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Marília Mendonça: Mulher com M maiúsculo

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Antonio Carlos Prado

Ela criou uma nova sensibilidade feminina na música. Suas composições talvez passem com o tempo, como passam amores eternos e amores traídos. Mas a revolução artística que M.M. promoveu, essa veio para ficar

BRASILEIROS DO ANO

Marília Mendonça – Música

O Desespero da Piedade é um dos poemas mais bem construídos por Vinicius de Moraes, entre a infinidade de poesias perfeitas que ele nos legou perscrutando os mistérios da alma humana nas relações amorosas, os impasses do desejo, a pouca alegria e a muita tristeza dada à inevitável efemeridade dos encontros. Em Desespero da Piedade, Vinicius sentencia sem medo da generalização: “o homem não presta, não presta, meu Deus!”. Trata-se da demolição do homem machista, e igual desconstrução sociológica e psicológica desse homem tão cotidiano, tão comum, tão mágico na chegada e tão nada na partida é encontrada no trabalho artístico que levou ao auge do sucesso a cantora Marília Mendonça, homenageada, postumamente, pela Editora Três, na categoria “Brasileira do Ano na Música”. Ela deixou-nos precocemente, mas senhora de uma eternidade de conhecimento sobre a emoção das mulheres que acabam amando mais do que podem amar, justamente porque amam o “homem que não presta”. A prova disso é a sua própria tia, que foi traída e inspirou-lhe a composição Infiel. Nela está a marca da genialidade. Marília colocou o “homem que não presta” no cancioneiro sertanejo e revolucionou não apenas esse gênero como criou, ao mesmo tempo, uma nova sensibilidade de mulher na música popular.

Há quem faça pendular na mente, no espanto das insônias, a imagem de uma mulher que, diante das desesperadas súplicas de um homem ajoelhado a seus pés, fique olhando para as palmas das mãos, dedos voltados para elas, e lamente baixinho consigo mesma: “acho que lasquei minha unha”. Essa mulher é desprovida de empatia? Não. Ela apenas castiga com a indiferença do desdém o “homem que não presta”. A mulher da obra de Marília também castiga, mas com objetividade. Vale o cotejamento, ainda, com a mulher abandonada que a talentosa Maysa Matarazzo cantava. Sua personagem é outra, é a figura feminina submissa que sofre: “meu mundo caiu, quem me fez ficar assim, você conseguiu, e agora diz que tem pena de mim (…)”. Em Marília — dois M maiúsculos de mulher, um no prenome, outro no sobrenome —, o ser feminino não é indiferente nem é submisso, não existe nele a ironia fria da unha lascada nem a resignação: “se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar”. O ser feminino é sacudido, torna-se protagonista de sua dor nos relacionamentos fracassados, e, mais que isso, ganha a coragem de dizer que homem traidor é “homem que não presta”. Descalça nos palcos (à moda da cantora De Kalafe com suas músicas de protesto nos anos 1960), Marília abre a garganta: “pus as malas lá fora e ele ainda saiu chorando (…) iê infiel, eu quero ver você morar num motel, estou te expulsando do meu coração, assuma as consequências dessa traição”. As músicas de Marília Mendonça — assim como todos os amores eternos ou todas as traições — passarão com o tempo. Mas a revolução e a criação de uma nova sensibilidade poética e musical, essas ficarão para sempre. Foi inaugurado um novo gênero artístico na música. E o mérito é de M. M.

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Leonina do primeiro dia do zodíaco

Marília Mendonça subiu para a eternidade das grandes estrelas da música brasileira graças ao seu talento. Falar somente talento parece pouco, mas, na verdade, não é. Talento é destino. Ao ouvir o conjunto da obra de Marília Mendonça bate o sentimento de que ela, desde recém-nascida na pequena cidade goiana de Cristianópolis, em 22 de julho de 1995 – dia que abre o signo leonino no zodíaco —, veio ao mundo para fazer mesmo uma revolução artística e logo descansar — e descansou precocemente aos 26 anos, a 5 de novembro de 2021, vítima de um acidente de avião em Minhas Gerais. Falou-se em talento, vamos traduzi-lo. A sua composição “Infiel” foi a mais ouvida em 2016. Um ano depois, todas as músicas, por ela compostas ou só interpretadas, eram as mais executadas. Em 2019 e 2020, Marília consagrou-se como a campeã das mais diversas plataformas de streaming. Ainda em 2020, é dela o clipe mais assistido: “Bem pior que eu”, com 527 milhões de visualizações. Os seus vídeos, reunidos, alcançaram a marca de 14 bilhões de streams. Como se disse, talento não é pouca coisa não.

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Fonte: IstoÉ

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Natalia Pasternak: A prioridade agora é levar vacina aos países mais pobres

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Eudes Lima

Graças ao trabalho de cientistas como Natalia Pasternak, a população brasileira se vacinou em massa contra a Covid e os impactos da doença foram freados. A meta agora é expandir esses resultados para os países mais pobres

Quando a microbiologista Natalia Pasternak foi homenageada na edição “Brasileiros do Ano” da ISTOÉ, em 2020, o planeta observava a alta de mortes por Covid e assistia ao debate sobre a vacinação como única alternativa para o controle da pandemia. Passado um ano, a láurea se renova à Natalia como uma representante da ciência e do bom senso, entre os homenageados de 2021. A pesquisadora atua como professora visitante na Columbia University, nos EUA, e preside o Instituto Questão de Ciência (IQC), aqui no Brasil, além de ser colunista em diversos veículos de comunicação. A relevância do trabalho levou a cientista a ser consagrada com vários prêmios no Brasil e exterior. A BBC acaba de indicá-la como uma das 100 mais influentes e inspiradoras mulheres no mundo. Hoje, graças à militância de cientistas por todo o planeta e conscientização das pessoas, o coronavírus está em declínio e grande parte dos países está em processo avançado de vacinação. Nesse cenário, o Brasil é um exemplo, influenciado pela qualidade de cientistas como Natalia.

A microbiologista é uma entusiasta da comunicação da ciência. Esse foi o principal motivo pelo qual ela fundou o IQC, em 2018. Ela não podia prever o quanto a iniciativa iria contribuir com o País em tão pouco tempo. Natália é uma voz com a clareza necessária para explicar os cuidados que podem evitar a contaminação pelo coronavírus, sempre apresentando uma versão inteligível ao senso comum. A boa comunicação salvou vidas. A pesquisadora credita o sucesso da vacinação a um projeto de longo prazo. “A pandemia mostrou que o investimento durante 50 anos em comunicação e valorização das campanhas de vacinação formaram a consciência da população que aderiu, mesmo com um presidente dizendo que os imunizados se transformariam em jacaré ou pegariam Aids”. Num cenário em que a maior autoridade do País fez tudo ao inverso do que os brasileiros precisavam, a contraposição foi fundamental.

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O novo foco da cientista é ampliar o olhar dos líderes mundiais para os países mais pobres. “É preciso organizar uma ação humanitária global para vacinação em massa, caso contrário, novas variantes da Covid continuarão surgindo”, explica. Natalia diz que a ômicron parece ser menos agressiva, mas que ainda precisa ser estudada e não pode ser ignorada. Ciente dos anseios daqueles que ficaram tanto tempo por isolamento social, ela diz que as pessoas precisam comemorar cada vitória. “Já dá para celebrar com a família no fim de ano, mas as festas públicas com multidões como Réveillon e Carnaval podem mais um ano.” O ano de 2022 traz muitas expectativas com a eleição presidencial e Natália é cética quanto à maturidade adquirida pela população durante a pandemia. Ela entende que, com a redução do problema, o cidadão comum tende a esquecer a importância da ciência. “Mas eu gostaria muito de ver o debate do investimento em pesquisa ser pautado de uma forma séria por todos os candidatos à Presidência”.

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Influência internacional

A microbiologista Natalia Pasternak tem ampliado a influência das pesquisas brasileiras na comunidade científica internacional com uma rara qualidade entre os acadêmicos: a capacidade de traduzir estudos de alta complexidade para um público que é leigo. A pedido das Organizações das Nações Unidas (ONU), ela integra a Equipe Halo, que divulga a importância das vacinas por meio da plataforma TikTok. Atua em pesquisas na Universidade da Columbia e reside em Nova York. A distância geográfica, no entanto, não diminuiu a importância da pesquisadora no combate à pandemia no Brasil, ao contrário: Natalia fortalece o bom nome da ciência brasileira no campo da imunização. Ela é inspiração para as novas gerações que assistiram o debate científico vencer o negacionismo espalhado por meio de fake news. O reconhecimento do seu trabalho veio com prêmios e, principalmente, com resultados: milhões de vidas foram salvas pela vacina.

Fonte: IstoÉ

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