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“Melhor forma de erradicar a miséria é dar dinheiro para o pobre”, diz Guedes no Senado

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Ministro da Economia avaliou que Brasil enfrentou duas guerras com as duas ondas da pandemia, em audiência pública com a Comissão Temporária da Covid-19 do Senado Federal

O ministro da Economia, Paulo Guedes, participou de audiência pública no Senado Federal nesta quinta-feira (25). O diálogo faz parte das ações da Comissão Temporária da Covid-19, criada em fevereiro. Sabatinado sobre as estratégias econômicas na pandemia, Guedes comentou sobre o auxílio emergencial, o enfrentamento do governo ao vírus e outros temas.

Nas falas iniciais o ministro criticou as políticas econômicas dos governos anteriores à gestão de Bolsonaro no que se refere à assistência social.

“A melhor forma de erradicar a miséria é dar dinheiro para o pobre. Tivemos que ter uma pandemia para aprender que o dinheiro tem que ir para o pobre sem um intermediário. Os intermediários são essas aparelhagens políticas do país, que, ao invés de dar o dinheiro direto para quem precisa, o mesmo ia para as corporações, sindicatos, grupos políticos que se elegem”, afirmou.

Ainda sobre programas de assistência às camadas mais vulneráveis da população, Paulo Guedes disse que o Brasil pode fazer um trabalho muito importante no tema com a criação de um fundo de renda básica.

“Imagina que tenhamos esse Fundo Brasil, separemos os ativos que dão retorno, os que vão ser vendidos, colocamos nesse Fundo Brasil e podemos fazer o seguinte: o que for mantido sob o estado, esses dividendos, uma parte disso, pode ir para ajudar no Renda Brasil, complementar, permitir um programa social mais robusto. Esses dividendos, vendas eventuais de empresas estatais, para que o povo sinta que as estatais são deles.”

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Lockdown e medidas sanitárias

A Comissão Temporária da Covid-19 é composta por seis senadores titulares e seis senadores suplentes, que participaram da audiência com apontamentos e perguntas. O ministro foi questionado pelo senador, Wellington Fagundes (PL-MT), sobre a visão econômica da estratégia de lockdown, com fechamento de atividades não essenciais para conter o avanço do coronavírus.

O parlamentar citou a carta pública de economistas, assinada por ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, por exemplo, que afirma que “é urgente que os diferentes níveis de governo estejam preparados para implementar um lockdown emergencial.”

Guedes foi breve na resposta. “O lockdown é para desacelerar a velocidade de contágio enquanto se acelera a velocidade de vacina”, disse. Representantes do governo federal também não comentaram sobre a possibilidade do isolamento social na tarde de ontem (24), quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou a criação de um comitê estratégico contra a pandemia. Bolsonaro, porém, garantiu que o Brasil se dedicará à vacinação em massa.

O ministro opinou que o país viveu “duas guerras” com as duas ondas de casos e óbitos em decorrência da Covid-19, mas pontuou que a economia começava a apresentar retornos positivos no fim de 2020, frustrados pelas novas cepas do vírus e evolução da transmissão. Para ele, o momento é de buscar vacinas para aumentar o ritmo de imunizações.

“Temos que vacinar em massa aceleradamente, nos próximos 30, 60 dias, vacinar com o setor privado, com o setor público. Se o setor privado der as vacinas para vacinar idosos, a gente pode dar isenção para as doações. Se os bilionários brasileiros quiserem ajudar, e querem ajudar, podem ter isenção para comprar vacinas e doar ao povo brasileiro.”

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O senador Jean Paul Prates (PT-RN) levantou que as atitudes comportamentais de representantes do governo e a falta de adoção de medidas recomendadas pelos órgãos de saúde de todo o mundo, como o uso de máscara, prejudicaram o Brasil em diversos campos ao longo de 2020. Segundo o parlamentar, Guedes não pode avaliar o fim do ano passado como uma guerra vencida só observando possíveis retomadas econômicas.

“As medidas sanitárias foram desrespeitadas, foram ridicularizadas, foram menosprezadas. Talvez não pelo ministro Paulo Guedes, que está reafirmando que tem juízo, mas por outros do governo com certeza, e com muita influência, inclusive do presidente da República. Quase como uma guerra ideológica. Só porque o petista usa máscara eu não vou usar máscara, porque fulano preconizou o isolamento social, eu vou dizer que não precisa. Tanto que o pessoal que fazia isso percebeu e parece mudar de hábitos.”

Educação

Os problemas da educação do país com escolas fechadas também foram citados. Na avaliação de Guedes, o contexto atual do aprendizado no Brasil vive uma tragédia, mas há recursos disponíveis para o enfrentamento.

“Não podemos perder esses jovens que estão em casa, os mais frágeis sem equipamentos, em cômodos com seis, sete pessoas confinadas, sem conseguir ter aulas a distância. O ideal era vacinar os professores. Não podemos perder essa geração de crianças com um, dois, três anos sem aulas. Recursos não faltam”, comentou. A audiência teve início às 10h e foi finalizada às 12h25.

Fonte: Brasil 61

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CPI da Covid: presidente e relator ficam em lados opostos

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Até então atuando afinados na condução dos trabalhos, presidente da CPI da Covid e relator divergem sobre prisão de Fabio Wajngarten, que também foi pedida por mais três senadores. Eles consideraram que o ex-secretário de Comunicação mentiu no depoimento

O depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, ontem, mostrou que o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), não estão jogando tão juntos como até a última terça-feira, data do depoimento do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Os dois divergiram, com veemência, sobre os pedidos de prisão de Wajngarten por mentir à CPI — solicitação que foi feita também pelos senadores Randolfe Rodreigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES).

“Não tomarei essa decisão. Eu tenho tomado decisões aqui muito equilibradas até o momento, mas eu ser carcereiro de alguém, não. Sou democrata. Se ele mentiu, temos como pedir indiciamento dele, mandar para o Ministério Público para ele ser preso, mas não por mim. Só depois que ele for julgado, e aqui não é tribunal de julgamento”, disse Aziz, rebatendo as pressões pela prisão de Wajngarten.

“Com todo respeito, nunca esperei isso de vossa excelência”, rebateu Renan.

“Não sou idiota. Não façam dessa CPI um tribunal que vai prender as pessoas”, treplicou Aziz.

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Aziz considerou que decretar a prisão em flagrante de Wajngarten podia prejudicar a CPI politicamente, pois o colegiado corria o risco de ser interpretado como um grupo partidário, e de oposição a todos os atos do governo federal. Já Renan defendeu que levar o ex-secretário de Comunicação preso seria uma forma de mostrar a seriedade do trabalho da comissão, e uma obrigação diante da previsão no Código Penal de que mentir em depoimento, inclusive em comissões de inquérito no Congresso, leva à prisão em flagrante delito.

Mentira

Renan chegou a pedir a prisão de Wajngarten, e disse que não queria atropelar a autoridade de Aziz, mas que era necessário que o ato fosse realizado. “Vossa excelência mais uma vez mente. Mentiu diante dos áudios publicados, mentiu em relação à entrevista que concedeu. Mas esse é o primeiro caso de alguém que, em desprestígio da verdade, mente. O presidente pode até decidir diferentemente. Mas eu vou, diante do flagrante evidente, pedir a prisão de vossa senhoria”, anunciou Renan.

O parlamentar foi apoiado por outros parlamentares, como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES). Aziz ponderou e se recusou a decretar a prisão. “Eu não vou ser carcereiro de ninguém. Muitos de nós aqui somos vítimas de injustiças e sabemos os problemas que causam”, reagiu.

No intervalo da sessão, os senadores entraram em um acordo, e encontraram uma solução que foi chancelada por Aziz e Renan. A decisão foi de enviar o depoimento de Wajngarten à Procuradoria da República do Distrito Federal para a possibilidade de decretar a prisão do ex-secretário. “A prisão seria o menor castigo que você vai sofrer na vida. Você não vai ficar bem com ninguém, pois você não agradou o governo e nem a ninguém. A vida machuca a gente, e a prisão não seria nada mais terrível do que você perder a credibilidade, a confiança e o legado que você construiu até agora… As coisas não vão parar aqui. A CPI tem desdobramentos. É muito fácil a gente fazer uma acusação em um dia e você passar anos se defendendo”, disse o presidente da comissão.

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Em resposta a um seguidor no Twitter, Aziz garantiu que “essa comissão não vai terminar em pizza”. “Não amigo, temos responsabilidade. Estou sendo justo. Garanto a você e seus seguidores que essa comissão não vai terminar em pizza”, escreveu o senador, quando questionado se estaria se “metamorfoseando” em um apoiador do presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, a avaliação é de que Omar e Aziz, apesar do desentendimento de ontem, continuam aliados e devem ajustar estratégias para novas polêmicas, inclusive aprovando com maior celeridade a prisão em flagrante caso as testemunhas comprovadamente mintam ao colegiado.

Fonte: Correio Braziliense

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