BRASÍLIA

BRASIL DIVERSOS

Alec Baldwin: como foi o acidente em que o ator Brandon Lee morreu durante gravação de filme em 1993

Publicados

em

Brandon Lee

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

Brandon Lee tinha 28 anos quando foi morto durante gravação de filme

No dia em Brandon Lee morreu, a ficção se transformou em tragédia.

Era 30 de março de 1993. O jovem ator rodava uma das sequências do filme “O Corvo”, baseada em uma história em quadrinhos com o mesmo nome. Brandon era muito famoso pelo seu trabalho na época, assim como o seu pai, Bruce Lee, um fenômeno de filmes de ação e de artes marciais.

Em uma das cenas que gravou naquela noite, o personagem de Brandon deveria entrar em um apartamento e encontrar a sua noiva sendo espancada e estuprada por quatro homens. Um desses criminosos, interpretado pelo ator Michael Massee, deveria disparar à queima-roupa contra o personagem de Brandon e matá-lo.

A gravação da cena ocorreu como o planejado, mas no fim ficou claro que havia algo errado, porque Brandon não se levantou do chão. Ele foi baleado de verdade.

Doze horas depois, o jovem ator morreu em um hospital.

Desde a morte de Lee, a indústria cinematográfica dos Estados Unidos não havia enfrentado um acidente mortal com arma de fogo até o incidente envolvendo o ator Alex Baldwin, que matou de forma acidental a diretora de fotografia Halyna Hutchins durante uma gravação do filme Rust.

Após a repercussão da morte de Hutchins, a irmã de Brandon, Shannon Lee, fez uma publicação em seu Twitter.

“Nossos corações estão com a família de Halyna Hutchins e com Joel Souza e com todos os envolvidos no acidente de Rust”, escreveu, em referência à diretora de fotografia e ao diretor do filme, que também foi ferido.

Leia Também:  Apenas 7 capitais estão preparadas para receber o 5G, indica pesquisa

“Ninguém nunca deveria morrer por uma arma em um set de gravação”, acrescentou.

Mas como foi o acidente em que Brandon Lee morreu?

Um erro fatal

O protagonista de “O Corvo” morreu após ser atingido por uma bala que atravessou o seu abdômen, afetou vários de seus órgãos e ficou alojada em sua coluna.

A arma usada na cena deveria conter balas de festim. Mas em vez disso, o ator foi baleado com um projétil calibre 44.

As balas de festim são essencialmente balas reais modificadas que possuem pólvora, mas não têm o projétil, que é uma ponta perfurante.

Sem o projétil, essa arma causa muitas faíscas e um estampido para causar o impacto de um tiro para alcançar a imagem desejada na gravação, mas nenhuma munição é disparada.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto,

O ator Michael Massee ficou abalado com a morte do companheiro de cena

Porém, no caso de “O Corvo”, aparentemente a arma usada para disparar contra Brandon Lee continha um pedaço de projétil que se alojou no cano da arma durante uma cena filmada dias antes, na qual foi usada uma bala semelhante à de verdade, mas que não tinha pólvora. Esse tipo de bala também é usado para passar verdade em algumas cenas.

A arma não foi inspecionada entre uma cena e outra. Naquele fatídico 30 de março quando foi usada contra Brandon Lee, a explosão do cartucho de festim disparou o pedaço de projétil alojado no cano, baleando o ator.

Leia Também:  Por que a Terra está refletindo menos luz nos últimos anos?

Após uma investigação que durou meses, a promotoria decidiu não aplicar punição a ninguém pela morte de Lee, apesar de parecer claro que haviam cometido algum tipo de negligência.

Em setembro de 1993, o promotor distrital Jerry Spivey anunciou que a investigação policial não havia revelado evidências de nenhum delito contra nenhuma pessoa envolvida nas filmagens nem contra a Crowvision, a produtora do filme.

“Há uma parte de mim que quer denunciar e ter um julgamento, mas seria um ponto de vista puramente legal, não me sentiria cômodo com as circunstâncias, como as conheço, acusando a Crowvision de homicídio culposo (quando não há intenção de matar)”, disse o promotor.

Assim, mesmo com a evidente negligência que teve impacto na morte do ator, o Ministério Público considerou que não foi uma negligência deliberada e gratuita, que poderia implicar em algum tipo de condenação.

Após ser suspensa por um período, a gravação do filme “O Corvo” foi retomada e a produção foi finalizada com alguns truques para que a ausência de Brandon Lee não fosse percebida.

O impacto da tragédia, porém, foi duradouro não apenas para a família do ator morto.

Muito abalado com o que aconteceu, o ator Michael Massee tirou um ano sabático antes de voltar a trabalhar. Em 2005, ele confessou em uma entrevista que levou muito tempo para conseguir seguir adiante com a sua vida.

“Não acho que vou conseguir superar completamente algo assim”, disse Massee, que morreu em 2016 sem nunca ter assistido ao filme.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

BBC

COMENTE ABAIXO:
Clique para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe uma resposta

BRASIL DIVERSOS

Ômicron: brasileiros no Marrocos relatam medo e incerteza diante de fronteiras fechadas após variante

Publicados

em

Por

  • Priscila Carvalho
  • Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil

Mariana e Felipe fazem selfie em frente a prédio típico no Marrocos

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

Mariana e Felipe pensaram em voltar para o deserto para tentar sair do Marrocos

Diversos países como o Brasil decidiram suspender voos e tomar medidas rigorosas em relação a viagens e pessoas vindas do sul da África, onde foram registrados os primeiros casos de infecção pela variante ômicron.

No próprio continente africano, há países que também decidiram adotar medidas drásticas, como o Marrocos, que anunciou no dia 29 de novembro o fechamento de fronteiras para barrar a nova variante.

Com isso, muitos turistas enfrentam dificuldades em voltar para casa e seguem “presos” no local. Os brasileiros estão entre eles: de acordo com a embaixada brasileira no Marrocos, ao menos 32 pessoas solicitaram apoio consular para deixar o país africano.

O casal brasileiro Mariana Neubra, 34, e Felipe Santiago, 35, está enfrentando essa situação no momento. O que era para ser uma estadia de apenas cinco dias, agora, não há previsão para acabar.

Eles estavam no deserto, quase na divisa com a Argélia, quando ouviram as primeiras notícias sobre a descoberta da nova cepa.

“A gente não acreditava que o fechamento das fronteiras por causa da pandemia fosse voltar com força. Meu maior receio é que isso cresça muito, não tenha mais nenhum tipo de voo e fiquemos presos como alguns brasileiros ficaram na Tailândia lá no início. Tenho fé que não chegue nesse ponto”, diz Felipe à BBC.

Por estarem mais próximos da Europa do que do sul da África, eles pensaram que não teriam nenhum problema em retornar para Portugal, onde moram há quase quatro anos. Os brasileiros trabalham com produção de conteúdo pelas redes sociais, e na semana passada chegaram a tranquilizar seus seguidores por meio de um vídeo dizendo que estavam seguros e que dificilmente o Marrocos sofreria com ações mais severas.

Os dois, inclusive, já pretendiam estender a viagem e ficar mais dias na região.

Leia Também:  Home office tende a continuar após fim da pandemia

“Não pensei em alterar meus planos e seguimos dormindo e turistando no deserto”, diz Mariana.

Porém, quando chegaram em Marrakech, viram que o cenário era muito pior do que imaginavam.

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

Casal estava no deserto quando vieram as primeiras notícias da variante ômicron

Voos cancelados e preços muito altos

Desde o anúncio do fechamento de todas as fronteiras por parte do governo marroquino, sair do país tornou-se impossível. Mariana e o marido tentaram comprar dois voos em uma companhia low cost (conhecida por ser de baixo custo), mas todos foram cancelados.

A primeira tentativa era embarcar no dia 2 de dezembro, mas poucas horas depois a empresa aérea cancelou a compra. Já a segunda oportunidade, prevista para o dia 9 do mesmo mês, também foi recusada.

Por conta disso, eles até cogitaram atravessar a fronteira e chegar na divisa com a Espanha por meio de um ferry boat. No entanto, todas as saídas do país seguem bloqueadas. No desespero, o casal também pensou em voltar para o deserto e pegar um voo na Argélia de volta a Lisboa.

Por causa da alta demanda, muitas companhias aéreas estão elevando os preços das passagens, chegando a valores exorbitantes. O cancelamento de voos também está ocorrendo de maneira frequente.

“Íamos pagar 10 euros no voo de volta e agora está em torno de 500, sendo que somente uma única companhia aérea está fazendo o trajeto e com direção à França. Não temos esse valor. É muito dinheiro e ainda temos que pagar pelo (teste) PCR”, ressalta Mariana.

Eles temem ainda que o valor continue aumentando, sem possibilitar a compra.

“Estamos monitorando os valores. A Mariana é influenciadora de viagens e entende de compras de passagens. Espero achar uma em conta”, diz Felipe.

A produtora de conteúdo ressalta que permanecer no Marrocos só aumenta a ansiedade, já que não é uma certeza que o país seguirá com as fronteiras fechadas por apenas duas semanas.

Leia Também:  Por que a Terra está refletindo menos luz nos últimos anos?

“Temos um imóvel alugado, então, é muita coisa em jogo. A cada minuto a gente pensa algo diferente. Já pensei em alugar algo para morar aqui, já fiquei nervosa. É tudo muito louco”, conta.

Crédito, Arquivo pessoal

Legenda da foto,

Os brasileiros pretendiam ficar no Marrocos por apenas cinco dias

Ela e o marido seguem hospedados em um hotel com outros viajantes e tentam, na medida do possível, seguir com uma rotina normal.

“Quem mora aqui está tranquilo. Não vejo nenhum tipo de apreensão e poucas pessoas usam máscara. Fomos em um restaurante ontem e pediram um comprovante de vacinação, mas foi só nesse. Nós seguimos trabalhando e saindo quando dá.”

Ajuda da embaixada

Como residem em Lisboa, o casal recorreu à embaixada portuguesa para tentar sair do país. Segundo eles, o órgão consular está dando suporte e informou que disponibilizará um voo com destino a Portugal, mas ainda sem data definida.

A agência de turismo contratada pelos brasileiros também está auxiliando na estadia, mantendo-os em um hotel próximo ao centro de Marrakech.

O casal conta que se não tivesse nenhum tipo de auxílio de Portugal, também entraria em contato com a embaixada brasileira no Marrocos para um possível voo de repatriação.

“Pensamos até em voltar para o Brasil em um desses voos. Seria mais uma saída também”, afirma Mariana.

Procurada pela reportagem, o Itamaraty informou, por meio de nota, que está “acompanhando atentamente a situação dos brasileiros impossibilitados de viajar, prestando-lhes toda a assistência consular cabível.”

Já a embaixada do Brasil no Marrocos informou que em função da propagação rápida da nova variante ômicron, o órgão tem mantido contato por telefone, plantão consular e e-mail com turistas brasileiros retidos neste país.

“Nas últimas 48 horas, 32 nacionais solicitaram apoio consular para retorno ao Brasil”, informou a embaixada em comunicado.

O órgão informou ainda que algumas companhias, como Royal Air Maroc, Air France, Transavia, Iberia, TUI e Air Arabia, anunciaram a realização de voos especiais de retorno a diversos países, sobretudo da Europa. Os brasileiros que procuram a embaixada têm sido orientados a remarcar seus bilhetes ou comprar assentos para os voos especiais dessas companhias.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

BBC

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

Nos siga no Facebook

DISTRITO FEDERAL

ECONOMIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA

Gostou da notícia? Quer mais?

Nos Siga no Facebook 

para mais Notícias

Gostou da notícia? Nos Siga para Mais.