Mãe e filha (Maria Angélica e Jordana) perfis de sucesso, sócias que dão lições de como reconstruir uma empresa

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Mãe e filha são sócias e dão lições de como reconstruir uma empresa

Elas comandam juntas fábrica de alimentação saudável. No início, porém, o negócio era de produção de salgados tradicionais. A reestruturação foi um longo caminho e envolveu mudar o foco e até o nome da firma

Graduada em educação artística, desenho e artes plásticas, a goiana Maria Angélica de Castro, 57 anos, começou a fazer salgados em 2003. “Para família e amigos, eu fazia há muito tempo antes, todo mundo que comia gostava e perguntava: por que você não vende? Então, resolvi fazer isso”, lembra. “No início, era em casa mesmo. Os primeiros clientes eram vizinhos do condomínio.” Para batizar o negócio, Angélica tirou inspiração da área artística. Surgia, assim, a Salgadart. Cerca de 10 anos depois, em 2014, a empresa mudou de nome e de foco, passando a se chamar Be Nutri. A mudança foi motivada pela filha de Angélica, Jordana Saldanha, 38. O envolvimento dela com a marca, porém, começou antes, em 2010.

“Fui atleta da Seleção Brasileira de Kung Fu durante muito tempo. Eu sempre via minha mãe produzindo salgados, mas sentia falta de uma alimentação mais saudável”, conta. Jordana, que também é graduada em jornalismo, resolveu propor sociedade à mãe com o objetivo de trazer uma pegada mais light aos alimentos. “Eu via que o mundo estava caminhando para esse lado, mas minha mãe ainda era bem conservadora nesse sentido. Então, fiz um desafio: pedi para ela substituir a farinha branca pela integral e, se desse certo, trabalharíamos juntas”, recorda. “O teste deu certo, ficou muito gostoso, aí tive de honrar minha promessa.” Como a empresa tinha uma clientela consolidada, acostumada a comprar produtos tradicionais, no início, o pessoal “fazia cara feia” quando ouvia falar de salgados integrais.
Aos poucos, porém, mãe e filha conseguiram introduzir a novidade no cardápio. “Foi uma quebra de paradigma. Ninguém estava habituado a esse tipo de alimentação. A gente apostou muito na divulgação por meio de degustação, porque, quando você prova, não tem jeito, qualquer preconceito cai por terra”, explica Jordana. As sócias serviam os produtos em eventos como BSB Mix e Feira da Lua. A estratégia era ganhar o público para, assim, alcançar donos de mercados e lanchonetes. E a tática deu certo. “O pessoal chegava e pedia nossos produtos, então, os empreendedores começaram a correr atrás de nós.” Durante dois anos, a produção foi dividida, mantendo tanto produtos tradicionais quanto outros mais saudáveis. Até chegar a um ponto em que se tornou insustentável operar com as duas linhas.
Marília Lima/Esp. CB/D.A Press
“Não tem como fazer a comunicação de uma cozinha assada e de uma frita ao mesmo tempo. Então, resolvemos nos especializar para ser saudável de verdade”, completa. Houve resistência, e as duas acabaram perdendo parte dos clientes. Mas ganharam outros. Com o tempo, a linha de produtos parou de se restringir a lanches e passou a ser de alimentação saudável como um todo, incluindo refeições congeladas, chips, kits para festas, bebidas. Com a transformação, Jordana e Angélica sentiram necessidade de mudar a marca do empreendimento. “O primeiro nome remetia só aos salgados. E quando você fala a palavra ‘salgado’, isso remete a sal, que é a primeira coisa que a gente corta na proposta de alimentação saudável”, observa Angélica. Sob o título Be Nutri, a linha de produtos atende também veganos, vegetarianos, pessoas com restrições alimentares e que fazem dieta, entre outros interessados.
Atualmente, a fábrica, no Paranoá, produz 3 mil unidades de salgado por dia e atende mais de 300 pontos de venda, inclusive uma franquia na 115 Norte. E não só para Brasília! A rede entrega em Goiânia, Anápolis, Fortaleza, São Paulo, Curitiba e cidades da Bahia. “Para Curitiba, chegamos a mandar 4 mil toneladas de mercadorias”, comemora Jordana. Por mês, o volume de vendas bruto chega a R$ 70 mil. “Nosso maior faturamento é no atacado. As pessoas compram para compor a dieta de uma semana inteira, por exemplo. Porque, se deixarem para comer na rua, ou não comem ou comem besteira”, observa. Mãe e filha contam com a ajuda de 20 funcionários e de outros membros da família no trabalho: o marido de Jordana, Eduardo Repezza, 39, e o irmão dela, Szafir Rodrigues, 20. A sogra dela, Maria Helena Repezza, também cuidou do RH da firma por um tempo.

Receita do sucesso

Para Jordana, trabalhar em família é uma dádiva, desde que se aprenda a separar. “A gente tem de deixar a parte pessoal muito de lado. No início, eu misturava um pouco os assuntos. Em casa, você tem de falar do que é de casa. Na empresa, falar do que é da empresa”, diz. “O lado bom é que a gente nunca perde a ternura. Há mais união pelo fato de sermos um negócio familiar, a gente olha tudo com muito carinho. E os funcionários fazem o mesmo.” Angélica explica que as decisões são sempre tomadas em conjunto com a filha. A persistência, um plano de negócios bem traçado, com metas bem definidas e visão de mercado, são outros elementos que fazem a parceria dar certo.
“Por fim, é de grande valor a atualização. Estamos sempre renovando”, diz Angélica. “Inovação e renovação são os dois pontos que nos fazem continuar. Estamos focadas em sempre ter produtos diferentes, inovar nos processos…”, completa Jordana. Não à toa a empresa foi reconhecida em duas premiações: o prêmio Sebrae Mulher de Negócios e o MPE Brasil, em gestão industrial. “Nunca imaginei que fôssemos ganhar porque tem tanta história linda, tanta gente gerindo bem. O troféu foi só a cereja do bolo, tem todo um processo de participar: descobrimos os pontos fortes e fracos para melhorar”, relata Jordana.
Fonte: Correio Brasiliense

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