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Candidatos brigam pelo voto dos conservadores

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EM DISPUTA Bolsonaro e Moro vão dividir a atenção da direita conservadora (Crédito: GABRIELA BILO)

Eudes Lima

A agenda dos costumes volta à pauta das eleições de 2022. Os presidenciáveis têm interesse nesse público e disputam um espaço até então ocupado pelo presidente Bolsonaro. Os debates prometem ser calorosos e os excessos da extrema direita devem dominar as redes sociais

A eleição de 2018 abriu uma ferida que vai levar um bom tempo para cicatrizar sobre a agenda dos costumes no universo político. A vitória do presidente Jair Bolsonaro mostrou que há muito espaço para os defensores de teses conservadoras. Como no jogo político não se escolhe voto, todos os candidatos, inclusive aqueles que discordam da pauta com temas retrógrados da direita, como a objeção ao aborto ou o armamento indiscriminado da população, criarão pontes com esse eleitor.

Bolsonaro sai na frente como representante de uma extrema direita empedernida e liderada pela ala ideológica do governo. Ele não tem qualquer filtro na sua narrativa e isso agrada os extremistas, que veem os excessos com bons olhos. Sergio Moro ainda não se apresentou para defender essa pauta. Mas será colocado contra a parede e terá que se posicionar sobre armamento, homofobia, liberdade religiosa e feminismo, além de outros diversos temas, assim como os seus adversários.

IDEOLOGIA A ministra Damares, ao lado de Michelle, lidera a pauta conservadora da Presidência (Crédito:Divulgação)

Por sua vez, o ex-presidente Lula já faz sua aproximação com os evangélicos. Segundo pesquisas, o segmento religioso representa cerca de 30% da população. A ideia é dividir os votos, sem os quais a campanha ficaria prejudicada. Na última eleição, o tema do casamento homossexual, a adoção de crianças por esses casais e a ideologia de gênero foi objeto de amplo debate. Atribuiu-se muito ao PT e PSOL a vanguarda dessa discussão, assim como o feminismo e a descriminalização do aborto. Ter um católico como o ex-governador Geraldo Alckmin na chapa sinaliza uma trégua para um público conservador.

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Uma fala totalmente equivocada deixou marcas em Ciro Gomes, em 2002. Ele fez um comentário machista a respeito da esposa, na época, a atriz Patrícia Pillar. Ciro não é diferente dos outros candidatos e está interessado no voto conservador. Tanto, que ele fez uma engenharia política bem arriscada e partiu ao ataque contra Lula considerado como extremista da esquerda, visando uma aproximação com setores conservadores da direita.

O governador João Doria terá facilidade de falar com o público conservador. No entanto, o tucano se considera liberal tanto na economia quanto nos costumes, defendendo minorias, mulheres e negros, por exemplo.

“Discutir os costumes é a forma de o presidente não falar da fome, da recessão econômica e da corrupção” Sâmia Bomfim, deputada

O senador Fabiano Contarato e seu companheiro foram agredidos nas redes sociais, por serem homossexuais e terem adotado um casal de crianças. O senador disse à ISTOÉ que “há uma diferença muito grande entre costumes conservadores e o sequestro de tradições por parte de grupos autoritários, violentos e determinados a minar avanços civilizatórios”.

Na seara das discussões religiosas, a ministra das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, é o quadro mais emblemático de um conservadorismo que levou Bolsonaro ao Planalto. Ela já é cotada para disputar uma vaga no Senado e trabalhar pelas pautas retrógradas. No ministério, ela apresenta pouco mais do que discurso vazio. Segundo levantamento feito pelo jornal “O Globo”, apenas 39% do orçamento da pasta foi empenhado, o que significa que mais de 60% não será utilizado por falta de política afirmativa. Damares é vista como uma das mais importantes conselheiras da ala ideológica do presidente e da luta contra o feminismo.

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AGRESSÃO O senador Fabiano Contarato (à esq.)tem sido vítima de ataques por sua orientação sexual (Crédito:Divulgação)

Na contramão do conservadorismo, a deputada Sâmia Bomfim entende que a campanha por André Mendonça para o STF foi um aceno aos evangélicos e a apresentação de uma plataforma conservadora. Ela disse à ISTOÉ que “discutir os costumes é uma forma que o presidente encontra de não falar da questão da fome, da recessão econômica e da corrupção, além de aglutinar seus eleitores mais fiéis”.

A ampla liberação de armas é uma pauta do setor conservador que encontra bastante aprovação entre os eleitores. Vai ser difícil se posicionar contra. A discussão do aborto é outro tabu que não vai ser resolvido nessa eleição e, possivelmente, a pauta será utilizada basicamente como fonte de acusação ao adversário. A liberdade religiosa tem sido confundida com hegemonia, a convivência com o diferente, especialmente com as religiões afro-brasileiras, que tem sido objeto de litígio. Nesse contexto, vale até defender uma pauta contra a imunização da Covid e mentir dizendo que a vacina pode causar Aids. Parece impossível, mas há quem acredite que essa é uma demanda conservadora. Não é. Na verdade, esse é um argumento anti-ciência e até criminoso.

Fonte: IstoÉ

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‘Bolsolão do lixo’ vira um dos assuntos mais comentados do Twitter

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Foto: Sérgio Lima/ AFP

O investimento público federal com coleta de lixo virou foco de despesas milionárias crescentes e fora do padrão nos últimos anos

A disparada na compra de caminhões de lixo pelo governo Jair Bolsonaro (PL) com preços inflados, revelada neste domingo, 22, pelo Estadão, ganhou a hashtag ‘Bolsolão do Lixo’ e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter, no início desta tarde. Foram 7.977 tuítes sobre o assunto em uma hora. Reportagem publicada hoje mostra que após Jair Bolsonaro se associar ao Centrão, a compra e distribuição de caminhões de lixo pelo governo saltaram de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021.

Por volta das 13 horas, ‘Bolsolão do Lixo’ havia superado 7,5 mil tweets e internautas passaram a publicar memes com o assunto. Um deles exibe um caminhão de lixo com um cifrão na traseira do veículo e o slogan do governo ‘Pátria Amada Brasil’ na lateral. “No governo sem corrupção, tem corrupção até no lixo”, escreveu uma conta no Twitter. Bolsonaro costuma dizer que seu governo não tem corrupção a despeito de diversas ilegalidades reveladas pela imprensa.

O investimento público federal com coleta de lixo, um serviço essencial para o bem-estar da população, virou foco de despesas milionárias crescentes e fora do padrão nos últimos anos. Avaliados com cuidado, esses gastos revelam transações difíceis de entender, como a da cidade do interior de Alagoas que tem menos lixo do que caminhões para recolhê-lo ou a diferença de R$ 114 mil no preço de veículos iguais, comprados no espaço de apenas um mês – sem falar da presença de empresas fantasmas no meio das operações.

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Durante dois meses, a equipe do Estadão analisou cerca de 1,2 mil documentos referentes à aquisição desses veículos com verbas do orçamento federal, incluindo relatórios, planilhas e vídeos, num total de 7,7 gigabytes de dados. A distribuição de caminhões compactadores de lixo é usada por senadores, deputados e prefeitos para ganhar a simpatia e o voto dos eleitores de cidadezinhas pobres, onde a chegada desse tipo de auxílio é visível e faz enorme diferença. Até agora, o governo já destinou R$ 381 milhões para essa finalidade. A reportagem identificou pagamentos inflados de R$ 109 milhões.

A diferença dos preços de compra de modelos idênticos, em alguns casos, chegou a 30%. Em outubro passado, por exemplo, o governo adquiriu um modelo de caminhão por R$ 391 mil. Menos de um mês depois, aceitou pagar R$ 505 mil pelo mesmo modelo do veículo. Há casos também em que o governo recebeu veículos menores do que o comprado sem reaver a diferença de preço. Um município de 8 mil habitantes ganhou três caminhões compactadores num período de um ano e três meses, enquanto cidades próximas não têm nenhum. Até um beneficiário do auxílio emergencial ganhou licitações para fornecer caminhões de lixo para o governo.

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‘Bolsolão do Lixo’

Do jeito que está montada, a compra dos caminhões pelo governo para atender sua base no Congresso não segue nenhuma política pública de saneamento básico e não garante todas as fases da coleta de lixo. Caminhões são destinados a pequenas cidades sem qualquer plano para construção de aterros sanitários, como determinado em lei. No Piauí, por exemplo, o lixo coletado é jogado em terrenos a céu aberto em 89% das cidades. Mesmo assim, a prioridade dos políticos do Estado foi a aquisição dos veículos.

Fonte: Jornal de Brasilia

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