Trump é criticado após histórica visita à Coreia do Norte

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Trump é criticado após histórica visita à Coreia do Norte

O presidente Donald Trump e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, conversam antes de reunião na Zona Desmilitarizada, em 30 de junho de 2019 – AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está de volta a Washington, nesta segunda-feira (1º), após uma histórica visita a solo norte-coreano, mas seus opositores olham com ceticismo sua aproximação com Pyongyang, acusando-o de “normalizar” o fato de possui armas nucleares.

Recorrendo ao que muitos apontam como uma diplomacia para a televisão, o presidente Trump se encontrou, no domingo, com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, na Zona Desmilitarizada, a famosa “DMZ” que divide a península da Coreia desde 1953.

Primeiro presidente americano no exercício do cargo a ingressar na Coreia do Norte, Trump disse que era uma “honra” cruzar a linha divisória. A imprensa estatal de Pyongyang classificou o dia como “assombroso”.

O presidente disse que ele e Kim decidiram iniciar conversas de trabalho sobre um acordo de desnuclearização, depois que a segunda cúpula entre os dois líderes, realizada em Hanói no fim de fevereiro, terminou sem um acordo.

Ao voltar para Washington, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse à imprensa que as conversas começarão, “provavelmente, na metade do mês”.

Funcionários americanos disseram que querem bases mais firmes antes de outra cúpula, embora reconheçam que seus colegas norte-coreanos têm pouco espaço para negociar o programa nuclear de Kim.

– ‘Congelamento’ –

Uma matéria do jornal “The New York Times, de fonte anônima, disse que o governo Trump está considerando um acordo que congelaria, mas não desmantelaria o programa nuclear da Coreia do Norte. Assim, aceitaria Pyongyang tacitamente como um Estado nuclear, reconhecendo que não avançará mais.

Um acordo assim estaria em contradição com a “desnuclearização final e completamente verificada da Coreia do Norte” defendida por Pompeo. Também significaria muito menos do que o acordo nuclear firmado pelo ex-presidente Barack Obama com o Irã, o qual foi chamado de “terrível” por Trump.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, negou a matéria do “Times” e disse que nem ele nem sua equipe ouviram falar da ideia de se conformar um “congelamento” do programa nuclear.

“Essa foi uma tentativa repreensível de alguém de encurralar o presidente. Deveria ter consequências”, acrescentou.

A ausência na DMZ de Bolton, conhecido por suas políticas de linha-dura, chamou atenção. Ele foi para a Mongólia, onde se reuniu com o presidente Jaltma Battulga.

Richard Haass, especialista em política externa do grupo de estudos Council on Foreign Relations, disse que a ausência de Bolton e seus comentários posteriores indicaram uma “divisão significativa” na administração de Trump no que diz respeito a um acordo final com a Coreia do Norte.

Em Hanói, Pompeo e Bolton incentivaram Trump a não aceitar as demandas de Kim de uma redução das sanções sem provas de um maior avanço na desnuclearização.

Mas funcionários americanos dizem que há passos que Washington pode dar para aliviar as sanções de dar para aliviar as sanções enquanto avançam as conversas, como o envio da ajuda humanitária à empobrecida Coreia do Norte e o estabelecimento de uma presença diplomática nas capitais dos dois países.

– ‘Não é uma sessão de fotos’ –

Os opositores de Trump disseram que o presidente estava gastando um valoroso capital diplomático pelo simples fato de se reunir com Kim, em seus próprios termos, além de tê-lo convidado para a Casa Branca.

Grupos defensores dos direitos humanos garantem que o regime da Coreia do Norte tem milhares de presos políticos detidos em campos de trabalho.

Trump “em repetidas ocasiões levou Kim Jong Un – um tirano assassino – no cenário internacional em troca de quase nada”, disse o ex-vice-presidente Joe Biden, lidera as pesquisas de opinião na corrida pela indicação democrata.

“Neste caso, tudo o que Trump conseguiu foi uma mera promessa de reiniciar as negociações no nível de grupos de trabalho, negociações que nunca deveriam ter terminado”, acrescentou.

Em maio, a Coreia do Norte tachou Biden de “burro de baixo coeficiente intelectual”, uma afirmação que Trump, rompendo com todo o protocolo, convalidou.

“Sejamos claros. Trump não está negociando com a Coreia do Norte. Está regularizando a Coreia do Norte”, disse o senador democrata Chris Murphy.

Vários pré-candidatos democratas à Casa Branca, que esperam derrotar Trump em 2020, também criticaram duramente suas habilidades diplomáticas.

“Nosso presidente não deve desperdiçar a influência americana nas fotos e trocar cartas de amor com um ditador impiedoso”, disse a senadora Elizabeth Warren, referindo-se ao cartão de aniversário enviado por Kim para Trump, divulgado com entusiasmo pelo americano.

“Pelo contrário, deveríamos estar tratando com a Coreia do Norte por meio de uma diplomacia baseada em princípios que promova a segurança dos Estados Unidos, defenda nossos aliados e defenda os direitos humanos”, escreveu Warren.

Também pré-candidata, a senadora Kamala Harris disse que Trump “deveria levar a sério a ameaça nuclear da Coreia do Norte e seus crimes contra a humanidade”.

“Isso não é uma sessão de fotos. Nossa segurança e nossos valores estão em jogo”, afirmou.

Congressistas republicanos elogiaram Trump por mostrar liderança, embora tenham, recentemente, manifestado sua preocupação com um acordo precipitado com Kim em Hanói.

Em Hanói, Pompeo e Bolton disseram a Trump para não ceder aos pedidos de Kim de uma redução das sanções sem provas de um maior avanço na desnuclearização.

Fonte: IstoÉ

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