Um novo refúgio para Lula

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Depois de terem sido embargadas por quase 3 anos, obras em antigo sítio do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, são liberadas e devem ser retomadas. A casa pode ser o novo endereço de Lula quando deixar a prisão

Crédito: RICARDO STUCKERT

CARDÁPIO Antes de assumir a presidência, em 2003, Lula ia bastante ao lugar, onde preparava coelho e rabada (Crédito: RICARDO STUCKERT)

Talita Nascimento

No dia 20 de março, a Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) concedeu novo alvará ambiental para uma construção parada desde 2017 no sítio Los Fubangos, que pertence à família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentre as muitas histórias quase folclóricas que embalam a fama do local, há agora a possibilidade da retomada da construção de uma casa confortável o suficiente para a qual o político seguiria após deixar a prisão.

A vizinhança está de olho na movimentação. Os moradores sabem descrever a parte do terreno que já pertencia à família de Lula, a porção anexada em 2016 e as propriedades de vizinhos célebres, dentre eles Luiz Marinho — ex-prefeito de São Bernardo. “O Lula, antes de ser presidente, vinha sempre aqui. Tomou café em casa e a gente já foi no sítio dele”, disse Antonio Lemos, um dos vizinhos. Agora a curiosidade está, literalmente, no ar. Os moradores chegaram a subir um drone para espiar as obras. Todos estão felizes. Eles acreditam que os imóveis aumentarão de valor quando a casa de Lula ficar pronta.

Comprado no início dos anos 1990 pela família do ex-presidente, o sítio Los Fubangos fica em uma estrada particular sem nome e sem número, mas não há quem não o saiba localizar. Antes da presidência, o então líder sindical frequentava muito o local, onde preparava e servia o “coelho a los fubangos”. O cardápio incluía ainda costelinha de porco e rabada com polenta. Sem luxo, o sítio tinha um portão de madeira, com casa simples e uma área externa com fogão à lenha. As idas de Lula ao sítio, escassas desde o início do primeiro mandato, cessaram de vez em 2004, quando dois cachorros, além de galinhas e faisões, foram mortos a facadas ali. O caso foi investigado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, que recomendou a Lula não mais ir ao local.

Em setembro de 2016, a ex-primeira dama Marisa Letícia adquiriu a parte ao lado do terreno por cerca de R$ 600 mil. O trecho anexado corresponde a 65% da área, que mede 20,5 mil m2. Em novembro de 2017, porém, a obra foi embargada pela prefeitura quando ainda estava na fase da terraplanagem e com algumas estacas para erguer as colunas. Os motivos do embargo foram “inconsistência em documentação apresentada sobre o endereço do imóvel”, além de “movimentação de terra sem documentação e em desconformidade com o projeto original apresentado.” Depois de recorrer da decisão na Justiça e perder em 1a e 2a instâncias, a família Lula apresentou nova documentação, adequando-se à legislação. Para que os trabalhos sejam reabertos, resta a aprovação do projeto na Secretaria de Obras e Planejamento Estratégico, mas, ao que tudo indica, isso é apenas questão de tempo.


A retomada das obras não é a única questão que envolve o Los Fubangos. A obra é assinada pelo ex-prefeito de Diadema e tesoureiro de campanha do PT José Filippi Júnior. Em março de 2016, o político foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na 24ª fase da Operação Lava Jato, acusado de receber recursos de forma ilícita para financiar a campanha de reeleição de Lula em 2006. Ele também é acusado pelo Ministério Público Federal de receber R$ 2,4 milhões de desvios da Petrobras, em contratos da estatal com a UTC Engenharia e o Consórcio Quip S.A, que integram as empreiteiras Queiroz Galvão, Iesa e a UTC. A assessoria do ex-presidente nega que a casa seja para Lula. “Não há intenção de pedir prisão domiciliar nem de construir no terreno”. Não é o que parece

Fonte: IstoÉ

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