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Hackers foram contratados para fraudar mais de R$ 1 milhão em multas no DF

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Metrópoles apurou que o servidor do Detran-DF Cláudio Rodrigues de Queiroz foi preso durante a Operação Backdoor

PCDF/DIVULGAÇÃO

Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal é suspeito de cancelar indevidamente mais de R$ 1 milhão em multas de trânsito. A apuração indica que os criminosos montaram um complexo esquema envolvendo fraudes, corrupção de servidores públicos e crimes cibernéticos. Os investigados teriam contado com auxílio de hackers para invadir o sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

Foram cumpridos cinco mandados de prisão e oito de busca em residências e no local de trabalho dos investigados. Segundo as apurações, há indícios de que as fraudes foram realizadas pelos hackers por meio de uma falha no sistema on-line do Detran.

Os criminosos se aproveitaram da vulnerabilidade e conseguiram cancelar multas, bem como retirar restrições judiciais e administrativas, permitindo, inclusive, o licenciamento e a transferência de propriedade de veículos com pendências.

servidor cedido ao Detran-DF que foi preso é suspeito de repassar informações internas a ex-despachantes que realizavam as fraudes. A Polícia Civil acredita que os crimes eram encomendados pelos proprietários dos veículos a intermediários que, por sua vez, solicitavam aos hackers a alteração no sistema Getran.

Assista:

Veja imagens da operação:

O laudo pericial produzido pelo Instituto de Criminalística da PCDF, por meio da Seção de Perícias de Informática, apontou que o montante dos valores das multas canceladas indevidamente chega a R$ 1.371.658,99.

Os suspeitos agiram entre os meses de maio de 2019 a janeiro de 2020, segundo a PCDF. As multas pertenciam a um total de 612 veículos. As restrições judiciais e administrativas desbloqueadas utilizando o mesmo modus operandi pertenciam a um total de 80 veículos.

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Backdoor

O nome da operação faz referência ao Backdoor, um programa malicioso usado para permitir ao agressor remoto acesso não autorizado a um sistema privado de informações. Ele explora as vulnerabilidades de segurança. Um Backdoor trabalha em segundo plano e os criminosos conseguem acessar o computador comprometido sem que o usuário perceba.

É muito semelhante a outros vírus malware e também algo difícil de detectar. O agressor pode utilizar um backdoor para espionar atividades on-line, acessar arquivos e pastas, controlar todo o sistema operacional e atacar outros computadores.

Em 2013 esse recurso ganhou notoriedade quando Edward Snowden revelou um esforço de décadas pela agência de espionagem norte-americana, em parceria com a GCHQ da Grã-Bretanha, para pressionar empresas a instalar backdoors em seus produtos, principalmente os fabricantes de sistemas de criptografia. Assim, esses acessos secretos permitiam que as agências de inteligência conseguissem contornar as proteções de segurança e, dessa forma, tivessem acesso a sistemas e a dados.

O que diz o Detran?

Por meio de nota, o Detran-DF afirmou que “as investigações são realizadas pela Polícia Civil do Distrito Federal” e que “continuará colaborando com as informações solicitadas.”

Esclareceu também que o servidor detido “não é do quadro da autarquia, mas, sim, cedido da antiga Seplag, e que será devolvido ao seu órgão de origem imediatamente”, diz o texto.

Denúncia

Em fevereiro deste ano, o Metrópoles revelou que ao menos 50 mil infrações tinham sido anuladas irregularmente. Para conferir legalidade ao procedimento clandestino, os suspeitos usavam o mesmo número de processo, que, na verdade, não existe. Os investigadores suspeitam de que 16 pessoas integrem o suposto esquema.

Em apenas um dos casos, um único veículo conta com 55 penalidades invalidadas. Outro carro soma 47 cancelamentos. Há, ainda, dois automóveis com 25 e 24 infrações suspensas.

Segundo funcionários públicos ouvidos pela reportagem, o volume de cancelamentos aumentou nos últimos meses. Um dos acontecimentos foi detalhado em memorando enviado ao coordenador regional de Policiamento e Fiscalização de Trânsito Oeste (Copol).

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De acordo com o documento, em 10 de novembro de 2019, uma equipe foi acionada para verificar denúncia de que havia um condutor supostamente embriagado trafegando em via pública nas proximidades da Quadra 516 de Samambaia Sul.

Tão logo chegaram ao local, os agentes do Detran abordaram o veículo e constataram que o motorista não tinha Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e apresentava “nítidos sinais de embriaguez”. Além disso, o automóvel não estava licenciado.

Foram lavrados três autos de infração correspondentes à legislação de trânsito e o veículo acabou removido ao depósito do órgão em Taguatinga.

Em 27 de novembro, os agentes verificaram que os três autos de infração tinham sido extintos, assim como outros dois emitidos pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). No campo “motivo do cancelamento”, constava, como justificativa, que o carro tinha placa clonada.

A equipe compareceu ao depósito e foi informada pelos plantonistas que o automóvel não tinha qualquer adulteração em seus sinais identificadores, ou seja, tratava-se de um carro original.

Diante da possível irregularidade, os servidores do Detran pediram a apuração dos fatos, a adoção das medidas necessárias ao recadastramento das autuações, bem como a responsabilização dos envolvidos em procedimentos administrativos (veja documentos abaixo).

Em nota, o Detran-DF informou que as investigações são realizadas pela PCDF e que “apoia apenas com as informações necessárias”.

ARQUIVO PESSOALArquivo pessoal
Documento comprova que a denúncia é apurada pelo Departamento de Trânsito
ARQUIVO PESSOALArquivo pessoal
Exemplos de multas canceladas e questionadas pelos servidores por suposta fraude
Fonte: Metropoles
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A ética da responsabilidade como atributo do estadista

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Salin Siddartha

Cabe aos governantes do Distrito Federal ser a voz da razão para afirmar Brasília como espaço de liberdade responsável pelo seu desenvolvimento econômico e social. O grau de racionalidade das políticas sociais deve ser adaptável às vocações das Regiões Administrativas do DF como um todo, bem como precisa estar sintonizado com certos aspectos irracionais do comportamento dos agentes políticos a fim de compensá-los com ajustes de previsão, percepção e resolução, já que nem tudo é sempre racional e a forma como as escolhas são estruturadas se torna importante para a tomada de decisões políticas.

Uma coisa é certa: a defasagem entre aquilo que os quadros políticos do governo sabem e aquilo que pensam que sabem é sempre perigosamente elevada. Dessa forma, aquilo que não se sabe é mais relevante do que aquilo que se sabe. Todavia o governante tem mais responsabilidade pelos resultados dos seus atos do que os outros cidadãos, pois a ética da responsabilidade é um atributo do estadista.

É claro que muitos problemas são imperceptíveis, principalmente quando os governantes se mantêm a distância das comunidades, sem observar in loco o que está acontecendo. Sendo assim, é de bom alvitre o contato permanente com a comunidade e o funcionamento deveras participativo da população no poder local.

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A tendência lenta, embora gradual, com que um problema começa a manifestar-se pode ser assaz imperceptível para que se possa prever o desastre que ele possa causar – como no caso da formação de ilhas de calor em nossas áreas urbanas e diversos problemas ambientais que, devagar, mas constantemente, foram espraiando-se pelo Distrito Federal e continuam a ameaçar, cada vez mais, nossa sustentabilidade ambiental. São normalidades deslizantes ocultas por trás de flutuações confusas que não só foram mas também vão deteriorando, aos poucos, a cidade, tornando difícil perceber um futuro que pode ser dramático para a sociedade brasiliense.

A incapacidade de resolver um problema, mesmo após ter sido previsto e percebido dá-se, em muitas ocasiões, pela atitude egoísta, em benefício próprio das oligarquias locais, mesmo que por intermédio de um comportamento nocivo à sociedade. É um sintoma imoral motivado pela perspectiva gananciosa de auferir maiores ganhos financeiros e patrimoniais à custa de perdas irreparáveis à Capital da República.

Note-se o mal que a especulação imobiliária fez em Águas Claras com relação à sustentabilidade do DF em questões como caos urbano, atravancamento do sistema de transporte, congestionamentos, falta de mobilidade e acessibilidade, prejuízos ao meio ambiente. A falta de comedimento leva a própria população a invadir áreas públicas sob o pretexto de que “o vizinho o fez, então eu também irei fazê-lo!”; o pior é que objetivos eleitoreiros conduzem maus políticos a regularizarem tais invasões, para prejuízo e destruição do bem comum das gerações futuras.

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É comum não se tentar resolver problemas já percebidos pelo simples fato de que a manutenção de tais problemas é boa para uma parte das elites poderosas desta cidade. É preciso que se abandonem valores arraigados na cultura e na história da população quando eles passam a ser incompatíveis com a sobrevivência coletiva. Os problemas que aqui apontamos devem servir de alerta também para outras cidades do País. São posturas assim que fazem com que certas sociedades sejam bem sucedidas e sobrevivam felizes pela história adentro, enquanto outras, por efetuarem escolhas erradas, fracassam e deixam de existir.

Fonte: http://temporarioegnews.com.br

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