Rádio EG News Terça, 30 de junho de 2026 30/06/2026
EG News
Siga-nos
BRASIL Política

Valdemar se reúne com Michelle Bolsonaro, que ameaça deixar a política

Por Redação 30/06/2026 às 08h13 • Atualizado em 30/06/2026 às 05h16
Imagem da matéria

247 - Uma reunião entre Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, marcada para esta terça-feira (30), pode definir o papel da ex-primeira-dama na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), especialmente em agendas voltadas ao eleitorado feminino e na tentativa de pacificação interna do partido para 2026, segundo o jornal O Globo.

 
O encontro é tratado por integrantes do PL como um momento decisivo para reduzir a crise aberta após Michelle divulgar vídeo com críticas públicas ao enteado. De acordo com Lauro Jardim, também do jornal O Globo, a tensão também passou a envolver o futuro eleitoral da própria ex-primeira-dama, que pode desistir da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Michelle afirmou a Valdemar, em conversa telefônica, que não quer mais se envolver com política e que pretende apenas “cuidar da família”. A sinalização acendeu o alerta na cúpula do PL, que vinha tratando seu nome como uma das principais apostas da legenda para fortalecer a direita no Distrito Federal e ampliar a mobilização entre setores conservadores.

A eventual desistência da disputa ao Senado representaria um revés para o partido, já que Michelle se consolidou nos últimos anos como uma figura de forte apelo junto ao eleitorado religioso, conservador e feminino. Internamente, sua candidatura era vista como peça estratégica tanto para a bancada do PL quanto para a sustentação política do campo bolsonarista em 2026.

 
Um dos pontos centrais da reunião será a possível presença de Michelle em um evento organizado por Flávio Bolsonaro com lideranças femininas conservadoras. A agenda foi concebida pelo senador como uma forma de discutir propostas direcionadas às mulheres, segmento considerado estratégico por aliados da pré-campanha.

No PL, Michelle é vista como uma das principais lideranças do bolsonarismo junto ao público feminino. Pesquisas internas e avaliações de aliados apontam que esse é um dos setores em que a candidatura de Flávio enfrenta maior resistência, o que aumenta o peso político da eventual participação da ex-primeira-dama nas próximas agendas.

Até o momento, porém, não há confirmação de que Michelle comparecerá ao encontro articulado por Flávio com mulheres conservadoras. Segundo interlocutores da legenda, a decisão deve depender diretamente do resultado da conversa com Valdemar Costa Neto.

A crise, no entanto, tornou a presença da ex-primeira-dama no evento praticamente inviável. A participação de Michelle era considerada por assessores de Flávio um gesto importante para demonstrar que o conflito havia sido superado e que o grupo voltaria a atuar de forma coordenada.

A avaliação de dirigentes do PL é que a reunião desta terça-feira representa a melhor oportunidade para conter o desgaste antes do início das convenções partidárias. Caso Michelle aceite participar da agenda feminina organizada pelo senador, o gesto será lido internamente como um sinal de recomposição política e poderá marcar a retomada de sua atuação na campanha.

Por outro lado, aliados admitem que uma recusa ou a ausência de um entendimento pode manter a crise aberta em um momento sensível para o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. O impasse ocorre justamente em uma área considerada prioritária para a disputa eleitoral de 2026: a comunicação com o eleitorado feminino.

A ausência de Michelle no evento também pode reforçar a percepção de divisão interna no campo bolsonarista. Para dirigentes do PL, a crise pública entre a ex-primeira-dama e Flávio ameaça ampliar o desgaste eleitoral da direita e dificultar a construção de uma imagem de unidade em torno da candidatura presidencial do senador.

A crise ganhou força depois que Michelle Bolsonaro publicou um vídeo de 26 minutos em que expôs divergências com Flávio, afirmou ter sido alvo de ataques “coordenados” dos enteados e criticou decisões políticas do partido. Um dos pontos de tensão envolve a disputa por uma vaga ao Senado no Ceará.

Diante da repercussão, Valdemar Costa Neto antecipou o retorno das férias nos Estados Unidos para assumir pessoalmente a condução das conversas internas. O presidente do PL busca evitar que o conflito familiar e partidário afete a construção da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Na semana passada, Valdemar já havia reconhecido a gravidade do episódio e alertado para o risco eleitoral da disputa pública. “Se nós não nos entendermos, vamos perder a eleição e quem vai pagar é o Bolsonaro”, afirmou o presidente do PL, segundo Lauro Jardim.

No último sábado, durante evento do PL em Goiás, Valdemar fez uma defesa pública da escolha de Flávio como nome presidencial do bolsonarismo e tentou afastar especulações sobre uma eventual substituição.

“Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo presidente Bolsonaro. Bolsonaro sempre fez a melhor escolha. Se escolheu Flávio, era porque era o melhor para o Brasil”, afirmou Valdemar.

Na mesma ocasião, o dirigente evitou comentar diretamente os vídeos divulgados por Michelle. Ao ser questionado por jornalistas, disse que havia sido “proibido” por Jair Bolsonaro de tratar publicamente do assunto.

A movimentação ocorre em meio a articulações internas para preservar a unidade do PL e organizar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Para integrantes da legenda, o desfecho da conversa entre Valdemar e Michelle será um indicativo importante sobre o futuro eleitoral da ex-primeira-dama, sua possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e o grau de coesão do partido em torno do projeto presidencial do senador.

Tags: Michelle BolsonaroFlávio BolsonaroPLValdemar Costa Neto