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Entenda como corticoide pode ser usado para tratar casos graves de Covid-19

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Medicina brasileira foi pioneira na técnica, mas especialistas alertam para efeitos colaterais e prejuízos da automedicação

Ação anti-inflamatória dos corticoides pode ser usada para tratar pacientes com sintomas avançados de Covid-19. A técnica já vem sendo utilizada por médicos brasileiros e tem resultados promissores em estudos científicos. O problema é quando os pacientes tomam o remédio sem prescrição médica.

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, o médico neurocirurgião e especialista no enfrentamento de crises em Saúde, Paulo Porto, destacou o pioneirismo da medicina brasileira no uso do medicamento para tratar casos graves de Covid-19.

“Em março do ano passado, um médico brasileiro de nome Roberto Zeballos falava aos quatro cantos do mundo que o corticoide faria uma diferença no tratamento da doença. Em julho saiu o Oxford Trial (The Oxford Vaccine Research – University of Oxford) provando cientificamente que o corticoide fazia muita diferença na mortalidade e na hospitalização desses pacientes.”

Confira a entrevista completa sobre tratamento precoce da Covid-19 com o neurocirurgião Paulo Porto, no Entrevistado da Semana do portal Brasil61.com.

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Ação do corticoide

O pneumologista José Tadeu Monteiro, professor da Universidade Federal do Pará e coordenador da Comissão de Infecções da Sociedade Brasileira de Pneumologia, explica que o corticoide bloqueia a produção de substâncias inflamatórias no organismo humano, diminuindo sintomas como dores, febres e instabilidades clínicas.

Ele detalha de que forma o medicamento pode auxiliar no tratamento da Covid-19.

“Além do efeito deletério do vírus sobre os órgãos em geral, ele induz uma resposta inflamatória muito potente, que vai levar a sintomas como falta de ar e queda da saturação de oxigênio. O corticoide agiria bloqueando esse momento”, explica.

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No entanto, a farmacêutica Patrícia Muriel, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que logo que um indivíduo é infectado pelo coronavírus, o sistema imunológico reage com uma inflamação controlada para combater esse agente. Por isso, não se deve usar corticoide nos primeiros dias da doença.

“Se tomarmos corticoide – que é um anti-inflamatório – num processo inicial da Covid-19, quando necessitamos que nosso sistema imune trabalhe para combater o vírus, podemos prejudicar a resposta do organismo a esse agente. Com isso, a defesa do organismo não vai controlar o vírus e pode haver o agravamento da doença”, explica.

O pneumologista  José Tadeu Monteiro cita um estudo publicado no The New England Journal of Medicine (The Recovery), no qual os médicos-pesquisadores utilizaram dexametasona em pacientes com Covid-19, que precisavam de respiradores.

“Se o paciente dá entrada no hospital, com falta de ar, queda na saturação e precisa usar o oxigênio – seja por cateter, por máscara ou se é intubado – esse paciente vai se beneficiar da utilização do corticoide sistêmico. Os pacientes que não precisam de oxigênio, ou seja, aqueles com uma Covid-19 leve, o corticoide não traz benefício, ele só traz prejuízo”, esclarece.

Para José Tadeu a prescrição do corticoide deve ser individualizada e cada caso analisado pelo médico, já que é uma droga potente, com muitos efeitos adversos, que podem agravar os sintomas, caso seja utilizado na fase inicial da doença.

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Arte - Brasil 61

Efeitos Colaterais e Automedicação

O pneumologista José Tadeu Monteiro explica que os corticoides podem levar a queda da imunidade.

“Os efeitos adversos dos corticoides incluem a baixa da imunidade, predispondo [o organismo] a infecções por outros agentes, como bactérias. Por isso ele precisa ser instituído em uma fase bem direcionada, para não trazer prejuízo”, explica.

Dentre os corticoides, o mais utilizado para tratar Covid-19 é a dexametasona, que pode ter efeitos colaterais. “A dexametasona pode ter efeitos colaterais importantes em pacientes com doenças crônicas. Pode descompensar a pressão arterial e a insulina”, alerta a farmacêutica Patrícia Muriel.

Ela também chama atenção para o significado da tarja vermelha nas embalagens de corticoides.

“Isso significa que precisamos de prescrição médica para compra. O risco de fazer uma automedicação desses remédios com tarja vermelha é muito grande, porque eles podem trazer vários efeitos colaterais para seu organismo, podendo causar mais danos do que benefícios.”

Em caso de infecção pela Covid-19, a farmacêutica recomenda procurar um médico, pois só o profissional poderá indicar se há necessidade de introduzir o corticoide e em que momento isso deve ser feito.

Em seu portal, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que “as autonomias do médico e do paciente na escolha do tratamento devem ser respeitadas, conforme previsto na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos do Homem, permitindo-lhes definir em comum acordo e de forma esclarecida suas escolhas terapêuticas no enfrentamento da Covid-19, conforme previsto no Parecer CFM nº 4/2020”. O texto alerta, no entanto, que a autonomia não isenta o profissional de suas responsabilidades, conforme prevê o Código de Ética Médica.

Fonte: Brasil 61

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AL: municípios podem aderir às Unidades Regionais de Saneamento Básico

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Foto: Brasil 61

O Governo de Alagoas convoca municípios para aderirem às Unidades Regionais de Saneamento Básico. A medida é fundamental para dar andamento ao processo de concessão dos serviços de água e esgotamento sanitário. Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, o projeto está finalizado com investimento de R$ 3,6 bilhões.

A adesão deverá ocorrer em até 30 dias após a publicação do decreto nº 74.261, que regulamenta a estrutura de governança das Unidades. O Plano Regional de Saneamento poderá contemplar um ou mais componentes do saneamento básico, com o objetivo de otimizar o planejamento e a prestação dos serviços.

De acordo com o novo marco regulatório, os municípios têm um prazo de até dois anos para comprovarem que vão conseguir fazer os investimentos na universalização do saneamento básico até 2033.

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Cabe a cada um dos Conselhos de Desenvolvimento aprovar o Plano Regional de Saneamento Básico, além de acompanhar o processo de revisão dos instrumentos de planejamento, para garantir que estejam em conformidade com os parâmetros e obrigações definidos no contrato de concessão.

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Fonte: Brasil 61

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