Um dos principais nomes postos para a eleição do ano que vem, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli se prepara há muito para a disputa. Ferrenho crítico do governo de Rodrigo Rollemberg, ele fala com cautela das alianças políticas, mas garante que só será possível governar o DF com um grande grupo afinado. Para chegar lá, na opinião dele, vale a pena qualquer tipo de aliança. Bem próximo ao presidente Michel Temer, foi no terceiro andar do Palácio do Planalto que ele – assessor especial da Presidência da República – recebeu, sorridente e sem pressa, a reportagem do Jornal de Brasília para a conversa que segue.

Quais são efetivamente seus planos para 2018?

Eu tenho planos, da mesma forma que outras pessoas também têm e eu respeito. Mas um fato completamente presente é que o Distrito Federal passa por um dos piores momentos da sua história. E, portanto, da mesma forma que sinto uma angústia muito grande e torço para que a gente tenha em 2018 uma outra solução para Brasília, eu tenho certeza de que outras pessoas também têm esse pensamento.

NA VERDADE, O GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL NÃO VIVE UM DEFICIT FINANCEIRO. EM TODOS OS ASPECTOS POSSÍVEIS, O QUE EXISTE É UM DEFICIT DE VERDADES.

O senhor fala que o DF vive um dos piores momentos da história. Em diversas oportunidades, o governador Rodrigo Rollemberg atribui a má fase a resquícios da gestão passada, quando o senhor foi vice-governador.

Hoje, ele não consegue mais justificar dessa forma. No primeiro momento, podia até ter certo charme ele falar isso. Mas não uma pessoa que, até hoje, propagandeia que é uma das poucas unidades da Federação que paga os salários em dia e não diz que recebe o Fundo Constitucional para isso. Portanto, seria impossível o inverso. Outro fato: ele fala que a crise de água a que nós chegamos foi porque, há 16 anos, não se investe. É outro equívoco. Na verdade, hoje, o Governo do Distrito Federal não vive um deficit financeiro, mas um deficit de verdade. Nestes 16 anos, foi concluída a barragem de Corumbá; foi feita no governo Agnelo e deixada praticamente pronta a adutora de água bruta, em associação com o Governo de Goiás. São coisas tão absurdas que o governador diz que não são consistentes. Ele insiste ainda em um tal de cartão de bilhete único e ele sabe que isso já existe. Em todos os aspectos possíveis, o que existe é um deficit de verdades.

O senhor tem participado de reuniões com partidos que se dizem de direita, organizando o que seria uma grande coalizão para as eleições. Vale a pena fazer qualquer tipo de aliança para chegar ao Palácio do Buriti?

Sim. Acho que vale a pena. É impossível buscar mudar a realidade do Distrito Federal sem ser por meio de alianças. A pessoa que tiver um projeto individual, somente em torno dela, e não estiver liderando um grupo – inclusive eu – vai estar fadada ao desastre. É importante que esse grupo que tem as mesmas raízes esteja unido e afinado, para que esse esforço conjunto mude a história de Brasília. Ao Rodrigo, como pessoa, pai de família, não tenho nenhuma crítica. Mas, definitivamente, ele não é do ramo, não é um gestor público. Ele falava antigamente que a Saúde tinha dinheiro e o que faltava era gestão. Pois bem, estamos com dois anos e entrando no terceiro mês de governo e piorou. Piorou segurança, transporte, saúde. Piorou rigorosamente tudo.

EM MOMENTO NENHUM, NEGUEI MINHAS ORIGENS E LIGAÇÃO COM RORIZ. POR CIRCUNSTÂNCIAS POLÍTICAS, ESTIVEMOS EM PALANQUES DIFERENTES EM DUAS ELEIÇÕES

Na propaganda política do PMDB, o senhor aparece lembrando que foi secretário na gestão do ex-governador Joaquim Roriz. Essa aproximação é mostrar suas raízes políticas?

Em momento nenhum neguei minhas origens e ligação com Roriz. Por circunstâncias políticas, estivemos em palanques diferentes em duas eleições. Sempre tive respeito e admiração pela pessoa e pelo governador Roriz. Nem nos momentos de maior embate político, em palanques diferentes, houve qualquer gesto de crítica ao governo dele ou a ele. Sempre tive muito respeito e ligações profundas com ele. Todos nós devemos ter uma grande união. Ganha eleição quem agrega. Quem não agrega, perde eleição.

Até o PT poderia entrar nessa “grande união”?

O PT tem dado demonstração de que é base declarada do governo Rollemberg. Talvez não tenha formalmente título de liderança de governo, mas, no Plenário, os deputados distritais do PT estão declaradamente, em alianças políticas e na articulação para a eleição da Mesa Diretora e das comissões permanentes da Câmara Legislativa, rigorosamente base de governo.

INDEPENDENTEMENTE DE DIFERENÇAS POLÍTICAS COM O GOVERNADOR, EU ESTOU E ESTAREI SEMPRE À DISPOSIÇÃO DO GOVERNO, PARA O QUE FOR IMPORTANTE PARA BRASÍLIA.

E como está sua relação com o o ex-governador Agnelo?

Fantástica. Com todo mundo do PT. Não tenho a menor dificuldade de relação. Até porque o que brigam são as ideias, não as pessoas. Eu tenho uma belíssima relação com Agnelo. Mais do que isso, tenho um carinho muito grande por ele, que é uma pessoa fantástica.

E com o Arruda, o senhor também tem tido conversas?

Temos conversas com todo mundo, da mesma forma que todos estão conversando com todos. Volto a insistir: ganha a eleição quem agrega.

Quantos partidos já estão reunidos em torno desse projeto?

Por enquanto, só conversas.

E como estão as conversas com os sindicatos?

Temos interlocução com vários sindicatos, assim como temos com vários partidos.

Podemos dizer que somente a Justiça Eleitoral tiraria Tadeu Filippelli de encabeçar uma chapa para o Governo do DF?

Lembre-se que eu tive uma primeira ação julgada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fui absolvido por unanimidade, exatamente no processo em que eu tinha sido condenado praticamente por unanimidade. O segundo processo que chega ao TSE é um tema extremamente simples, que novamente remete ao aspecto de postagem de matérias que poderiam enaltecer o governador no site do Governo do DF. Imaginar que uma matéria dessas possa condenar alguém a oito anos de inelegibilidade é difícil.

O senhor teme que seja respingado por desdobramentos da Operação Lava Jato?

De forma nenhuma.

Nas articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, o senhor teve papel preponderante. Como foi sua participação?

Participei como presidente do partido. Isso é legítimo. Não fui somente eu. Vários presidentes de partidos participaram.

Essas articulações deixaram o PMDB mais próximo do PDT, do presidente da Casa, Joe Valle?

Eu sou uma pessoa que gosto de fazer e falar de política. O PDT tem os planos deles também. O que precisamos é de conversar muito, ter consciência da construção de um grande grupo e sermos cuidadosos com os projetos pessoais.

O senador Cristovam Buarque, quando o PPS anunciou posição a Rollemberg, disse que não descartava aliança com o PMDB, desde que o senhor tivesse “cara de esquerda”. Tem conversas com o PPS?

Eu prezo e tenho respeito pelo senador Cristovam, que é um grande formulador político. No campo federal, o PPS é parceiro do PMDB. E, no local, eu entendo que, conversando e afinando pensamentos e propostas, claro que podemos estar juntos.

Como está sua relação com a Câmara Legislativa agora?

Eu gosto muito de fazer política. Hoje (ontem), inclusive, pessoalmente, estive na Câmara Legislativa. Fiz uma visita. Tenho alguns amigos lá. E fui lá.

Quem é seu maior adversário político?

No momento, o principal esforço nosso deve ser trabalhar por Brasília. Independentemente de diferenças políticas com o governador, eu estou e estarei sempre à disposição do governo, para o que for importante para Brasília.
Quando seu recurso foi julgado pelo TSE, os ministros tiveram o entendimento de que a condenação de Agnelo não poderia respingar no vice. O senhor acredita em entendimento semelhante no julgamento de crime eleitoral da chapa da ex-presidente

Dilma Rousseff e do atual Michel Temer?

Nunca se pode antecipar uma decisão judicial, mas eu acho que o posicionamento foi muito interessante.

Como é sua relação com o presidente Michel Temer?

Tenho profunda admiração e muita confiança nele.

Que vantagens o DF poderia ter com sua presença aqui no Palácio do Planalto, sendo assessor direto dele?

Pelo próprio respeito que tenho por ele, tenho consciência de que não posso esperar nenhum gesto dele diferenciado para me favorecer. É impossível levantar qualquer dúvida de que ele teria uma ação para privilegiar algum parceiro ou pessoa mais próxima. Não é do feitio dele.

O senhor disse estar à disposição do governador. Pela sua posição, tem atuado como articulador do DF aqui no Planalto?

Sempre me coloquei à disposição. Esses dias mesmo, visitei o governador para conversar sobre a MP 759, que trata de regularização fundiária. Os procuradores do DF, por orientação de Rollemberg, estiveram aqui para discutir o texto. A organização e disciplina das promoções de militares foi de comum acordo entre Rollemberg e eu. Nunca deixei de retornar uma ligação de ele e ele nunca deixou retornar uma ligação minha.

Fonte: Jornal de Brasilia

postado em: 20/03/2017 às 12:00

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