Assalto a supermercado causa insegurança a comerciantes da 106 Norte

0

Após ocorrência registrada nesse sábado (6/4) no Big Box, responsáveis por lojas dizem que arrombamentos ocorrem com frequência na região

Rafaela Felicciano/Metrópoles

RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES
Nathália Cardim

assalto à unidade do supermercado Big Box da 106 Nortedeixou comerciantes, clientes e moradores da quadra assustados. O estabelecimento foi invadido por dois homens armados com revólver e facão no último sábado (6/4). No entanto, segundo os lojistas, os arrombamentos ocorrem com frequência na região. Na manhã de segunda-feira (8), o estabelecimento abriu normalmente, mas os funcionários continuavam abalados.

A ação durou cerca de 30 minutos. De acordo com testemunhas, foram momentos de terror. Os criminosos – identificados como Douglas Rodrigo da Silva Sousa, 20 anos, e Thalisson Vieira Santos, 22 – deram coronhadas nos clientes e empregados, que também chegaram a ser cortados. Um deles conseguiu se esconder no banheiro e acionou a Polícia Militar, usando o celular. Como a unidade estava se preparando para fechar o expediente, o movimento era pequeno.

Segundo uma atendente do supermercado que preferiu não se identificar, o clima nas primeiras horas desta segunda era de apreensão. “Poderia ter sido com qualquer um de nós. Nunca havíamos sido assaltados assim, com tanta violência, antes. Ficamos apreensivos e tememos que ocorra novamente, mas entregamos nas mãos de Deus. Que não aconteça de novo”, disse a mulher ao Metrópoles.

A gerente de uma farmácia que funciona ao lado disse haver histórico de arrombamentos e furtos frequentes na 106 Norte. Ela destacou que investir em equipamentos de segurança, como cercas, grades, alarmes e câmeras, não é mais suficiente na região.

“Em novembro do ano passado, bandidos arrombaram a drogaria de madrugada e levaram diversos medicamentos. Quando chegamos para trabalhar de manhã, vimos os estragos. Achamos remédio até na rede de esgoto, onde eles esconderam os produtos.”

Além da farmácia, a mulher contou que outros estabelecimentos já sofreram com a ação dos criminosos. “Cafeteria, restaurante e até barbearia. Eles não perdoam ninguém. O policiamento aqui é fraco. Nós nos sentimos inseguros”, afirmou.

Também no ano passado, houve tentativa de arrombamento no salão de beleza Tok Mágico, na mesma quadra. Segundo o responsável pelo local, Adenilton Borges da Silva, 40, casos como esses fizeram com que os comerciantes mudassem as rotinas, além de diminuírem os horários de atendimento.

Ultimamente, só trabalhamos de portas fechadas. Muitas vezes, a pedido dos próprios clientes, que chegam e nos pedem para passar a chave na tranca. Eles ficam muito receosos

Adenilton Borges da Silva, comerciante

RAFAELLA FELICCIANO/METRÓPOLES

Rafaella Felicciano/Metrópoles

Adenilton Borges da Silva reclama da falta de policiamento: “Deixa a desejar”

Desde o início do ano, disse Adenilton, o movimento no local caiu, principalmente a partir do fim da tarde. “Até reduzimos em uma hora o nosso funcionamento diário. Não há condições de ficar na mira dos bandidos”, pontuou. “Nós chamamos a polícia, mas o policiamento deixa a desejar. Ainda que os policiais prendam os suspeitos, logo soltam e eles voltam a praticar os assaltos.”

Funcionamento
A aposentada Paula Ferreira, 69 anos, mora na 108 Norte e frequenta o supermercado diariamente. Ela chegou assustada ao estabelecimento para comprar pão nessa manhã.

Não temos como deixar de vir. A gente precisa fazer as compras, mas ficam a insegurança e o medo. Pedimos mais policiamento na quadra e, a partir do que ocorreu, estamos em estado de alerta. É ruim para o comércio e para a vizinhança

Paula Ferreira, cliente

Cinthia Rodrigues Crispim, 37, é professora e mora na 106 Norte. “Venho a pé. É muito perto da minha casa. É normal que a gente se assuste com o que aconteceu. Mas eu ouvi dizer que um ex-funcionário estaria envolvido e, neste caso, acredito que seja uma questão de insatisfação. O importante é que eles foram detidos e agora precisamos tocar em frente”, comentou.

Ao Metrópoles, a administração do supermercado informou que todos os funcionários e clientes estão bem. “O Big Box aproveita para agradecer a ação rápida e efetiva da Polícia Militar do Distrito Federal. E também agradecer a coragem e atitude do funcionário que acionou a polícia. A empresa sempre preza pela segurança dos clientes e funcionários, seguindo todas as normas e procedimentos necessários”, destaca o texto.

Após audiência de custódia na tarde de segunda (8), a Justiça transformou em preventiva a prisão de Douglas e de Thalisson. A decisão é da juíza Flávia Pinheiro Brandão Oliveira, substituta do Núcleo de Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

Patrulhamento policial
Procurada pela reportagem, a Polícia Militar (PMDF) assegurou realizar rondas sistemáticas e ininterruptas na área. “São inúmeras quadras, comércios e residências, assim a PMDF tem feito o possível para garantir a segurança. No entanto, segurança pública não se faz apenas com policiamento”, reforçou.

Ainda segundo a corporação, ações de outros setores da sociedade são necessárias para tratar a causa da criminalidade. “Hoje, nosso grande desafio tem sido lidar com a reincidência”, concluiu.

O crime
Após a PMDF ser acionada na noite de sábado (6/4) por causa de um assalto no supermercado, os policiais cercaram a área e interditaram a quadra. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) participou da ação. Quando perceberam que não teriam como fugir, os bandidos se renderam e foram levados à 5ª Delegacia de Polícia (área central), responsável pela investigação.

De acordo com o tenente Sudré, da Polícia Militar, as vítimas estavam em choque quando foram resgatadas. Uma das pessoas caiu no choro. “Estou salvo, estou salvo”, repetia. Com pequenos ferimentos na cabeça e em partes do corpo, precisaram receber socorro do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e, depois, foi necessário levá-las para prestar depoimento na DP.

O CBMDF informou que atendeu 10 vítimas, entre elas uma menina que aparentava entre 11 e 12 anos, acompanhada de sua mãe. Segundo a corporação, dois funcionários do sexo masculino foram socorridos com lesões leves causadas pelos assaltantes, e o restante das pessoas se encontrava com o estado emocional abalado. Não houve necessidade de transporte ao hospital.

Em depoimento à polícia, testemunhas reconheceram um dos ladrões como ex-funcionário do estabelecimento.

Veja vídeo do momento da prisão:

Rotina conhecida
O militar disse ao Metrópoles que os bandidos conheciam a rotina do local. “Tudo leva a crer que eles sabiam dos horários, o melhor momento de invadir e onde estava o dinheiro”, afirmou. De acordo com ele, quando invadiram o supermercado, os criminosos obrigaram o segurança a baixar as portas, para que pudessem roubar sem serem vistos. As afirmações do policial foram confirmadas com depoimentos das vítimas, que reconheceram um dos autores como ex-funcionário do mercado.

Durante a rendição, todas as pessoas que estavam no ambiente chegaram a ser algemadas, uma vez que os policiais não sabiam quem era bandido e quem era vítima.

Divulgação/CBMDF

DIVULGAÇÃO/CBMDF

Divulgação/PMDF

DIVULGAÇÃO/PMDF

Fonte: Metropoles

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here