BRASÍLIA

BRASIL POLÍTICA

Contratos de Câmara, Senado e STJ com ascensoristas somam R$ 8 milhões

Publicados

em

O STF não conta mais com esses profissionais. Entre os ministérios, apenas o da Economia ainda tem ascensoristas no quadro

Igo Estrela/Metrópoles

Fica cada vez mais difícil encontrá-los nos prédios Brasil afora. Mas, nos órgãos públicos de Brasília, os ascensoristas resistem. Juntos, Câmara dos DeputadosSenado Federal e Superior Tribunal de Justiça (STJ) somam 110 profissionais encarregados de atividades relacionadas à operação dos elevadores. A maioria é de ascensoristas, mas há também postos auxiliares, como encarregado-geral, encarregado de tráfego, supervisor e telefonista de fluxo de elevadores.

No Senado, a empresa encarregada é a R7 Facilities Engenharia Ltda. O contrato, no valor de R$ 1,33 milhão, foi assinado pela primeira vez em 2019, e renovado em 2020, com vigência até novembro de 2021. No STJ, o contrato com a Real JG Facilities Eireli tem vigência até maio de 2022 e valor de R$ 3 milhões.

Na Esplanada dos Ministérios, o Ministério da Economia é o único órgão informado como tendo ascensoristas nos quadros, segundo o Portal da Transparência. De acordo com a assessoria de comunicação da pasta, hoje resta apenas um servidor ocupando o cargo em Brasília.

“Com relação a contratos administrativos de prestação de serviços de mão de obra, o último que contemplava ascensorista no âmbito do Distrito Federal teve sua vigência expirada em 12 de abril de 2019 e não foi objeto de prorrogação. Nos estados também não existe contrato vigente para esse tipo de mão de obra”, acrescentou a assessoria.

“A questão da extinção é inevitável. A tecnologia torna os processos mais otimizados, e o ascensorista é uma profissão que pode ser substituída por automação”, afirma. Segundo Rita, a pandemia intensificou o uso de soluções tecnológicas em razão da necessidade de confinamento. Para a psicóloga, a sobrevivência da profissão, principalmente em órgãos públicos, tem um forte componente cultural. “Eu acredito que seja, sim, uma questão cultural em algumas repartições. Cultura organizacional é uma coisa difícil de mudar”, avalia.

Leia Também:  Bolsonaro "interfere de forma antidemocrática" na eleição da Câmara, diz Maia

Procurada, a assessoria de comunicação da Câmara disse que os ascensoristas são necessários para “garantir a operação segura e adequada dos elevadores, em virtude do grande fluxo de pessoas que circulam nas dependências do prédio”. Pontuou ainda que, durante a pandemia, o serviço está sendo realizado com efetivo reduzido e revezamento em turnos.

O Senado, por sua vez, justificou que esse posto é importante no órgão. “Face sobretudo às questões de controle e segurança de passageiros (autoridades, colaboradores, convidados e visitantes), bem como as demais atribuições dos profissionais, entende-se ainda não ser possível prescindir desse serviço.” Segundo a Casa, os trabalhadores não atuaram nos picos da pandemia e estão retornando gradativamente, seguindo todos os protocolos de segurança.

Procurado, o STJ não se manifestou sobre a necessidade dos profissionais. O espaço segue aberto.

Cabineiros

A coach vocacional frisa ainda que a profissão de ascensorista desenvolve competências importantes. De acordo com a Classificação Brasileira das Ocupações (CBO), as características necessárias a um ascensorista incluem demonstrar educação, manter a postura, ter boa capacidade de comunicação e possuir controle emocional. Segundo Rita, para quem hoje atua na área e não quer ficar para trás, a solução é compreender as próprias habilidades e mirar outros postos de trabalho em que sejam aplicáveis.

A profissão de ascensorista foi regulamentada por Juscelino Kubitschek, por meio da Lei n° 3.270 de 1957. A legislação refere-se aos profissionais que operam elevadores como cabineiros e fixa a jornada de trabalho da categoria em seis horas diárias. A carga horária é respeitada até hoje. A norma de 1957 é citada, inclusive, nos contratos firmados pela Câmara e pelo STJ com as empresas terceirizadas.

Fora das repartições públicas, era possível encontrar ascensoristas em hotéis, principalmente os mais luxuosos. Hoje, representantes do setor relatam que o posto de trabalho deixou de existir, assim como outras ocupações da hotelaria.

Leia Também:  Ministro Gilmar Mendes explica trabalho durante o recesso: "urgências da Covid"

Adriana Pinto, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no DF (Abih-DF), afirma que “desconhece” unidades hoteleiras em Brasília que ainda trabalham com operadores de elevador. Ela acredita que o profissional não é necessário em um tipo de edifício em que o trânsito de pessoas, em geral, tem característica residencial, ou seja, os hóspedes vão direto para o quarto.

Agamenon Gomes da Silva, diretor primeiro-secretário do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares do DF (Sechosc/DF), afirma que a profissão entrou em declínio na altura do ano 2000. “Foram saindo e as empresas não fizeram substituições”, destaca. Segundo o sindicalista, a própria concepção do serviço de hospedagem mudou.

“Anos atrás, tudo era oferecido para o conforto do hóspede. Inclusive, o café da manhã era servido diretamente na mesa. Hoje passou a ser em fila americana, o próprio cliente é que se serve. Todos os serviços passaram a ser dessa forma, inclusive o elevador. Como os elevadores se modernizaram, não precisou mais do serviço. Até o serviço de mensageiro já está ficando extinto. Em muitos hotéis não tem mais”, salienta o diretor do Sechosc/DF.

Segundo Agamenon, com os hóspedes mais interessados em bons preços do que nas antigas mordomias, a quantidade de funcionários das unidades hoteleiras também diminuiu drasticamente. “Nos anos 90, quando comecei a trabalhar, o hotel tinha 200 funcionários. Hoje você visita um hotel desses e tem 50 funcionários”, comenta.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

BRASIL POLÍTICA

Após sinalização de interferência de Bolsonaro, ações da Eletrobras valorizam 23% na semana

Publicados

em

Ações da Eletrobras valorizam 23% na semana, mas não se falou em ‘interferência’

Bolsonaro sinalizou interferência, e o papel da Eletrobrás saltou de R$27,04, na segunda, para R$33,83 na quinta

A estatal federal Eletrobrás valorizou 23% esta semana, mesmo após o presidente Jair Bolsonaro avisar que iria interferir no setor elétrico, mas ninguém atribuiu a essa atitude a valorização expressiva da estatal de energia.

No início da semana, o papel da Eletrobrás era vendido a R$27,04 e, nesta quinta (25), registrava valorização de 23%, cotada a R$33,83. O dedo presidencial, no setor elétrico, afinal só gerou lucros. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O gesto do presidente de levar ao Congresso a medida provisória que deflagra a privatização da Eletrobrás ajudou a valorizar suas ações.

A MP 1031 (Eletrobrás) teve objetivos vitais para o êxito do governo. Um deles foram os grandes investidores privados, nacionais e internacionais.

A MP também é uma investida contra aumentos tão cruéis quanto os dos combustíveis: só em 2021, o povo amarga alta de 13% na conta de luz.

Leia Também:  Moro é de extrema-direita e chance de apoio à chapa dele é "zero", diz Maia

Confiar ao BNDES os estudos para privatizar a Eletrobrás gerou alívio. A pior escolha seria entregar a tarefa ao corporativismo dos eletrocratas.

Fonte: Diário do Poder

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

DISTRITO FEDERAL

FALA BOLSONARO

ECONOMIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA