Bebês mortos são trocados e Hospital do Paranoá admite culpa

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Direção diz que a semelhança do nome dos pais provocou o equívoco. Um dos corpos vai precisar ser exumado

Michael Melo/Metrópoles

Dois natimortos foram trocados no Hospital Regional Leste, antigo Hospital Regional do Paranoá. Uma das famílias chegou a enterrar um deles. O corpo vai precisar ser exumado, depois que o equívoco foi notado pelos funcionários da unidade de saúde nesta quinta-feira (28/6).

O hospital admite a culpa no caso. Disse que abriu um procedimento interno para apurar responsabilidades e instruiu as famílias a registrarem um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

O equívoco teria ocorrido por conta dos nomes dos pais, que são parecidos: Fabrícia da Silva Borges e Francisco Faustino, que perderam um menino com 37 semanas de gestação, e Francisca Nalani Fabrício. Ela esperava uma menina e estava com 20 semanas.

Francisca Nalani Fabrício teria dado entrada no hospital sem saber que estava grávida e sentindo fortes dores abdominais, no dia 20 de junho. Um procedimento cirúrgico de emergência foi realizado para a retirada do feto, que já estava morto.

“Este feto acabou sendo trocado com o de outra família que também perdeu o bebê, cujos pais se chamam Fabrícia da Silva Borges e Francisco Faustino. A semelhança entre o nome dos pais teria confundido a equipe médica. Assumimos o erro e pedimos desculpas aos familiares. É um caso inédito para nós. Nunca tínhamos lidado com isso”, explicou o diretor do hospital, Leonardo Ramos.

Segundo o diretor, um fator que pode ter contribuído para a confusão foi que uma das famílias não quis realizar a identificação visual do bebê. “Um processo administrativo para apurar de quem é a responsabilidade pelo erro foi aberto e o hospital tem prestado todo apoio aos familiares. Um boletim de ocorrência também já foi registrado”, destacou Leonardo.

Segundo a direção da unidade, todo natimorto ao chegar no necrotério recebe identificações de etiquetas e pulseiras com o nome dos responsáveis. Porém, são envoltos em panos que impedem a visualização das identificações dando margem para a possíveis equívocos.

Procurado pela reportagem, Francisco Faustino, um dos pais envolvidos, afirmou que pretende acionar a Justiça contra o hospital. “Já perdi meu filho e ainda me fazem passar por tudo isso. É um constrangimento muito grande. Só não é maior que a falta de responsabilidade dos funcionários”, ressaltou.

Ele conta que a servidora responsável pela identificação dos natimortos teria confessado a culpa pela troca. “Ela disse na minha frente que não olhou o corpo direito e por isso errou. Não sei nem como estou conseguindo lidar com tudo isso”, desabafou ao Metrópoles.

Fonte: Metropolis

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