Chris Pappas vence em New Hampshire e será o primeiro homem abertamente gay no Senado dos EUA
Democrata derrota o ex-senador John Sununu por 56,2% a 41,9%, com 92% das urnas apuradas, mantém a cadeira deixada por Jeanne Shaheen e entra para a história depois de três mulheres LGBTQ+ que já ocuparam o Senado.
O democrata Chris Pappas venceu nesta terça-feira (3) a disputa pelo Senado dos Estados Unidos por New Hampshire e entrará para a história como o primeiro homem abertamente gay a ocupar uma cadeira no Senado americano.
A precisão importa: ele não é o primeiro senador abertamente LGBTQ+ do país. Essa barreira foi rompida antes, e por mulheres — conforme destacam as próprias agências e veículos que cobriram o resultado, entre eles o [g1] e o *The New York Times*.
Com 92% das urnas apuradas, segundo a Associated Press:
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Candidato |
Partido |
Votos |
Percentual |
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Chris Pappas |
Democrata |
331.447 |
56,2% |
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John E. Sununu |
Republicano |
247.329 |
41,9% |
1 · As três mulheres que chegaram antes
Pappas é o quarto senador declaradamente LGBTQ+ da história americana e o primeiro homem. Antes dele, três mulheres ocuparam a casa:
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Senadora |
Estado |
Período |
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Tammy Baldwin |
Wisconsin |
2013 — atualmente no cargo |
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Kyrsten Sinema |
Arizona |
2019 — 2025 (já deixou o Senado) |
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Laphonza Butler |
Califórnia |
2023 — 2025 (já deixou o Senado) |
Tammy Baldwin foi a primeira: eleita em 2012, tomou posse em 2013 e foi reeleita em 2018 e 2024, permanecendo no Senado. Kyrsten Sinema e Laphonza Butler já deixaram o cargo. Há ainda o caso do ex-senador Harris Wofford, da Pensilvânia, que exerceu o mandato entre 1991 e 1995, mas não se declarava publicamente na época.
2 · Por que a formulação correta é "primeiro homem"
A diferença não é detalhe de redação. Baldwin está no Senado há treze anos, e a manchete "primeiro senador abertamente gay" apagaria a existência dela e a de Sinema e Butler — exatamente o oposto do que o resultado representa.
As fontes que cobriram a apuração são consistentes na formulação correta, e é ela que sustenta este texto: primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado dos EUA.
· Brasil: g1 — "Chris Pappas se torna primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado dos EUA"
· Estados Unidos: *The New York Times* — "The Senate Will Get Its First Openly Gay Male Senator"
· Axios: Axios — "Pappas becomes first openly gay man elected to Senate"
· 19th News: 19th News — "Chris Pappas will be the first out gay man in the U.S. Senate"
3 · O resultado e a derrota de Sununu
John E. Sununu, republicano e ex-senador pelo estado entre 2003 e 2009, tinha apoio declarado de Donald Trump e reconheceu a derrota na noite de terça, telefonando para Pappas para cumprimentá-lo.
Os percentuais divulgados nas primeiras horas da apuração — 61% a 38%, com apenas 20% dos votos contados — refletiam o voto antecipado e a contagem inicial das áreas mais urbanas. Não devem ser lidos como o resultado final: o número consolidado é 56,2% a 41,9%, com 92% apurados.
4 · Quem é Chris Pappas
Pappas tem 46 anos, é de Manchester, a maior cidade do estado, e foi deputado federal por New Hampshire por quatro mandatos, desde 2013. Cresceu trabalhando no restaurante da família, aberto em 1917, que reivindica a invenção do chicken tender.
A cadeira estava aberta: era a vaga de Jeanne Shaheen, que não disputou a reeleição. Sem incumbente, a disputa foi uma das mais caras do ciclo e tratada pelos dois partidos como decisiva para o controle do Senado.
A campanha dele resumiu a disputa na frase "Time New Hampshire contra Time Trump".
5 · O que significa "Time New Hampshire contra Time Trump"
Não é um slogan solto: é o enquadramento que a campanha deu à eleição — uma disputa estadual transformada em referendo sobre o presidente. A frase opera em três frentes ao mesmo tempo.
Cola o adversário a Trump. Sununu tinha apoio declarado do presidente. Ao dizer "Time Trump", a campanha não precisava argumentar contra o ex-senador — bastava transferir para ele o desgaste do governo federal, que chega à eleição com 38% de aprovação, a mais baixa já registrada em midterms.
Traz a disputa para o quintal do eleitor. New Hampshire é um estado pequeno, de política local forte e identidade própria. "Time New Hampshire" diz que ali não se decide a eleição com base em Washington, mas em quem cuida do estado — o que favorecia um deputado de quatro mandatos, conhecido nos municípios, contra um ex-senador que passou anos fora.
Neutraliza o ataque republicano. Os republicanos acusavam Pappas de atender a lobistas e chefes partidários de Washington. A resposta vem na mesma moeda: se o adversário é "Time Trump", quem está do lado de fora, ligado a interesses de fora, é ele.
É uma variação de uma fórmula que apareceu forte nas midterms de 2026 e que ecoa o "America First" de Trump virado do avesso: em vez de nação contra o mundo, o estado contra Washington.
6 · Treze anos de mandato: o que ele fez na Câmara
Pappas chegou à Câmara em 2013 e construiu um perfil de legislador de resultados, não de palanque. Foi nomeado pelo Center for Effective Lawmaking, em 2023, entre os membros mais efetivos do 117º Congresso — um levantamento que mede a capacidade comprovada de um parlamentar de levar sua legislação adiante.
Veteranos
Foi na Comissão de Assuntos de Veteranos que ele firmou a reputação. Atuou como vice-presidente (Ranking Member) da Subcomissão de Oportunidades Econômicas, com jurisdição sobre educação, emprego, reabilitação profissional, moradia e transição de militares para a vida civil. Entre as medidas que assinou estão a SAFEGUARD Veterans Act (2026), a SERVE Act, o Veterans' Burial Improvement Act, a VA Insurance Improvement Act, o Gulf War Survivor Benefits Update Act e leis para proteger veteranos de cobranças abusivas de dívidas e fortalecer o quadro de pessoal do Departamento de Assuntos de Veteranos (VA).
Crise dos opioides e saúde
Pappas fez da crise das drogas sua bandeira mais constante — um tema central em New Hampshire. Assinou a Combating Illicit Xylazine Act, que classifica a xilazina como substância controlada da Lista III, e legislação bipartidária para coibir o tráfico de drogas pela dark web, com penas maiores para traficantes. Foi copatrocinador da Tyler's Law, voltada a prevenir mortes por fentanil, e do Protecting Health Care and Lowering Costs Act, para derrubar cortes na saúde e tornar permanentes os subsídios do ACA, diante de estimativa de alta de até 75% nos prêmios.
Custos das famílias
Na Comissão de Meios e Arbitragens (Ways and Means), assinou o Consumer Fuel Costs Relief Act, a LIHEAP Act — apoio federal para o custo de aquecimento — e a American Homes First Act, esta convertida em lei. Também assinou o Baby Brent's Bill e a PFAS Research and Development Reauthorization Act, sobre a contaminação por PFAS, tema sensível no estado.
Infraestrutura e transportes
Na Comissão de Transportes e Infraestrutura, tratou de estradas, vias navegáveis e gestão federal de emergências e desastres naturais — uma atuação que, na prática, se traduziu em levar verba de infraestrutura para o 1º Distrito de New Hampshire.
Independência partidária
Um levantamento de fevereiro de 2024 mostrou que Pappas rompia com o próprio partido mais do que 97% dos democratas da Câmara e aparecia como o 8º de 213 democratas mais propenso a votar com os republicanos. Foi essa marca que sustentou a imagem de moderado numa disputa estadual de tom nacional — e serve de resposta direta à acusação republicana de que ele atenderia a lobistas e chefes partidários de Washington.
Vale registrar o limite disso: o histórico acima reúne os projetos assinados e as votações públicas dele. Não é uma medida de quantas dessas propostas viraram lei — a maioria dos projetos de qualquer parlamentar não passa pelo plenário.
6 · A fala da vitória
"Os resultados desta noite são um alerta para os interesses corporativos e os bilionários que vêm manipulando a economia, para os covardes no Congresso que viabilizaram cortes na saúde, tarifas e guerra, e para o presidente incompetente, que não se dá ao trabalho de se importar com as pessoas que estão sendo prejudicadas."
6 · O que a vitória representa no mapa
New Hampshire é um estado púrpura — vota em democratas para presidente desde 2004, mas os republicanos dominaram o governo estadual nos anos recentes. A vitória de Pappas manteve sob controle democrata uma cadeira que os republicanos tinham grande expectativa de virar.
A eleição dele se soma à onda que devolveu ao Partido Democrata o controle das duas casas do Congresso e que inclui nomes como Gina Hinojosa no Texas e Abdul El-Sayed, primeiro senador muçulmano do país.
7 · Nota metodológica
Os resultados eleitorais são da Associated Press, com 92% das urnas apuradas. A reportagem usa o placar consolidado de 56,2% a 41,9%, e não os 61% a 38% divulgados nas primeiras horas da apuração — quando apenas 20% dos votos haviam sido contados e o voto antecipado favorecia o candidato democrata.
A projeção da vitória foi confirmada pela AP e coincidente em outros painéis, entre eles o Decision Desk HQ. O histórico dos senadores LGBTQ+ foi apurado em reportagem do g1 e em reportagens do The New York Times, Axios, 19th News, NBC Boston (com material da AP), HuffPost, The Hollywood Reporter e Democracy Now!, todas de 3 e 4 de novembro de 2026.
A apuração não estava encerrada no momento do fechamento desta edição, e os números podem sofrer pequenas alterações com a contagem final.