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Ze Dirceu sobre briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro: “o que tem a ver com o Brasil?”

Por Redação 28/06/2026 às 12h40 • Atualizado em 28/06/2026 às 09h44
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Diego Feijó de Abreu

Zé Dirceu enquadrou nesta quinta-feira (25) a briga pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro como uma disputa familiar pelo espólio político de Jair Bolsonaro. Em postagem no X, o ex-ministro da Casa Civil afirmou que o bolsonarismo “não é um projeto de país” e resumiu o conflito como uma briga por “poder” e “herança eleitoral”.

A manifestação ocorreu após Michelle acusar o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado em uma conversa sobre as articulações do PL. A crise, como mostrou a Fórum, expôs o racha entre a ex-primeira-dama, o senador e aliados da família Bolsonaro.

https://x.com/ZeDirceu_/status/2070177836652978530

Zé Dirceu mira Michelle e Flávio Bolsonaro

No texto, Dirceu questiona a relevância pública da disputa. “Michelle critica Flávio, diz que foi desrespeitada e maltratada, que ele não quer o apoio dela. A pergunta é simples: o que isso tem a ver com o povo brasileiro e os problemas do Brasil? Nada”, escreveu.

O ex-ministro também afirmou que a crise interna expõe uma disputa pelo controle da máquina política bolsonarista. Segundo ele, o embate envolve Flávio, Michelle, Eduardo e Carlos Bolsonaro, cada um tentando ocupar um espaço na estrutura “política, religiosa, digital e eleitoral” da extrema direita.

 
Flávio é senador pelo Rio de Janeiro, com mandato registrado no perfil oficial do Senado, e tenta se consolidar como herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro. A reação de Michelle tornou pública a resistência da ex-primeira-dama ao papel que vem sendo reservado a ela na pré-campanha do enteado.

Michelle Bolsonaro abriu crise ao cobrar Flávio

A crise ganhou força depois de Michelle dizer que Flávio não queria seu apoio e que a tratou como alguém sem peso político. A ex-primeira-dama também cobrou respeito à sua atuação no PL Mulher e apontou divergências sobre alianças regionais, especialmente no Ceará.

O pano de fundo é a articulação do PL no estado, onde Michelle se opôs a acordos envolvendo Ciro Gomes e defendeu nomes ligados ao campo bolsonarista. A Fórum mostrou que o acordo no Ceará foi um dos pontos centrais da briga que, até agora, impediu uma adesão mais clara de Michelle à candidatura de Flávio.

Depois da exposição pública da crise, Flávio Bolsonaro respondeu às acusações. O episódio, no entanto, ampliou a percepção de desorganização no núcleo político de Jair Bolsonaro e reforçou a leitura de que a sucessão no campo da extrema direita segue atravessada por disputas familiares.

Dirceu contrapõe racha bolsonarista à agenda do país

Na postagem, Zé Dirceu contrapôs a briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro à agenda defendida pelo campo governista. Ele citou emprego, salário, segurança pública, educação, indústria, soberania, democracia e futuro do país como temas que deveriam ocupar o debate político.

“Quem trata o Brasil como herança de família não tem projeto para governar o país, só pensa no próprio sobrenome”, escreveu Dirceu. Para o ex-ministro, a disputa no bolsonarismo prende o país a uma “novela da família Bolsonaro” enquanto o debate eleitoral deveria olhar para frente.

A fala de Dirceu atinge o centro da crise: a tentativa de Jair Bolsonaro de transferir capital político para o filho mais velho, enquanto Michelle reivindica espaço próprio e influência sobre o eleitorado conservador, religioso e feminino. O resultado é uma guerra aberta em torno de quem fala pelo bolsonarismo e quem controla o espólio político do ex-presidente.