Deb Haaland vence no Novo México e será a primeira mulher indígena a governar um estado dos EUA
Ex-secretária do Interior, integrante do povo Laguna Pueblo e 33ª governadora do estado, ela derrota o republicano Gregg Hull por 57,3% a 42,8% e amplia a onda de conquistas históricas das midterms.
A democrata Deb Haaland venceu nesta terça-feira (3) a disputa pelo governo do Novo México e se tornará a primeira mulher indígena a comandar um estado dos Estados Unidos. Com a vitória, ela também assume como a 33ª governadora da história do estado.
A projeção da vitória foi feita pela Associated Press na noite de terça, quando cerca de 41% dos votos estavam contados. Com 98% das urnas apuradas:
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Candidato |
Partido |
Votos |
Percentual |
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Deb Haaland |
Democrata |
412.834 |
57,3% |
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Gregg Hull |
Republicano |
308.315 |
42,8% |
A vantagem é de 104.519 votos. Nas primeiras horas, os números apareciam em torno de 57% a 43% e de 56% — as variações refletem a ordem de entrada dos votos, e o 57,3% é o consolidado.
1 · Quem é Deb Haaland
Haaland tem 65 anos, é integrante do Pueblo de Laguna, povo indígena do centro-oeste do Novo México reconhecido pelo governo federal americano, e nasceu no Arizona. Cresceu em uma família de militares: a mãe, mulher indígena, serviu na Marinha; o pai, de origem norueguesa, passou três décadas no Corpo de Fuzileiros Navais.
Ela se identifica como a 35ª geração de sua família no Novo México, onde seus antepassados teriam chegado no século 13.
A trajetória até a política nacional foi marcada por dificuldades financeiras. Em 1994, quatro dias depois de se formar na Universidade do Novo México, deu à luz sua única filha, Somah. Como mãe solo, teve dificuldade para pagar as contas e chegou a solicitar assistência alimentar emergencial do governo. Quando a filha ainda era pequena, abriu um negócio de venda de molho de salsa caseiro. Mais tarde, voltou à universidade para estudar Direito Indígena.
Antes de chegar ao Congresso, foi voluntária e organizadora de campanhas democratas, incluindo as de John Kerry e Barack Obama.
2 · Uma sequência de primeiras vezes
A eleição de terça é o quarto marco de uma carreira que já vinha quebrando barreiras — e vale registrar cada um, porque a dimensão do resultado está na sequência, não em um episódio isolado.
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Ano |
Marco |
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2018 |
Eleita para a Câmara dos Representantes pelo Novo México, ao lado de Sharice Davids, do Kansas. As duas se tornaram as primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso americano. |
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2021 |
Confirmada pelo Senado para comandar o Departamento do Interior no governo Joe Biden. Primeira pessoa indígena a ocupar um cargo de secretária — equivalente a ministra — no gabinete presidencial dos EUA. |
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2026 |
Primeira mulher indígena eleita governadora de um estado americano. |
O Departamento do Interior, que ela chefiou, administra as terras públicas federais e abriga o Escritório de Assuntos Indígenas (Bureau of Indian Affairs), responsável pelas questões das tribos reconhecidas pelo governo federal. É, portanto, o posto de maior peso sobre a pauta indígena em toda a estrutura federal — e ela foi a primeira pessoa indígena a ocupá-lo.
3 · O que ela defendeu na Câmara
No Congresso, Haaland adotou posições progressistas e ficou associada a duas frentes:
· Green New Deal, a iniciativa voltada ao combate às mudanças climáticas.
· Ampliação do acesso à saúde.
A atuação dela também foi marcada pela defesa dos direitos das comunidades indígenas e pela proteção ambiental. Haaland participou de mobilizações contra o oleoduto Dakota Access, cujo trajeto preocupava comunidades indígenas por possíveis impactos sobre suas fontes de água.
4 · O adversário e o mapa do estado
O republicano Gregg Hull tem 60 anos, é empresário e foi prefeito de Rio Rancho, uma das maiores cidades do estado. Ele não tinha mandato estadual no momento da disputa, e a campanha dele não conseguiu transformar a eleição numa disputa de rejeição à candidata democrata.
Haaland acompanhou a apuração no Route 66 Casino Hotel, em Albuquerque, ao lado de apoiadores e de dirigentes do Partido Democrata do Novo México, depois do fechamento das urnas às 19h (horário local).
Os indígenas representam cerca de 12% da população do Novo México — a maior proporção entre os estados americanos. É esse peso demográfico que dá ao resultado um significado que ultrapassa o estado.
5 · A vaga que ela herda
Haaland substitui a também democrata Michelle Lujan Grisham, que deixa o cargo depois de dois mandatos e não podia disputar um terceiro consecutivo por causa do limite de mandatos previsto na legislação estadual.
Ela deve ser empossada em janeiro.
6 · As outras barreiras rompidas nas mesmas eleições
A vitória no Novo México não veio isolada. As midterms de 2026 ficaram marcadas por uma série de conquistas de representatividade — e vale situar Haaland nesse conjunto:
· Keisha Lance Bottoms (Geórgia) — primeira mulher negra eleita governadora na história dos EUA.
· Gina Hinojosa (Texas) — primeira latina a governar o Texas, quebrando 36 anos de domínio republicano no estado.
· Chris Pappas (New Hampshire) — primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado.
· Abdul El-Sayed — primeiro senador muçulmano do país.
Todos se somam à onda que devolveu ao Partido Democrata o controle das duas casas do Congresso — 228 a 139 na Câmara, com 54 a 44 no Senado.
7 · Nota metodológica
Os resultados eleitorais são da Associated Press, com 98% das urnas apuradas, segundo os painéis da NPR atualizados às 15h45 de 4 de novembro de 2026. A reportagem usa 57,3% a 42,8%, e não os 56% divulgados na noite da eleição — quando a contagem ainda estava em curso e o número final podia oscilar.
Segundo a Secretaria de Estado do Novo México, citada pelo *Carlsbad Current-Argus*, quando a AP declarou a vitória Haaland tinha 175.561 votos (57%) contra 134.481 (43%) de Hull. Naquele momento o estado havia contabilizado 327.184 cédulas de um universo de 1.463.716 eleitores aptos, com comparecimento de 22,35% e 1.258 seções parcialmente apuradas — daí a diferença para o total final. Todos os números divulgados na noite da eleição são preliminares.
O perfil, a trajetória e os marcos históricos foram apurados em reportagem do g1 (com base em material da BBC) e em reportagens da NPR, The Guardian, Source New Mexico, Brasil de Fato, Valor Econômico, TVT News, Tri-City Record e Mesilla Valley Record, de 3 e 4 de novembro de 2026.
A apuração ainda não estava encerrada no momento do fechamento desta edição, e os números podem sofrer pequenas alterações com a contagem final.