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O que há por trás da nossa vontade de ‘beliscar’ comidas o tempo todo

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  • Maria Asunción Martinez Brocca
  • The Conversation*

Mulher abrindo a boca para comer sushi, de olhos fechados

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Para entender nossa vontade de comer repetidamente, é importante falar das orexinas

Você acabou de comer e assistiu a um episódio da sua série preferida – e já é novamente atacado pela fome…

Todos nós conhecemos esses períodos de apetite constante por doces, mas você sabe qual é a razão por trás dessas exigências fisiológicas? Existem várias pesquisas que estão tentando decifrar esse enigma.

Para responder a isso, precisamos falar das orexinas. Também chamadas de hipocretinas, as orexinas A e B são duas pequenas proteínas produzidas por certas células nervosas (neurônios) do hipotálamo.

Essa região importante do nosso cérebro está relacionada com a regulação do sistema nervoso autônomo e com diversas funções, como a reprodução, a termorregulação – ou a fome.

Embora as suas funções fossem inicialmente relacionadas à regulagem da alimentação (especialmente o estímulo do apetite), atualmente são conhecidos outros efeitos que influenciam todo o organismo.

Elas influenciam, por exemplo, a regulação do sono, as funções endócrinas e cardiovasculares, a regulação dos gastos energéticos e da termogênese, os sistemas de recompensa e o humor. Elas também desempenham papel importante em diversas doenças, como a narcolepsia, a obesidade e a dependência.

Por que as orexinas causam vontade de comer mais?

As orexinas desempenham papel fundamental na nossa reação ao estresse.

Elas também modulam diversos comportamentos importantes para a nossa saúde mental e física, como o despertar, os comportamentos viciantes, as mudanças emocionais, a maior sensibilidade à dor e, especialmente, as mudanças de apetite.

Além disso, os níveis de orexinas são alterados em doenças mentais, como a depressão e os transtornos de ansiedade. Eles podem também explicar a diferença entre os sexos na reação ao estresse e são identificados como possível objetivo terapêutico para o tratamento dessas alterações.

Mas vamos nos concentrar no papel que as orexinas desempenham na nossa alimentação.

O sistema que regula a produção de orexinas é capaz de detectar mudanças do equilíbrio energético e aumentar os seus níveis em reação ao jejum.

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E elas não trabalham sozinhas. As orexinas interagem com outras substâncias relacionadas com a regulagem do apetite, como a leptina e a grelina.

A leptina é um hormônio liberado pelo tecido adiposo, que regula nossas reservas de gordura (que são uma forma de armazenamento de energia a longo prazo) e também o nosso apetite, ao induzir a sensação de saciedade. Já a grelina é um hormônio digestivo secretado pelo estômago pouco antes das refeições programadas. Ela estimula a ingestão de alimentos de forma muito intensa a curto prazo.

Mas como elas se relacionam com as nossas proteínas protagonistas, as orexinas?

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

O sistema que regula a produção de orexinas reage ao jejum

A regulação da energia e do apetite mediada pelas orexinas ocorre graças às informações recebidas de outras regiões do hipotálamo, que registram, entre outras, as variações dos níveis de glicose, leptina (indutora da saciedade) e grelina (indutora da fome).

Os neurônios que produzem as orexinas são capazes de reunir essas informações e desencadear uma reação em função das necessidades do organismo. E, infelizmente (para nós), elas podem associar a ingestão de alimentos a uma recompensa. Acredita-se que a orexina A esteja relacionada com alguns dos fatores ambientais que causam a “fissura” – aquele desejo irresistível observado na adicção, onde a função da orexina também já foi identificada – e a recaída.

Qual papel elas desempenham ao longo da vida?

O seu papel regulador em muitas funções do organismo fez com que fosse estudada sua relação com alterações associadas a determinadas situações, como a menopausa.

Nessa etapa da vida da mulher, são frequentemente descritas alterações do sono, aumento do peso e do perímetro abdominal, além de um estado de maior ansiedade.

Para tentar compreender o papel que podem desempenhar as orexinas e outros hormônios, foi estudada a forma em que seus níveis são alterados e se essas variações podem ser associadas a alguns dos sintomas observados.

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Nesses casos, sabe-se que ocorre um aumento dos níveis de orexina A, paralelamente à redução dos níveis de produção de estrogênios verificada nessa etapa da vida.

Contudo, os poucos estudos clínicos realizados neste campo até o momento não são conclusivos e nenhuma associação clara foi encontrada entre os níveis de orexina A e as outras variáveis típicas do estado pós-menopausa – como o impacto do tratamento hormonal substitutivo sobre esses níveis, as alterações da qualidade do sono e o índice de massa corporal.

A relação entre as orexinas e os distúrbios alimentares

Podemos ver que o papel da orexina na saúde mental é importante. Por isso, não podemos deixar de lado outro exemplo marcante: a relação desse hormônio com a anorexia nervosa.

Esse distúrbio do comportamento alimentar é caracterizado por peso corporal excepcionalmente baixo, percepção alterada da imagem do corpo, intenso receio de ganhar peso e outras manifestações clínicas consequentes do baixo peso, como a perda da menstruação, para as mulheres.

Em consequência da ingestão de alimentos insuficiente e desequilibrada, as pessoas que sofrem de anorexia nervosa frequentemente apresentam séria desnutrição que afeta todo o organismo, incluindo o funcionamento cerebral.

Sobre este tema, estudos recentes sugerem que os níveis de orexina A e o desempenho cognitivo são inferiores entre as mulheres que sofrem de anorexia nervosa.

Além disso, também se concluiu que baixos níveis desse hormônio são associados a menor flexibilidade cognitiva e resultados inferiores em testes psicológicos que avaliam a tomada de decisões em situações de risco.

Mas seria necessário ampliar e confirmar essas conclusões, que abrem uma interessante via de pesquisa relacionando a neuropsicologia e o gasto energético, para podermos conhecer seus mecanismos de ação.

*Maria Asunción Martinez Brocca é professora do Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina e chefe do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Universitário Virgen Macarena, da Universidade de Sevilha, na Espanha.

**Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia a versão original em espanhol e francês.

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DF tem maior proporção de pessoas que se declaram bi ou homossexuais no país, aponta IBGE

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Distrito Federal tem a maior proporção de pessoas que se autoidentificam como homo ou bissexuais do país. É o que aponta um levantamento inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (25). Na capital, esse público é composto por 66 mil pessoas, e representa 2,9% da população maior de idade.

A pesquisa foi feita com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019. O índice em Brasília ficou acima da média nacional, de 1,8% da população. Segundo o estudo, em todo o país, 2,9 milhões de pessoas se autodeclararam homo ou bissexuais.

Segundo o levantamento, a população do Distrito Federal acima de 18 anos, em 2019, foi estimada em 2,3 milhões de pessoas. Desse total:

  • 2,1 milhões (92,2%) se autodeclaram heterossexuais
  • 113 mil (4,9%) se recusaram a responder ou disseram que não sabiam
  • 66 mil (2,9%) se autodeclaram homossexual ou bissexual

 

As informações foram colhidas por meio da pergunta “Qual é a sua orientação sexual?”, incluída pela primeira vez no questionário da pesquisa.

Atrás do DF, os estados com maior população homo ou bissexual foram Amapá, com 2,8%, e o Amazonas, com 2,3%. As últimas posições foram ocupadas por Tocantins e Pernambuco, com 0,6% e 1%, respectivamente.

O IBGE, no entanto, ponderou que “o fato de uma pessoa se autoidentificar como heterossexual não impede que ela tenha atração por ou relação sexual com alguém do mesmo sexo”. Segundo o instituto, para captar em detalhes a efetiva orientação sexual da população “seria necessária a investigação do comportamento e da atração sexual, conceitos esses diferentes da autoidentificação”.

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No início do mês, o Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad), da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), já tinha levantado dados sobre a comunidade LGBT da capital. O levantamento apontou que 3,8% da população da capital se identificava como parte desse grupo, também incluindo pessoas transexuais, na identidade de gênero.

No Brasil

 

Bandeira LGBT  — Foto: Pixabay

O detalhamento das informações do IBGE aponta, que no Brasil:

  • 94,8% da população adulta se autoidentifica como heterossexual
  • É maior a proporção de homens (1,4%) que de mulheres (0,9%) autodeclarados homossexuais
  • Já as mulheres têm maior proporção (0,8%) que os homens (0,5%) entre os bissexuais
  • A autoidentificação homossexual ou bissexual é maior entre quem tem nível superior (3,2%) e maior renda (3,5%)
  • Proporção das respostas “não sabe” ou “recusou-se a responder” foi maior entre aqueles com menor nível de instrução
  • É ligeiramente menor a proporção de homossexuais e bissexuais entre os brancos (1,8%) que entre os pretos (1,9%) e pardos (1,9%)
  • O grupo de 18 e 29 anos apresenta a maior proporção de autodeclarados homossexuais ou bissexuais (4,8%)
  • A faixa etária mais jovem também soma a maior proporção de pessoas que não souberam ou não quiseram responder (5,3%) à questão

 

Os dados são compatíveis com os de países que fizeram pesquisa com metodologia semelhante. Na comparação internacional, Brasil ficou empatado com o Chile em relação à proporção de pessoas que se autoidentificam homossexuais ou bissexuais, mas abaixo de Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e Canadá.

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Com relação à idade, a proporção dos que declararam a orientação homossexual ou bissexual foi de:

  • 4,8% na faixa etária entre 18 e 29 anos;
  • 1,9% na faixa entre 30 e 39 anos;
  • 1% no grupo entre 40 e 59 anos;
  • 0,2% entre aqueles com 60 anos ou mais.

 

Segundo a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, entre os fatores que podem interferir na autodeclaração da orientação sexual e que podem ter interferido no resultado da análise regional, estão:

  • o contexto cultural;
  • o contexto familiar;
  • habitar em cidades pequenas;
  • inseguro para falar sobre o tema com pessoa estranha;
  • desconfiança com o uso da informação;
  • não compreensão dos termos homossexual e bissexual;
  • indefinição quanto a própria orientação sexual.

 

A pesquisa

 

O questionário foi aplicado em 108 mil domicílio. O manual da pesquisa, usado para consulta tanto dos entrevistadores quanto dos entrevistados, relacionava a orientação sexual a diferentes formas de atração afetiva e sexual de cada um. As opções estavam conceituadas da seguinte forma:

  • Heterossexualidade – Refere-se à atração sexual e/ou afetiva entre indivíduos de sexo oposto;
  • Bissexualidade – Refere-se à atração sexual e/ou afetiva por mais de um gênero ou sexo binário. Contrapõe-se às monossexualidades (heterossexualidade e homossexualidade);
  • Homossexualidade – Refere-se à atração sexual e/ou afetiva por outro indivíduo do mesmo sexo ou gênero;
  • Outra orientação sexual (especifique) – Quando o morador declarar orientação sexual diferentes das relacionadas anteriormente. Registrar, no campo especifico, a resposta do morador.

Fonte: G1

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