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Pandemia deixa legião de pets órfãos após a morte de tutores

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Abandono de animais é crime de maus-tratos. No caso da morte do tutor, a família deverá se responsabilizar pelos animais

Patricia Pasquini
São Paulo, SP

O golden retriever Martim é uma vítima indireta da pandemia. Do triste passado, sabe-se que ele morava em Itaquaquecetuba (Grande São Paulo) e perdeu seu dono, morto pela Covid-19.

A família não quis mantê-lo. Durante cerca de quatro meses, o cachorro ficou acorrentado sob uma escada do lado externo da casa. Martim desenvolveu um desvio comportamental, medo de homens –possivelmente por sofrer agressões–, dermatite e machucados causados pela coleira e pela corrente.

A sorte dele mudou quando a empresária Sabrina Baruch Negrão Marques, 42, que tem um grupo no Facebook especializado em resgate de cães da raça golden retriever e labrador, recebeu um pedido de ajuda na rede social.
Marques lembrou da jornalista Fernanda de Sal Campos, 39. Havia cerca de um mês, o mascote da família –o golden retriever Theo– tinha morrido envenenado. O filho dela, Joaquim, 8, tinha uma relação sentimental muito forte com o cachorro.

“Perguntei se ela [Fernanda] se interessava em conhecer o Martim, mesmo que fosse para hospedagem temporária, para ver como seria a conexão do Joaquim com o cachorro. Ele foi direto para a casa da Fernanda e de lá não saiu mais. Hoje, ele está adaptado e recebe todo amor e carinho que merece. Para cada dez pessoas ruins, encontramos duas boas, mas precisamos mudar isso e ter mais pessoas boas que ruins”, conta.

Marques observa que na pandemia de Covid-19 houve um aumento no número de casos de abandono de animais após a morte dos tutores, tanto pelo fato de a família não ter interesse em dar continuidade aos cuidados como por causa das perdas financeiras.

“Do quarto mês da pandemia para frente a coisa começou a degringolar. Acho que mudou um pouco a causa do abandono, mas o volume é grande desde sempre. Desde quando a causa animal passou a ser mais divulgada, vejo que as pessoas condicionam o fato de ter gente que resgata os bichos para tornar o abandono mais fácil. Eu vou abandonar porque o protetor vai pegar. Isso nem sempre acontece”, explica Marques.

Abandono de animais é crime de maus-tratos. No caso da morte do tutor, a família deverá se responsabilizar pelos animais, segundo o delegado Bruno Lima, que também é deputado estadual em São Paulo pelo PSL e tem atuação forte na causa animal.

O crime de abandono é previsto na lei federal 9.605/98, que em setembro do ano passado foi substituída pela lei 1.095/2019 (Lei Sansão), que prevê penas mais rígidas, como prisão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar esses animais.

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“Hoje, o indivíduo que é pego praticando qualquer tipo de maus-tratos é preso em flagrante, conduzido à delegacia e o delegado não pode arbitrar a fiança. Já tivemos casos em que a prisão em flagrante por crimes de maus-tratos foi convertida em prisão preventiva. Temos muito mais ferramentas para trabalhar do que tínhamos antes do advento da Lei Sansão”, diz. “Abandono não é só largar o animal na rua. Pode ser deixá-lo um ou dois dias sem comida, preso na coleira e em local insalubre”, afirma Lima.

Os cães Renê e Lia moravam no Jardim Ângela (zona sul de São Paulo). Na semana passada, vizinhos contataram a ONG AdoteDog para dizer que eles haviam sido abandonados após a morte do dono por Covid-19. Nenhum familiar apareceu para cuidar dos cães.

Quando a administradora de empresas Marina Inserra, fundadora da entidade, chegou à casa, encontrou-os muito assustados ao lado de vasilhas para alimento e água vazias.

Atualmente, a ONG abriga 130 cães. Desses, cerca de 5% são frutos de abandono após a morte do dono por Covid-19, segundo. Renê e Lia estão no abrigo e logo serão colocados para adoção conjunta.

Mônica Di Ciomo, 53, uma das fundadoras da ONG Adote um Focinho, afirma que, a cada dez ligações que atende, oito são de pessoas que querem entregar o animal de estimação. Para ela, independentemente do motivo, o pano de fundo é a falta de amor.

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“Nas adoções, quando me falam que o animal é para a mãe, eu pergunto qual a idade e, se acontecer alguma coisa com sua mãe, quem vai ficar com o animal? Todos esses aspectos precisam ser abordados”, afirma.

Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal, afirma que os cães vivem um processo de luto também bastante dolorido ao perder seus tutores.

“Aqueles muito apegados, que são inseguros e não têm convívio com muitas pessoas, sentem mais. Alguns param de comer, perdem o interesse em brincar e nas atividades de que gostavam, podem ficar chorosos. O sistema imunológico deles, por causa do estresse e da falta de alimentação, pode sofrer consequências e eles têm mais risco de desenvolver outros problemas de saúde”, explica.

Para o especialista, a melhor maneira de lidar com o problema é oferecer carinho e amor ao animal, além de momentos prazerosos.

Crimes de maus-tratos podem ser denunciados pelo número de telefone 190. Se o crime já aconteceu, há a opção de entrar na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (www.ssp.sp.gov.br/depa), no site da Secretaria de Segurança Pública. Lá a denúncia pode ser feita anonimamente. O relato gera um protocolo, que é encaminhado à delegacia da área.

As informações são da FolhaPress

Fonte: Jornal de Brasilia

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Mãe de Gael diz não se lembrar da morte do menino

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Advogado afirma que a mulher tem traumas por conta de uma relação abusiva

Gael foi encontrado desacordado e com sinais de violência Foto: Reprodução

Andréia Freitas, mãe de Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, afirma que não se lembra do momento da morte da criança. Segundo Fábio Costa, advogado de defesa da mulher, ela teria relatado um lapso de memória entre a noite de domingo (9) e a tarde da segunda-feira (10). Ela foi presa na madrugada desta terça-feira (11), por suspeita de assassinar o próprio filho.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher foi indiciada por homicídio qualificado por meio cruel.

Andréia disse que se lembra de estar deitada com Gael e sua filha mais velha quando sentiu seu corpo quente. Ela teria ido tomar banho, dormido e acordado apenas no momento em que várias pessoas a tiravam do chuveiro.

O advogado ainda afirmou que a mãe de Gael tem traumas por conta de uma relação abusiva que teve com o pai da sua filha mais velha. Tanto sua vida pessoal, quanto a profissional foram afetadas por estes problemas conjugais, visto que ela não trabalha há muito tempo.

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A mãe de Gael não soube dizer qual foi seu último emprego e, segundo o advogado, ela tem dificuldades com a escrita. Andréia de Freitas tem 37 anos e passará por audiência de custódia no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A defesa afirmou que pedirá o relaxamento da prisão da acusada.

O CASO
A Polícia Civil de São Paulo está investigando a morte de Gael de Freitas Nunes, de 3 anos, ocorrida na manhã desta segunda-feira (10), no bairro dos Jardins, região nobre da capital paulista. A criança foi encontrada no apartamento onde morava com a mãe, desacordada e com sinais de violência.

Gael chegou a ser socorrido, ao ser levado para a Santa Casa de São Paulo, mas não resistiu.

Segundo o boletim de ocorrência, Gael foi encontrado na cozinha pela tia-avó. A mãe do menino estava com ele. A irmã de Gael, de 13 anos, chamou a ambulância.

A Polícia Militar foi acionada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que socorreu o garoto. A suspeita é de que a mulher tenha sofrido um surto psicótico. Segundo relatos, ela estava em estado de choque quando foi encontrada.

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Fonte: Pleno.News
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