20 milhões de consumidores já ficaram com nome sujo após comprarem produtos de luxo, diz SPC Brasil

Para adquirir produtos considerados de luxo, 42% comprometem suas reservas financeiras e 24% dos brasileiros deixam de pagar contas

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O consumo de produtos de luxo pode até ser considerado supérfluo, mas os brasileiros estão gastando e se endividando com essas compras. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal Meu Bolso Feliz, que investigou os gastos com produtos e serviços considerados de luxo e analisou o impacto nas finanças dos compradores. Os dados levantados comprovam: a compra de produtos desse segmento já afetou de forma negativa a saúde financeira dos consumidores.

Praticamente três em cada dez pessoas (30%) já ficaram com o nome sujo devido ao consumo de bens que consideram de luxo. Em números absolutos, são 19,6 milhões de brasileiros, principalmente jovens, pertencentes às classes B e C, e de menor escolaridade. Entre esse total, 43% ainda estão inadimplentes, ou seja, 8,5 milhões de compradores, em números absolutos.

24% deixam de pagar contas para comprar produtos de luxo

De acordo com os dados do estudo, 24% dos entrevistados já deixaram de pagar alguma conta para adquirir produtos que considera de luxo. Isso representa 15,7 milhões de pessoas, principalmente mais jovens, pertencentes às classes B e C, e de menor escolaridade.

Os maiores gastos foram com perfumes (69%), roupas (64%), calçados (59%), artigos eletrônicos (58%) e restaurantes (54%). Segundo Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o consumo de luxo é muito utilizado para demarcar a própria personalidade do consumidor, já que os produtos são reconhecidos pela sociedade e carregam peso de imagem e autoestima. “O uso de marcas famosas e, especificamente, do mercado de luxo, dá status ao consumidor, independente da classe social”, diz a economista.

Para Kawauti, a necessidade de fazer parte de um mercado muitas vezes inacessível esbarra principalmente no alto preço dos produtos. Ainda de acordo com a pesquisa, em 2014, 44% da renda das famílias de classe C foi utilizada na compra de bens considerados de luxo, enquanto na classe A essa proporção foi de 19%. Em um ano, o gasto médio com produtos de luxo totaliza cerca de R$ 18 mil. “Para ter acesso ao luxo, alguns consumidores fazem compras que não cabem em seu orçamento e, consequentemente, sofrem os efeitos negativos na saúde financeira pessoal e até mesmo familiar”, analisa a especialista.

42% usam seus investimentos em compras de luxo

Outro dado relevante da pesquisa revela que 42% dos entrevistados que possuem fundos de investimento já deixaram de guardar dinheiro ou usaram parte ou todo o dinheiro guardado pra comprar produtos de luxo. “A vontade de pertencer a algum grupo ou ter produtos exclusivos e da moda também leva o consumidor a retirar um valor da sua reserva financeira para a compra imediata”, analisa a economista.

“Porém, essa quantia, se acumulada, pode fazer falta a curto e médio prazo, ou até mesmo na aposentadoria.” 26% dos entrevistados assumiram que seus sonhos são adiados após a compra dos produtos de luxo – a porcentagem aumenta quando especificada nas pessoas mais jovens, da classe C e menos escolarizadas.

Para a economista, endividar-se, deixar de cumprir compromissos e contas assumidas e comprometer as reservas financeiras são sinais de um comportamento que, provavelmente, não condiz com as possibilidades financeiras do consumidor. “Caso as finanças estivessem de acordo com os gastos, estes não seriam debitados de uma reserva financeira importante, e sim de uma quantia específica para gastos supérfluos”, explica Kawauti.

Luxo como investimento na autoestima

Para quatro em cada dez pessoas (40%) o consumo com mercado de luxo é um investimento em si mesmo – seja na própria imagem (16%), seja na autoestima (24%). Também é importante ressaltar que a questão da imagem é mais significativa para os mais jovens (22%).

Metodologia

Em fevereiro e março de 2015 foram ouvidas 945 pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e pertencentes às classes A, B e C, nas 27 capitais. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais com margem de confiança de 95%.

 

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