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A honestidade ímpar de um jornalista: Ele ‘contrariou a legenda’ e deu a notícia correta aos telespectadores

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Amanda Nunes Brückner


(Marcelo Rocha Monteiro – Procurador do MP/RJ)

Vejam como é preciso ter cuidado com as informações que recebemos da mídia, especialmente nestes tempos de pandemia.

A CNN vem fazendo uma cobertura jornalística da crise sanitária infinitamente mais honesta do que a do grupo Globo, o qual, basicamente, desistiu do jornalismo e passou a fazer uma campanha histérica pelo isolamento horizontal e de ataque – ou simplesmente censura – contra quem ousar ter opinião diferente.

Mesmo assim, reparem o que ocorreu agora há pouco na CNN: o jovem casal de âncoras chamou o (ótimo) comentarista Leandro Narloch para explicar a razão pela qual, segundo os dois jovens jornalistas, a suposta “falta de testes poderia esconder taxa de letalidade MAIOR” (exatamente como está escrito com letras pretas na faixa branca, na imagem acima).

Entra então o Narloch e, corretamente, mostra exatamente o contrário:

a falta de testes faz com que se trabalhe com um número oficial de doentes (não de mortes, vejam bem) muito MENOR que a realidade.

Como a taxa de letalidade é obtida dividindo-se o número de DOENTES pelo número de MORTES, sendo o número real de doentes MAIOR do que o oficial, o índice de letalidade real é muito menor que o oficial.

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Oficialmente, estão morrendo cerca de 7% dos que adoecem.

Na realidade, porém, estariam morrendo cerca de 0,3% do número REAL de doentes.

Claro que é possível que haja algum caso de morte por coronavírus não notificado por não ter sido testado.

É evidente, porém, que o número de pessoas vivas que não se consegue testar é infinitamente MAIOR que o número de mortos que não se consegue testar – por motivos óbvios.

Em resumo: o telespectador da CNN ouviu do comentarista (correto) o exato oposto do que lia na leganda (errada).

Dá pra melhorar, pessoal. Dá pra melhorar.

Postagem: http://temporarioegnews.com.br

Fonte: Diário do Brasil

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CPI da Covid: ex-ministro Nelson Teich diz que pediu demissão por falta de autonomia e discordância sobre cloroquina

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Em depoimento a senadores, segundo ministro da Saúde do governo Bolsonaro esclareceu sua atuação frente à pasta em meio à pandemia

Ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Nelson Teich, afirmou que deixou a pasta por falta de autonomia e por não concordar com a extensão do uso da cloroquina para o tratamento de pacientes com a Covid-19. A declaração foi dada durante depoimento do oncologista à CPI da Covid, no Senado, nesta quarta-feira (5).

Teich afirmou que, durante os 29 dias em que esteve à frente do Ministério da Saúde, não foi pressionado diretamente por Bolsonaro para o uso do medicamento, mas que o posicionamento do presidente e declarações favoráveis à cloroquina em lives e à imprensa, por exemplo, foram determinantes para que o então ministro pedisse demissão.

“Minha convicção pessoal, baseada nos estudos, é de que, naquele momento, não existia evidência de eficácia para se liberar [a cloroquina]. Existia um entendimento diferente do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que autorizou a extensão do uso, e isso foi o que motivou a minha saída. Sem a liberdade para conduzir o ministério, conforme as minhas convicções, optei por deixar o cargo”, explicou.

O uso da cloroquina foi o assunto mais explorado pelos senadores durante o depoimento de Nelson Teich. O ex-ministro reafirmou várias vezes que é contrário ao uso do fármaco para o tratamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e desaprovou orientações para administração da cloroquina do Conselho Federal de Medicina (CFM) e o uso por outros médicos.

“Eu não sei dizer porque os médicos prescrevem, já que existe um consenso das principais autoridades internacionais em relação ao medicamento, mas eu classifico a prescrição como inadequada ou errada”, avaliou.

CPI da Covid: saiba o que disse o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, nesta terça (4)

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Pazuello

Relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB/AL) perguntou a Teich se a entrada do general Eduardo Pazuello, como secretário-executivo do Ministério da Saúde à época — mais tarde ele se tornaria ministro — ocorreu por imposição do presidente.

O oncologista afirmou que Bolsonaro indicou o nome de Pazuello e que ele passou por uma entrevista antes de assumir o cargo. “Se tivesse sido imposto, sairia [pediria demissão] com uma semana ao invés de um mês”. Teich conta que concordou com a indicação de Pazuello para a pasta, porque o órgão enfrentava problemas de distribuição de equipamentos e insumos para estados e municípios.

“Me parecia que naquele momento em que eu precisava de agilidade na distribuição, para ajudar no problema de EPI’s, respiradores, me pareceu que ele poderia atuar bem, como alguém que tinha experiência em estruturar operações complexas rapidamente”, lembrou.

Arte: Brasil 61

Plano para a pandemia

O ex-ministro destacou que tinha um plano de distanciamento social preparado, tendo como base estratégias que deram certo em outros países para conter o avanço da doença. Ele disse que não se tratava nem do isolamento horizontal (solução proposta por parte das autoridades científicas), nem do isolamento vertical, defendido pelo presidente Bolsonaro, por exemplo.

“No período curto, iniciamos um programa de controle de transmissão. Um programa de testagem e um que avaliava o distanciamento. A ideia era a elaboração de um protocolo nacional, trabalhar a parte de testagem, isolamento, rastreamento e quarentena”, disse.

Vacinas

Os senadores também indagaram Teich sobre como o ex-ministro atuou na aquisição de vacinas no período curto em que comandou a pasta. Assim como Mandetta, ele afirmou que não havia imunizante pronto à época, mas que fez contatos iniciais com alguns laboratórios para antecipar estratégias.

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“A minha preocupação era que a gente entrasse no circuito de desenvolvimento. Foi quando eu trouxe a vacina da AstraZeneca/Oxford para o Brasil ser um dos braços do estudo, na expectativa de que a gente tivesse a compra facilitada no futuro.”

Teich também afirmou que conversou com representantes das empresas norte-americanas Moderna e Jansen, mas que não pôde dar continuidade aos projetos, devido à sua demissão.

Atuação de estados e municípios

Parlamentares mais ligados ao governo questionaram o ex-ministro sobre o desvio de recursos da União por autoridades de estados e municípios no enfrentamento à pandemia. “Qualquer uso indevido do dinheiro público é ruim e vai ter consequências que vão ser analisadas através de documentos. O Brasil como um país que não é rico, o uso indevido sempre é prejudicial para a sociedade e para o sistema de saúde”, afirmou.

Teich também disse que o fechamento de hospitais de campanha por governadores e prefeitos pode ter sido precipitada. “Faltou planejamento nessa saída. O ideal é que desativassem algumas coisas que estivessem ociosas, mas que tivesse condições de reativá-las caso fosse necessário”, opinou.

Confira abaixo mais frases do ex-ministro Nelson Teich durante o depoimento na condição de testemunha à CPI da Covid:

Imunidade de rebanho

“Essa tese de imunidade de rebanho onde você adquire imunidade através do contato, e não da vacina, é um erro. A imunidade você vai ter através da vacina, não através de pessoas sendo infectadas. Isso não é um conceito correto.”

Economia

“O que aconteceu e eu achei muito ruim: economia foi tratada como dinheiro e empresa e a saúde como vidas, sofrimento e morte, mas na verdade tudo é gente. Quando você fala da economia você não está falando de empresas, está falando de gente.”

Fonte: Brasil 61

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