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Copom interrompe cortes e mantém a Selic em 13,75%; Ibovespa sobe 1,15% e dólar cai a R$ 5,45

Por Redação EG News • 04/11/2026 às 17h00 (Atualizado em 04/11/2026 às 17h07) • ⏱️ 9 min de leitura
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Banco Central para o ciclo de flexibilização com decisão unânime e comunicado duro sobre o fiscal, enquanto a "onda azul" nos EUA derruba o petróleo e impulsiona as bolsas no mundo inteiro.

O Copom interrompeu nesta quarta-feira (4) o ciclo de cortes de juros e manteve a Selic em 13,75% ao ano, em decisão unânime. O anúncio veio depois do fechamento do pregão e coroou um dia de forte alívio nos mercados, sustentado pelo resultado das midterms americanas. Em Brasília, o ministro da Fazenda em exercício, Durigan, tentou conter o nervosismo local: "Nada justifica uma posição de medo no mercado financeiro."

1 · O fechamento em números

Indicador

Fechamento

Variação

Taxa Selic

13,75% ao ano

Estabilidade

Ibovespa

167.292 pontos

+1,15%

Dólar comercial

R$ 5,45

-0,64%

Dow Jones

53.356,12 pontos

+3,03%

S&P 500

7.688,62 pontos

+1,58%

STOXX Europe 600

657,40 pontos

+1,82%

Petróleo Brent

abaixo de US$ 95

-9% (aprox.)

O Ibovespa quebrou uma sequência de seis quedas consecutivas e fechou aos 167.292 pontos, com abertura em 165.547,88, mínima em 165.541,38 e máxima em 167.986,38 — tendo o fechamento anterior, em 3 de novembro, ficado em 165.528,92 pontos. O dólar acompanhou a perda de força global da moeda americana e recuou 0,64%, a R$ 5,45.

2 · A decisão do Copom

Sob a presidência de Gabriel Galípolo, o colegiado optou por pausar os cortes de 0,25 ponto percentual iniciados em março. O comunicado endureceu o tom: classificou o ambiente externo como "adverso", citou a deterioração das expectativas de inflação locais e as incertezas em torno da condução fiscal no pós-eleição. Com a decisão, o Brasil reassume o topo do ranking global de maiores taxas de juros reais.

O ciclo interrompido: a Selic havia chegado a 13,75% depois de cinco cortes de 0,25 ponto. A própria autoridade monetária resumiu o momento na frase que abre o documento — o cenário "demanda serenidade e cautela".

3 · As projeções de inflação que travaram o corte

Horizonte

IPCA projetado

2026

5,6% — acima do teto da meta, de 4,5%

2027

4,7%

2º trimestre de 2028 (horizonte relevante)

3,5% — subiu de 3,2%

A elevação das estimativas foi o que inviabilizou a continuidade da flexibilização. O BC monitora com preocupação declarada a "desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos" — na avaliação do Comitê, isso eleva significativamente o custo de frear a alta de preços. No cenário doméstico, o documento registrou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram para cima do limite da meta.

As projeções também aparecem por componente, e o detalhe ajuda a ler o que o BC está vendo:

Indicador

2026

2027

2º tri. de 2028

IPCA cheio

5,6%

4,7%

3,5%

IPCA livres

5,5%

4,8%

3,4%

4 · Os três diagnósticos do comunicado

1. Risco fiscal e expectativas desancoradas. O Comitê destacou o acompanhamento minucioso de como os desdobramentos da política fiscal doméstica impactam os preços dos ativos e as projeções do mercado.

2. Ambiente externo adverso. O cenário global ficou mais incerto com o prolongamento de conflitos armados no Oriente Médio, que gera impactos altistas sobre o petróleo e seus derivados — somando-se à manutenção de políticas de juros restritivas nos países desenvolvidos.

3. Desaceleração da atividade interna. Pelo lado da economia real, os indicadores mostram uma "moderação mais acentuada" da atividade brasileira: os setores mais sensíveis ao crédito começam a esfriar, e o mercado de trabalho — embora resiliente — já emite os primeiros sinais reais de desaquecimento na margem.

O terceiro diagnóstico é o que dá coerência ao conjunto: o BC interrompeu os cortes sem que a economia esteja aquecida, e sim porque a inflação projetada não cede o suficiente para justificar novo alívio.

5 · O que puxou a bolsa — e o que a segurou

Os bancos e a Vale sustentaram o índice. O Itaú Unibanco subiu 2,9%, reagindo ao lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no 3T26, alta de 6,2% sobre o mesmo período de 2025 — resultado em linha com as expectativas e um dos maiores pesos do índice, com cerca de 8% de participação. A Vale saltou 3,7%, acompanhando a alta do minério de ferro, que encerrou em Dalian com ganho de 1,56%, a 682 iuanes (US$ 102,01) por tonelada.

O ganho só não foi maior por causa da Petrobras. As ações da estatal despencaram mais de 7%, e o recuo foi o principal contrapeso do dia.

6 · O petróleo desabou, e a política explica

O Brent caiu quase 9%, fechando abaixo de US$ 95 o barril. A queda reflete as apostas de investidores em negociações geopolíticas para encerrar o conflito no Irã depois da mudança na correlação de forças em Washington — o inverso exato do que havia movido o mercado nos pregões anteriores, quando a guerra e a alta do petróleo eram vetores de pressão sobre os ativos brasileiros.

É a mesma causa, com o sinal invertido: a vitória democrata, que antes empurrava o petróleo para cima pela leitura de continuidade do conflito, agora derruba a commodity pela leitura de descompressão diplomática.

7 · Wall Street em festa

O Dow Jones disparou 1.569,40 pontos (+3,03%), a 53.356,12 — sua maior alta em 18 meses. O S&P 500 saltou 119,70 pontos (+1,58%), a 7.688,62, e o Nasdaq avançou 1,44%.

A leitura dominante entre os analistas é que a definição da "onda azul" reduziu as incertezas políticas imediatas e diminuiu o peso das pressões tarifárias e isolacionistas do governo sobre o Federal Reserve. Na Europa, o STOXX Europe 600 fechou em +1,82%, aos 657,40 pontos, com destaque para as companhias de energia renovável — Orsted e Vestas subiram até 7%, refletindo o alívio com a agenda verde americana — e para a Novo Nordisk, que ganhou 6% e puxou o setor de saúde.

O DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de divisas, recuou 0,30%, para a faixa dos 101,5 pontos, abrindo espaço para a queda da moeda americana no Brasil.

8 · O que fica no radar

O dia combinou dois movimentos que apontam para direções opostas, e é a tensão entre eles que define o cenário daqui para a frente:

·         O alívio externo — a onda azul reduziu o prêmio de risco geopolítico e derrubou o petróleo, o que beneficia a inflação brasileira pelo canal do combustível.

·         O ruído interno — a deterioração das expectativas de inflação e as dúvidas sobre a condução fiscal foram citadas nominalmente pelo Copom como motivo para interromper os cortes.

Investidores também reagiram a sinalizações de bastidores de que o governo faria um pronunciamento focado em responsabilidade fiscal nos próximos dias para acalmar os ânimos locais — expectativa reforçada pela fala pública de Durigan. Com a Selic no patamar elevado de 13,75%, os títulos pós-fixados seguem atrativos para quem busca renda fixa.

9 · Nota metodológica

Os dados de fechamento do mercado brasileiro — Ibovespa, dólar comercial e Selic — e o conteúdo do comunicado do Copom foram apurados a partir do material de fechamento reunido em 4 de novembro de 2026, complementado por CNN Brasil, UOL Economia, Valor Econômico, Valor Investe, Exame, Agência Brasil, InfoMoney, ADVFN, Investing.com, Trading Economics e Notícias Agrícolas.

Atenção ao dado do petróleo: as fontes divergem levemente no número do fechamento — algumas registram o Brent abaixo de US$ 95, outras o citam na casa dos US$ 95, e há ainda registro intradiário de US$ 94 e de US$ 101,29 em momentos distintos do pregão. Por isso esta reportagem usa "abaixo de US$ 95" e a variação aproximada de 9%, sem fixar um valor de fechamento que as fontes não confirmam de forma unânime.