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BICADA DA ÁGUIA

Prisão do Cel Rajão parte 2: Uma trama de quase 40 anos

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A PRISÃO DO CORONEL RAJÃO – UMA TRAMA DE QUASE 40 ANOS – PARTE 002

(CONTINUAÇÃO)

A corrupção instalada no CBDF chegou a um limite insuportável. Um Cabo que trabalhava em um dos Ranchos (cozinha) do quartel disse: “os oficiais ladrões que roubavam a corporação nos prendiam porque levávamos um bife para casa, só que eles levavam eram bois e mais bois para suas casas”.

A corrupção era sistêmica, envolvia Oficiais de diversas patentes, Praças, fornecedores e empresários.

O foco principal era o Rancho dos quartéis, além da aquisição de insumos para a manutenção das unidades, como materiais administrativos e materiais de construção.

Havia uma divisão geográfica ou temática em que determinados oficiais eram os donos daquele ‘nicho de mercado’ e aí se assenhoravam ‘das comissões mensais’ resultantes da gestão daqueles contratos/fornecimentos recorrentes.

Bombeiros trabalhavam na casa de alguns oficiais como motorista, mordomo, pedreiro e auxiliar de pedreiro. Alguns construíram mansões com a mão de obra de Bombeiros e além disso, utilizaram materiais de construção e viaturas da própria corporação.

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E foi em 1985 em que todo aquele estado de coisas chegou ao fim. Alguns Praças insatisfeitos com a perseguição – pois àqueles que se opunham à situação eram perseguidos -, foram à imprensa e com provas robustas noticiaram todo aquele estado de coisas.

Praças foram reformados por ‘problemas psiquiátricos’ e outros foram expulsos da corporação.

A repercussão do caso chegou a nível nacional.

As autoridades do Distrito Federal foram ‘obrigadas’ a apurar todo aquele estado de coisas.

Foi aí que um Cabo que denunciou a corrupção chegou ao então Major Rajão e disse: “Major sabemos que o Senhor não está envolvido nisso, o Senhor seria testemunha a nosso favor?”.

(continua no próximo post)

Fonte: Galo de Briga

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BICADA DA ÁGUIA

Prisão do Cel Rajão parte 3: Uma trama de quase 40 anos

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A PRISÃO DO CORONEL RAJÃO – UMA TRAMA DE QUASE 40 ANOS – PARTE 003

(CONTINUAÇÃO)

 


RUPTURA

A foto acima se refere a imagem da primeira turma de Oficiais do CBMDF. É uma placa que está exposta no Museu do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal localizado na Academia de Bombeiros Militar em Brasília.

O meu Pai (Rajão) é o primeiro cadete da esquerda para a direita. É o que está “cortado” na imagem. Depois voltarei a comentar a respeito desta placa.

Voltando ao caso da Corrupção de 1985, o então Cabo Bombeiro Militar Rubens de Araújo Lima – Rubão, um dos Denunciantes, estava sob pressão e veio até ao Major Rajão e o interpelou se caso ele fosse arrolado como testemunha na Justiça Militar se ele (o Rajão) iria se posicionar contra todo aquele estado de coisas.

O meu Pai (Rajão) estava numa situação delicada, pois boa parte dos oficiais envolvidos e posteriormente indiciados no caso da Corrupção de 1985 eram da primeira turma de oficiais, ou seja, o Rajão teria que se posicionar contra companheiros de sua própria turma de oficiais.

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Para aqueles que nunca foram militares, é preciso entender que uma turma de oficial funciona como uma espécie de irmandade, quase uma relação de cumplicidade entre os seus membros.

Entretanto, a escolha do então Major Rajão foi a mais difícil, ele não se omitiu diante dos fatos e pagou o preço (e está pagando até hoje) por ter escolhido o lado certo.

Rajão se tornou uma das testemunhas mais importantes contra aquele momento delicado da Corporação. Ao escolher um lado, Ele se tornou ‘persona non grata’ por uma Ala de sua Turma.

Nos próximos posts Vocês entenderão os difíceis reflexos que impactaram a vida do Rajão por ter sido um dos denunciantes da Corrupção de 1985.

Voltando a placa, não precisamos ser nenhum Sherlock Holmes para deduzir a razão pela qual na foto da primeira turma de oficiais o Rajão está cortado na imagem. De fato a escolha do Rajão gerou uma ruptura nas relações.

(continua no próximo post)

Fonte: Jornal Galo de Briga

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