Suzano: MP apura ligação de atiradores com grupos radicais na internet

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Metrópoles mostrou que assassinos pegaram dicas de ataque em massa no fórum de Marcello Valle, ex-aluno da UnB, condenado por terrorismo

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Juliana Barbosa

“Iremos fazer uma investigação ampla em todas as linhas para saber como eles tiveram acesso às armas, se há um grupo que atua com eles, se há uma rede de comunicação entre eles, as motivações e a forma do crime”, afirmou Smanio.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foi escalado para averiguar os contatos mantidos pela internet por Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e o adolescente Guilherme Taucci Monteiro, 17, autores do ataque que deixou oito vítimas na Escola Estadual Raul Brasil na manhã de quarta (13). Depois, um atirou no outro e se suicidou em seguida.

Veja vídeo da ação dos atiradores. As cenas são estarrecedoras:

MAIS SOBRE O ASSUNTO

Apuração feita pelo Metrópolesmostrou que os atiradores pegavam dicas de ataque em massa no fórum de Marcello Valle, ex-aluno da Universidade de Brasília (UnB). Em 2018, ele foi condenado a 41 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, condenado por racismo, ameaça, incitação ao crime e terrorismo por meio da internet.

Seis dias antes de entrarem atirando em inocentes no colégio, Guilherme e Luiz Henrique publicaram sobre o ataque no Dogolochan. Eles supostamente agradeceram a ajuda de outros membros e deixaram rastros para avisar internautas sobre o crime.

Um print mostra o que pode ser um dos atiradores agradecendo DPR, o administrador do Dogolachan, pelos conselhos recebidos.

“Muito obrigado pelos conselhos e orientações, DPR. Esperamos do fundo dos nossos corações não cometer esse ato em vão. […] Nascemos falhos, mas partiremos como heróis. […] Ficamos espantados com a qualidade, digna de filmes de Hollywood”, diz a mensagem.

Outros usuários questionaram se os atiradores eram integrantes do grupo, e a resposta dada por um dos administradores foi positiva.

Confira:

As investigações também seguem na linha para descobrir como os jovens tiveram acesso ao armamento utilizado no crime, em especial o revólver .38.

O promotor Rafael Ribeiro do Val foi nomeado para atuar no caso. Os trabalhos são conduzidos pela Delegacia de Polícia Central de Suzano. Na quarta, os investigadores ouviram testemunhas e os pais dos autores.

Um dos jovens responsáveis pelo atentado postou fotos momentos antes da barbárie:

Marcelo Valle, que é analista de sistemas, havia sido preso durante a Operação Bravata, da Polícia Federal. Os agentes da PF apreenderam com ele um mapa de certa casa de festas no Lago Sul, onde ocorreria uma confraternização de estudantes de ciências sociais da UnB. Por esse delito, ficou detido por 1 ano e 6 meses.

Ao ganhar o direito de cumprir o restante da pena solto, voltou a criar páginas anônimas para atacar e ameaçar mulheres, negros e homossexuais. Uma delas ensinava como cometer estupros. Além disso, ele costumava denunciar às autoridades postagens anônimas produzidas por ele mesmo, a fim de tentar se manter longe de suspeitas.

Valle também foi condenado a pagar R$ 1 milhão a título de reparação de danos e ao pagamento de 678 dias-multa. A quantia será destinada a programas educativos e de combate aos crimes cibernéticos.

BolsoCoin
Em janeiro de 2018, antes de ser preso pela PF, ele voltou a aparecer em noticiários ao criar a moeda virtual BolsoCoin. Oferecida e divulgada em cantos pouco conhecidos da internet, a invenção é uma criptomoeda vendida por seus criadores como a primeira “da direita alternativa e neonazista do Brasil”.

A BolsoCoin é uma das milhares de criptomoedas existentes hoje no mundo. A modalidade é uma espécie de dinheiro virtual que utiliza criptografia para garantir mais segurança em transações financeiras na internet e a fim de criar novas unidades da moeda, como num investimento. A transferência de valores é feita de um usuário a outro, sem a interferência de instituições bancárias.

O massacre
A escola de Suzano, onde ocorreu o massacre, fica a cerca de 50 quilômetros da capital, São Paulo, e tem ensino fundamental e médio, além de um centro de línguas. Lá estudam cerca de mil alunos e trabalham 121 funcionários.

Entre as vítimas estão duas funcionárias da instituição de ensino, Marilena Ferreira Vieira Umezo e Eliana Regina de Oliveira Xavier. Cinco jovens, todos estudantes do ensino médio, e um comerciante da região também perderam a vida no ataque.

Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira e Douglas Murilo Celestino estavam no pátio, durante o intervalo das aulas, quando foram surpreendidos pelos tiros.

Jorge Antônio Moraes, dono de uma locadora de veículos que fica ao lado do colégio, foi o primeiro a ser atingido pelos atiradores. Ele seria tio de Guilherme. Jorge foi socorrido e levado ao hospital municipal de Suzano, mas não resistiu.

Durante coletiva de imprensa, o comandante da PM de São Paulo, coronel Marcelo Vieira Salles, afirmou que os agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, impediram que os criminosos entrassem em uma sala de aula e atirassem contra outros 10 alunos, os quais se escondiam no espaço.

Vídeos
Minutos após o ataque, um cenário de horror se formou no colégio Raul Brasil. As imagens mostram alunos caídos no chão e uma grande quantidade de sangue espalhada pelo local. Na gravação, é possível ver ao menos cinco corpos nos corredores da escola.

Estudantes correm no pátio, gritando em direção à pessoa que está gravando. Em desespero, uma aluna pede socorro. “Me ajuda, meu Deus”, berrou, ao sair correndo.

Imagens gravadas por câmeras de segurança na rua da escola filmaram o momento em que os dois atiradores estacionaram um Ônix branco em frente ao colégio e entraram para cometer o massacre. O vídeo foi divulgado pelo site O Antagonista.

Nas imagens, é possível ver o carro estacionando em frente ao portão de entrada da escola. Logo em seguida, o passageiro desce do veículo e parece conversar com o motorista. Com uma mochila nas costas e carregando algo nas mãos, ele deixa a porta por onde saiu aberta e dá a volta por trás do automóvel, parando ao lado da janela do condutor.

O rapaz parece continuar o diálogo com o motorista do carro por alguns instantes, em seguida se vira e entra na escola. O condutor demora no veículo por alguns minutos, mas logo sai com certa pressa e atravessa o portão do colégio. Assim como seu comparsa, ele levava uma mochila nas costas e carregava algo nas mãos. Em poucos segundos, vários adolescentes aparecem fugindo.

Após os assassinatos, Guilherme Taucci Monteiro, o mais novo, matou Luiz Henrique de Castro e cometeu suicídio.

Enterro
Mais de 5 mil pessoas, segundo a Guarda Civil Municipal, já passaram pelo Parque Max Feffer, conhecido como Arena Suzano, onde acontece o velório de seis das 10 vítimas do massacre no Colégio Estadual Raul Brasil. (Com informações da Agência Estado)

Fonte: Metropoles

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