O Legado de Obras e o Aprendizado de Agnelo Queiroz: "O que fica é o serviço prestado", tudo isso no Canal EG NEWS
Em entrevista recente ao podcast "Lado a Lado Polícia e Comunidade" no Canal EG News, apresentado pelo Delegado Laércio, Agnelo Quairoz, que hoje atua como professor de medicina e cirurgião, defendeu que, embora tenha sido responsável por obras de grande porte que marcaram a capital, como a expansão da rede de saúde, a construção de creches públicas e a ampliação do tempo integral nas escolas, faltou à sua gestão, em retrospecto, uma comunicação que traduzisse a magnitude dessas entregas para a população.
Em um momento em que o Distrito Federal discute os rumos de sua gestão e os nomes que se apresentam para o cenário político de 2026, o ex-governador Agnelo Queiroz (PT) reapareceu no centro do debate público para revisitar sua trajetória e, principalmente, defender seu legado.
Durante o bate-papo, Agnelo destacou que sua marca como gestor foi a continuidade de políticas públicas que mudaram vidas, independentemente de ideologias.
A gestão de Agnelo Queiroz como governador do Distrito Federal (2011–2014) foi marcada por grandes projetos de infraestrutura urbana, muitos dos quais vinculados à preparação de Brasília para a Copa do Mundo de 2014. Abaixo estão listadas as principais obras e programas de estrutura urbana realizados no período:
Principais Realizações e Obras
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Saúde e Estrutura Hospitalar:
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Ampliação e Gestão: O ex-governador enfatizou a contratação de quase 16 mil profissionais da saúde por concurso público e a manutenção da gestão pública direta em unidades estratégicas.
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UPAs: Destacou a criação e implementação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no Distrito Federal para desafogar os hospitais regionais.
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Hospital da Criança de Brasília: Reforçou a inauguração do hospital como um marco de referência, mencionando que, em seus primeiros anos, alcançou milhões de procedimentos com excelência e que, em 15 anos realizou mais de 8 milhões de procedimentos, sendo hoje uma referência nacional. Ele enfatizou que sua gestão não apenas construiu novas unidades, mas otimizou o uso de salas cirúrgicas (como no Hospital de Base) e criou mutirões que zeraram filas de espera.
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Mutirões de Cirurgias Eletivas: Citou a realização de quase 7 mil cirurgias eletivas feitas no período noturno, utilizando a estrutura já existente da rede pública.
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Rede de Atendimento ao Câncer: Mencionou o uso de "Carretas da Mulher" para diagnóstico precoce de câncer de mama e colo de útero, além da implementação da reconstrução mamária imediata no mesmo ato cirúrgico.
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SAMU e Salas Vermelhas: Destacou a estruturação do SAMU e a criação de salas vermelhas nos hospitais, integradas ao atendimento pré-hospitalar para reduzir o tempo de resposta em casos graves.
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Educação:
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Escola em Tempo Integral: O desafio de implementar o ensino integral em quase metade da rede pública do DF na época, buscando o modelo de desenvolvimento cognitivo e social proposto por Anísio Teixeira. Apontou que, ao final de seu mandato, 48% das escolas públicas do DF funcionavam em tempo integral, incluindo a construção de creches públicas e a erradicação do analfabetismo, reconhecida pelo MEC.
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Escolas Parque: Citou o resgate e a implementação do conceito de escolas parque em cidades como Ceilândia, oferecendo atividades de contraturno (esportes, reforço, cultura).
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Segurança Pública:
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Investimento em Pessoal e Equipamentos: Destacou a contratação de quase 5 mil policiais militares e o investimento pesado em tecnologia e infraestrutura para as polícias Civil e Militar, incluindo a renovação da frota de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros.
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Monitoramento: Mencionou a criação de um centro de monitoramento urbano com câmeras, estruturado para a Copa do Mundo, que permanece em uso.
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Ressocialização: Apontou o fechamento de unidades de internação de menores que funcionavam como "depósitos de infratores" e a substituição por unidades descentralizadas, focadas em ressocialização, educação e integração com os órgãos de justiça.
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Esporte e Leis Nacionais:
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Lei Agnelo-Piva: Ressaltou a criação da Lei Bolsa Atleta, que destina percentuais das loterias ao esporte olímpico e paraolímpico, garantindo financiamento contínuo para atletas brasileiros, transformando o Brasil de uma posição secundária para uma potência mundial.
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Principais Obras e Projetos de Infraestrutura
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Estádio Nacional Mané Garrincha: A obra de maior visibilidade do período, reconstruída para sediar a Copa do Mundo de 2014, sendo o principal projeto de mobilidade e intervenção urbana do governo.
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BRT (Expresso DF): Implementação do sistema de transporte de alta capacidade que liga a região do Gama e Santa Maria ao Plano Piloto, visando a integração e a melhoria da mobilidade urbana no Distrito Federal.
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Centro Administrativo do GDF (Centrad): Complexo construído em Taguatinga com o objetivo de concentrar as secretarias e órgãos do governo, visando a eficiência administrativa e o desenvolvimento daquela região.
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Jardins Mangueiral: Desenvolvimento de projeto habitacional e de infraestrutura urbana voltado para a criação de um novo bairro planejado, integrando moradia e serviços básicos.
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Regularização da Estrutural: Em 2011, o governo assinou o decreto de regularização fundiária da região, um marco para o ordenamento territorial e a garantia de infraestrutura básica para a área.
Programas de Manutenção e Melhorias Urbanas
Além das grandes obras estruturantes, a gestão focou em programas de recuperação da malha viária e melhorias pontuais:
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Programa Asfalto Novo: Iniciado para recuperar a malha asfáltica tanto no Plano Piloto quanto em diversas regiões administrativas. O programa envolvia o fresamento e recapeamento de vias principais e secundárias.
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Programa Acelera DF: Lançado em 2013, consistiu em um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 1,9 bilhão destinado a diversas áreas, incluindo obras de saneamento básico e mobilidade urbana em várias cidades do DF.
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Obras em Regiões Administrativas: Diversas intervenções locais foram realizadas durante o quadriênio, como a pavimentação de avenidas e quadras (exemplo: Avenida Vargem da Benção no Recanto das Emas) e a construção de equipamentos públicos, como unidades da Polícia Militar.
A Lição sobre Comunicação e Futuro
Ao ser questionado sobre o motivo de sua reeleição não ter sido consolidada na época, Agnelo reconheceu, nas entrelinhas da conversa, que a execução técnica e o foco no resultado diário muitas vezes sobrepuseram a necessidade de "vender" essas conquistas. "Eu nunca usei a medicina para questões eleitorais", pontuou, indicando uma postura que, embora ética, pode ter deixado vácuos na percepção pública sobre o volume de obras entregues.
Hoje, como pré-candidato a deputado federal, o médico se apresenta com uma nova estratégia: usar sua experiência acumulada no Executivo e no Legislativo para atuar em Brasília. "Não temos o direito de não contribuir", afirmou, propondo uma política voltada ao diálogo e à resolução prática dos problemas do Distrito Federal.
Com a bagagem de quem já ocupou os cargos de deputado distrital, federal, ministro do Esporte e governador, Agnelo aposta que o eleitorado está mais atento a "serviços prestados" do que à polarização política, defendendo que o futuro de Brasília deve ser construído sobre o pilar da eficiência e da empatia com os cidadãos que mais precisam dos serviços públicos.
A entrevista, disponível na íntegra no canal EG NEWS, abordou também sua visão sobre os desafios atuais da capital e suas propostas como pré-candidato a deputado federal, com foco especial na preservação do Fundo Constitucional e no resgate do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal.
Vídeo de referência: Ex-Governador Agnelo Queiroz, fala porque quer voltar a politica do DF
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