Quem merece nota 10, as brasileiras que fazem o que era quase impossivel na saúde e na vida, ou as que vendem ilusões?
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Por: Eugênio Piedade/IA
"A ciência melhora a nossa vida, e o Brasil precisa, urgentemente, melhorar a vida de quem faz ciência".
Brasileiras na Ciência: A Urgência do Reconhecimento e do Apoio Governamental
A ciência é o motor que protege a vida, mas as mulheres que a conduzem ainda lutam por visibilidade e portas abertas no Brasil.
Em um mundo movido pelo avanço tecnológico e pela busca constante por qualidade de vida, a ciência não é apenas uma disciplina acadêmica; ela está em tudo o que nos protege. No entanto, o cenário científico brasileiro enfrenta um paradoxo: ao mesmo tempo em que a pesquisa é essencial para a soberania nacional, as protagonistas dessa história — ainda precisam reivindicar o básico: liberdade, financiamento e reconhecimento.
Fotos Google e montagem EG NEWS
Exemplos como: Bertha Lutz, Jaqueline Goes de Jesus e agora, Tatiana Coelho de Sampaio.
Bertha Lutz e Jaqueline Goes de Jesus são duas das cientistas mais importantes da história brasileira, cada uma em seu tempo, destacando-se na biologia/biomedicina e no ativismo. Bertha Lutz foi a pioneira na luta pelo voto feminino e igualdade de gênero no século XX, enquanto Jaqueline Goes liderou o sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil, e agora Tatiana Coelho, bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que desenvolveu uma abordagem terapêutica inovadora com potencial para reverter lesões da medula espinhal.
- Bolsistas de Produtividade (PQ) - CNPq: Mulheres representam cerca de 35% a 35,6% dos bolsistas de produtividade, que são considerados o topo da carreira científica no país.
- Representação em Pesquisa: Em grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, mulheres representam cerca de 52% dos pesquisadores, indicando uma paridade numérica no geral, segundo dados de 2023 citados em 2026.
- Maioria na Pós-Graduação: Mulheres são maioria na formação, somando 57% das pessoas tituladas na pós-graduação (mestrado e doutorado).
- Desigualdade no Topo: A participação feminina cai significativamente nos níveis mais altos de bolsas de pesquisa (chamadas de Bolsas de Produtividade), evidenciando o fenômeno de "tesoura" ou "teto de vidro".
- Produção Científica: Em 20 anos, a presença de pelo menos uma mulher na produção de artigos científicos no Brasil cresceu, chegando a cerca de 49%.
- Contexto: O Brasil é considerado um dos países com maior participação feminina na produção científica, mas essa presença não se traduz proporcionalmente em poder e liderança, especialmente nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
A presença feminina em laboratórios e centros de pesquisa é histórica, mas a visibilidade dada a elas não acompanha essa trajetória. O manifesto levantado por pesquisadoras e apoiadores da causa é claro: precisamos abrir mais portas. Não se trata apenas de permitir o acesso, mas de garantir que meninas e mulheres possam ocupar esses espaços com a certeza de que serão valorizadas.
Quanto ao papel do estado existe um ponto crítico levantado que é a necessidade de um olhar mais atento do governo, especialmente voltado para a ciência aplicada à saúde. O investimento público não é apenas uma questão orçamentária, mas uma estratégia de sobrevivência e bem-estar social.
Para que a ciência continue a "mover o mundo", como defendem os especialistas, é necessário que as políticas públicas enxerguem o potencial das pesquisadoras brasileiras como um ativo do Estado, garantindo recursos que permitam a continuidade de estudos vitais para a população.
Além do suporte governamental, há uma crítica contundente à forma como a mídia e sociedade distribui prestígio. Em tempos de celebridades instantâneas, o debate sobre "quem realmente merece respeito na mídia" se torna urgente.
Dar luz às cientistas brasileiras não é apenas uma questão de justiça, mas de inspirar a próxima geração. Meninas precisam ver mulheres na ciência sendo celebradas nas capas de jornais e nos telejornais para que possam sonhar em seguir o mesmo caminho.
O recado é direto: a ciência melhora a nossa vida, e o Brasil precisa, urgentemente, melhorar a vida de quem faz ciência.