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Lula age para minar candidatura de Ciro ao Planalto

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Foto: Ricardo Stuckert

Nos últimos dias, o próprio Lula entrou nas articulações, com o objetivo de atrair o PDT para a aliança em torno de sua candidatura

O comando da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto aumentou a pressão para que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) desista da disputa. Nos últimos dias, o próprio Lula entrou nas articulações, com o objetivo de atrair o PDT para a aliança em torno de sua candidatura. Pesquisas de intenção de voto indicam que, se Ciro sair do páreo, a maioria de seus eleitores deve migrar para Lula.

A cúpula do PT tem oferecido apoio a mais candidatos do PDT nos Estados, dispondo-se até mesmo a desfazer acertos firmados anteriormente. Na lista das ofertas estão o Rio de Janeiro – onde a Executiva petista já aprovou a aliança com o deputado Marcelo Freixo (PSB) ao governo –, o Ceará e o Maranhão.

Oficialmente, o PT não admite que possa rifar Freixo. O argumento é o de que Lula – hoje em primeiro lugar nas pesquisas, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) – terá dois palanques no Rio, assim como no Maranhão, por exemplo. Mas, nos bastidores, o PT pode apoiar o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) ao governo fluminense, caso uma eventual desistência de Ciro entre no acordo.

No Ceará, o PT também deflagrou uma estratégia para encurralar Ciro, que construiu ali sua trajetória política. Desde que o petista Camilo Santana renunciou ao governo para concorrer ao Senado, o PT e o PDT – parceiros no Estado desde 2006 – têm trocado farpas. Agora, o partido de Lula pretende apoiar a campanha à reeleição da governadora Izolda Cela contra o grupo de Ciro, que defende o nome do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Claudio. Ex-petista, Izolda também integra as fileiras do PDT, mas sofre resistências.

No Maranhão, embora o PT apoie o governador Carlos Brandão (PSB), há negociações em curso com o senador Weverton Rocha (MA), o pré-candidato do PDT que chama Lula de “meu amigo”.

Em cerimônia que serviu como despedida de Camilo do governo do Ceará, no mês passado, Ciro ouviu gritos pró-Lula ao discursar, no município de Barbalha (CE). Irônico, ele sorriu, fazendo gestos com a mão que simbolizavam “roubo”.

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Um mês depois, no último dia 2, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse, numa reunião virtual com petistas, que o PDT deve abandonar Ciro para aderir à campanha de Lula, ainda neste primeiro turno. Era o que faltava para o caldo entornar ainda mais.

O candidato do PDT reagiu e publicou nas redes sociais que Dirceu – com quem trabalhou no governo Lula, quando foi ministro da Integração Nacional – havia planejado e executado “o mensalão e o petrolão”.

“É bom que todo mundo saiba que esse acordo (entre o PDT e o PT) vai acontecer se o interesse do Ceará estiver acima. Se for com negócio de conchavo, de picaretagem, eu topo enfrentar o PT também”, disse Ciro, em entrevista à emissora local da Band. “Eu não vou me submeter a um lado corrupto do PT, que também existe no Ceará.”

Logo após o novo confronto, os três deputados federais do PT do Ceará ­– José Guimarães, Luizianne Lins e José Airton Cirilo – participaram de uma videoconferência com Lula e mostraram preocupação com os rumos da disputa no Estado. Eles também são citados como possíveis candidatos ao governo do Ceará, caso a aliança com o PDT naufrague. “Se impuserem Roberto Claudio, certamente teremos candidato para construir um palanque real para o Lula no Ceará”, afirmou José Airton.

Integrante da equipe de Lula, José Guimarães, por sua vez, trabalha para que o PDT se junte ao petista o mais rápido possível. “O País vai se unir. Vai sobrar quem no campo da esquerda? Não sobra nada”, afirmou Guimarães, recentemente, sugerindo que Ciro não tem viabilidade eleitoral.

Na prática, após a “janela partidária” – período no qual parlamentares puderam trocar de legenda sem perder o mandato –, o PDT desidratou: passou de 28 para 19 deputados na Câmara. O senador Jaques Wagner (PT-BA) adotou tom mais comedido sobre o apoio do PDT, mas também tem a expectativa de conquistar o aval do partido, ainda que informal. “Formal não creio, mas das bases, a depender do Estado, pode acontecer, sim”, argumentou Wagner, que está na coordenação da campanha de Lula.

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A dificuldade em formar bancada na Câmara também é apontada por correligionários de Ciro. “Enquanto a gente vê vários partidos trabalhando para fortalecer chapa por causa do Fundo e das emendas (parlamentares), o PDT está concentrado na eleição presidencial”, afirmou o deputado Gustavo Fruet (PDT-PR), numa referência ao Fundo Eleitoral, que financia campanhas.

Fruet apoia a candidatura de Ciro, mas observou que existem colegas de partido dispostos a abrir o palanque para Lula. “É evidente que, em alguns Estados – e vejo isso muito no Nordeste –, o Lula tem apelo, mas todos nós estamos na defesa do Ciro. Pelo menos abertamente, eu não vejo esse movimento”, comentou ele, ao ser questionado se o PDT vai insistir para que Ciro recue.

O deputado admitiu, porém, haver insistência do PT para que Ciro retire a candidatura. “O que eu vejo é pressão do PT, e compreendo. Acho que Ciro está impedindo que Lula cresça e está sendo um contestador do Lula muito forte”, argumentou.

Fruet contou que o PT chegou a oferecer a ele a vaga de candidato ao Senado na chapa de Roberto Requião, pré-candidato do partido ao governo do Paraná. O deputado recusou e vai concorrer à reeleição na Câmara.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou, por sua vez, que o partido não desistirá de Ciro. “Não me canso de repetir que a candidatura do Ciro já foi homologada pelo diretório. Só falta a convenção legal”, destacou.

Estadão Conteúdo

Fonte: Jornal de Brasilia

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‘Bolsolão do lixo’ vira um dos assuntos mais comentados do Twitter

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Foto: Sérgio Lima/ AFP

O investimento público federal com coleta de lixo virou foco de despesas milionárias crescentes e fora do padrão nos últimos anos

A disparada na compra de caminhões de lixo pelo governo Jair Bolsonaro (PL) com preços inflados, revelada neste domingo, 22, pelo Estadão, ganhou a hashtag ‘Bolsolão do Lixo’ e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter, no início desta tarde. Foram 7.977 tuítes sobre o assunto em uma hora. Reportagem publicada hoje mostra que após Jair Bolsonaro se associar ao Centrão, a compra e distribuição de caminhões de lixo pelo governo saltaram de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021.

Por volta das 13 horas, ‘Bolsolão do Lixo’ havia superado 7,5 mil tweets e internautas passaram a publicar memes com o assunto. Um deles exibe um caminhão de lixo com um cifrão na traseira do veículo e o slogan do governo ‘Pátria Amada Brasil’ na lateral. “No governo sem corrupção, tem corrupção até no lixo”, escreveu uma conta no Twitter. Bolsonaro costuma dizer que seu governo não tem corrupção a despeito de diversas ilegalidades reveladas pela imprensa.

O investimento público federal com coleta de lixo, um serviço essencial para o bem-estar da população, virou foco de despesas milionárias crescentes e fora do padrão nos últimos anos. Avaliados com cuidado, esses gastos revelam transações difíceis de entender, como a da cidade do interior de Alagoas que tem menos lixo do que caminhões para recolhê-lo ou a diferença de R$ 114 mil no preço de veículos iguais, comprados no espaço de apenas um mês – sem falar da presença de empresas fantasmas no meio das operações.

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Durante dois meses, a equipe do Estadão analisou cerca de 1,2 mil documentos referentes à aquisição desses veículos com verbas do orçamento federal, incluindo relatórios, planilhas e vídeos, num total de 7,7 gigabytes de dados. A distribuição de caminhões compactadores de lixo é usada por senadores, deputados e prefeitos para ganhar a simpatia e o voto dos eleitores de cidadezinhas pobres, onde a chegada desse tipo de auxílio é visível e faz enorme diferença. Até agora, o governo já destinou R$ 381 milhões para essa finalidade. A reportagem identificou pagamentos inflados de R$ 109 milhões.

A diferença dos preços de compra de modelos idênticos, em alguns casos, chegou a 30%. Em outubro passado, por exemplo, o governo adquiriu um modelo de caminhão por R$ 391 mil. Menos de um mês depois, aceitou pagar R$ 505 mil pelo mesmo modelo do veículo. Há casos também em que o governo recebeu veículos menores do que o comprado sem reaver a diferença de preço. Um município de 8 mil habitantes ganhou três caminhões compactadores num período de um ano e três meses, enquanto cidades próximas não têm nenhum. Até um beneficiário do auxílio emergencial ganhou licitações para fornecer caminhões de lixo para o governo.

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‘Bolsolão do Lixo’

Do jeito que está montada, a compra dos caminhões pelo governo para atender sua base no Congresso não segue nenhuma política pública de saneamento básico e não garante todas as fases da coleta de lixo. Caminhões são destinados a pequenas cidades sem qualquer plano para construção de aterros sanitários, como determinado em lei. No Piauí, por exemplo, o lixo coletado é jogado em terrenos a céu aberto em 89% das cidades. Mesmo assim, a prioridade dos políticos do Estado foi a aquisição dos veículos.

Fonte: Jornal de Brasilia

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