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Sobrevivente de pior naufrágio com migrantes no Canal da Mancha relata pesadelo: ‘As pessoas morreram na minha frente’

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Mohamed Isa Omar
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Mohamed Isa Omar foi uma das únicas duas pessoas que sobreviveram ao pior naufrágio envolvendo imigrantes no Canal da Mancha

Há quase uma semana Mohamed Isa Omar foi retirado das águas geladas do Canal da Mancha. Ele foi uma das únicas duas pessoas que sobreviveram ao pior naufrágio envolvendo imigrantes no Canal da Mancha.

Sentado em uma cadeira de rodas em um estacionamento na França, o jovem de 28 anos ainda está claramente traumatizado. Ele fala baixo, ao contar à BBC que está assombrado com o que viu naquela noite.

“Vi pessoas morrendo na minha frente”, disse Mohamed. “Aqueles de nós que não sabiam nadar, afogaram-se e morreram em poucos minutos.”

“Estava tão fria a água, tão fria.”

Mohamed estava entre as pelo menos 29 pessoas que partiram da costa da França por volta das 22h (hora local) há uma semana. Os outros ocupantes eram desconhecidos para ele – simplesmente mais pessoas dispostas a arriscar a perigosa travessia do Canal da Mancha para chegar ao Reino Unido, uma jornada feita por mais de 25 mil migrantes apenas neste ano.

Entre os 27 mortos, havia pelo menos sete mulheres e três crianças.

Todos estavam viajando havia cerca de três horas e meia quando o barco começou a afundar, disse Mohamed.

Nesse momento, os ocupantes que ainda tinham telefones começaram a fazer ligações desesperadas por ajuda. Um outro sobrevivente disse à mídia curda que ligou para os lados francês e inglês do canal.

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“Nossos celulares já estavam na água”, lembrou Mohamed. “Um de nós estava com o celular ainda funcionando, ele ligou e as autoridades [britânicas] lhe disseram para enviar a localização. Mas antes que ele fizesse isso, o celular também entrou na água e não conseguimos enviar nada.”

Crédito, Reuters

Legenda da foto,

Número de imigrantes tentando atravessar Canal da Mancha, que separa Grã-Bretanha do norte da França, bateu recorde neste ano

Mohamed ouviu um segundo homem fazer uma ligação no viva-voz, dizendo que a pessoa do outro lado falava inglês.

“Mas ele também não teve chance”, disse Mohamed ao Serviço Persa da BBC. “A água pegou seu celular também antes que ele mandasse qualquer coisa. É por isso que as pessoas começaram a se afogar e morrer. Eu vi pessoas morrendo na minha frente, mas comecei a nadar. Vi um grande navio ao longe e comecei a nadar em sua direção.”

No entanto, demoraria horas até que Mohamed fosse resgatado. De acordo com o único outro sobrevivente, um iraquiano curdo chamado Mohammed Shekha Ahmed, várias pessoas tentaram se agarrar ao barco esvaziado até o sol nascer.

“Então, quando a luz apareceu, ninguém aguentava mais”, disse ele à rede Rudaw, do Iraque.

Seus corpos foram localizados por um pescador francês quase às 13h de quarta-feira. Uma operação de resgate foi lançada, mas os dois homens foram os únicos que sobreviveram.

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“É por isso que eles encontraram o caminho até nós, nos levaram para o hospital e fomos salvos, graças a Alá”, disse Mohamed. Suas pernas estão enfaixadas, se recuperando de ferimentos sofridos por conta das muitas horas passadas no mar.

Os nomes de todas as vítimas ainda não são conhecidos. Apenas uma pessoa foi publicamente identificada: uma jovem que esperava se reunir com seu noivo. Entre os desaparecidos estão uma mãe e seus três filhos – incluindo uma menina de apenas sete anos.

Ambos os homens que fizeram as ligações morreram, disse Mohamed. Não está claro com quem falaram quando pediram ajuda, ou onde eles realmente estavam.

Os restos do barco e seus ocupantes estavam em águas territoriais francesas quando a Guarda Costeira foi solicitada para socorro.

Um porta-voz do governo britânico disse: “Os franceses lideraram uma operação de busca e resgate em um incidente que ocorreu nas águas territoriais francesas na quarta-feira, 24 de novembro, em que 27 pessoas morreram tragicamente. Como parte dessa operação, os franceses solicitaram apoio do Reino Unido, que foi fornecido pela Guarda-Costeira assim que foi solicitado.”

Um porta-voz da Agência Marítima e Guarda-Costeira disse que, naquela data, receberam “mais de 90 alertas, incluindo 999 chamadas de emergência do Canal da Mancha, e respondemos a todos eles”.

“A Guarda-Costeira não entra rotineiramente em águas francesas, a menos que seja chamada a ajudar com uma resposta por nossos parceiros de busca e resgate na França, como fizemos na semana passada”, disse o porta-voz à BBC.

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Processo contra Vale na tragédia de Brumadinho pode voltar à estaca zero

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Área inundada pela lama após rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho. Foto: Divulgação/Cemig
TRÊS ANOS DE IMPUNIDADE

Tragédia ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e familiares aguardam responsabilização

Apesar da morte de 272 pessoas, da destruição do rio Doce com 800 quilômetros de extensão e da perda de centenas de lares, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou, mais uma vez, que a Justiça estadual não tem competência para julgar o caso da tragédia de Brumadinho.

Se a decisão do STJ for mantida, os atos processuais já existentes e em trâmite serão anulados e o processo não seguirá o rito de federalização para análise no Supremo Tribunal Federal. Sendo assim, retoma à estaca zero.

Manifestações

Nesta terça-feira, a partir das 11h, um ato conduzido pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum) traz à lembrança os parentes e amigos perdidos no desabamento da barragem.

Ontem (24), familiares integrantes da Avabrum realizaram uma carreata para pressionar a Justiça de manter o processo ativo nas demais instâncias.

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Na página que o grupo mantém na internet, há uma nota em oposição à decisão do STJ. “O crime aconteceu aqui em terras mineiras e não há motivo para a federalização do processo. Os responsáveis por esse crime odioso querem escolher quem vai julgá-los e isso é inaceitável. Não cabe ao réu escolher o foro de seu julgamento”.

Processo

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia contra a Vale e a Tüv Süd, empresa de consultoria alemã. A Justiça estadual acatou a denúncia no início de fevereiro de 2020, um ano após a tragédia ocorrer na cidade de Brumadinho.

Em setembro, foi aberto prazo de 90 dias para que os 16 réus apresentassem suas defesas, a juíza Renata Nascimento Borges também entendeu que os espólios de 36 vítimas poderiam atuar como assistente da acusação do MPMG.

Em outubro de 2021, um ano e oito meses depois o início da tramitação, todos  integrantes da sexta turma do STJ entenderam, que o caso não é da competência da Justiça estadual.

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Para os cinco magistrados, o julgamento deveria ocorrer de forma federalizada por envolver falsas declarações prestada a órgãos federais, pelo descumprimento da Política Nacional de Barragens e por possíveis danos a sítios arqueológicos, que são patrimônios da União.

Fonte: Diário do Poder
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