são parciais, com o percentual de votos apurados variando entre 86% e 99% conforme o estado, segundo a NPR e a ABC News. Nenhum resultado desta reportagem é apresentado como definitivo, e a matéria não projeta os desfechos que ainda dependem de contagem.