"Todo mundo foi enganado": Deputado Jorge Vianna defende parlamentares do DF e desabafa sobre o escândalo BRB e Banco Master
Em meio às crescentes discussões e à indignação dos parlamentares do Distrito Federal sobre o escândalo envolvendo o BRB e o Banco Master, o deputado distrital Jorge Vianna (PSD) quebrou o silêncio para esclarecer a posição da Câmara Legislativa (CLDF) no episódio. Durante entrevista ao programa "Fala Cérebro" do Pod Cast EG NEWS, o distrital se defendeu de acusações, admitiu falhas na análise prévia do projeto e garantiu que a Casa adotará uma postura implacável e cautelosa nas próximas votações enviadas pelo Executivo.
O peso do histórico do BRB e a intenção do voto
Vianna foi categórico ao afirmar que os deputados distritais não cometeram nenhum ato ilícito e não podem ser responsabilizados pelas operações obscuras que vêm acontecendo no Banco Master. Segundo o parlamentar, o voto favorável à compra da instituição ocorreu sob a influência do histórico recente de sucesso das operações do BRB — como a administração de cartões sociais, a gestão de espaços de entretenimento na capital e os grandes patrocínios esportivos.
"A gente errou na intenção de querer ajudar Brasília, porque tudo que o BRB fazia [...] dava certo", pontuou o deputado. Na época da votação, a percepção predominante no plenário era de que os alertas e críticas à aquisição poderiam ser apenas intrigas da oposição ou manobras do mercado financeiro tentando depreciar o banco.
O jogo político: "Nós somos o tabuleiro"
Com a intervenção do Banco Central, que barrou a operação e fez com que as irregularidades viessem à tona, o cenário na CLDF mudou drasticamente. Vianna revelou um forte sentimento de frustração ao notar que as ramificações do Banco Master envolviam o mais alto escalão do judiciário e da política nacional.
Ele lamentou que a sociedade esteja cobrando a fatura exclusivamente do Legislativo local por um esquema muito maior. "Nesse jogo, nesse tabuleiro, os deputados distritais não são nem os peões, nós somos o tabuleiro. Não temos nada de força", desabafou. Apesar da defesa institucional, o deputado fez uma autocrítica severa e revelou sentir vergonha por não ter estudado o projeto com a profundidade necessária antes da votação, justificando o lapso com o volume esmagador de demandas da rotina parlamentar.
Projetos futuros passarão por análise "com lupa"
A repercussão do caso BRB/Banco Master deixou uma lição rígida para os parlamentares. Vianna alertou que a CLDF não aprovará novos projetos sem o devido escrutínio. Ele citou como exemplo uma nova proposta enviada pelo governador Ibaneis Rocha, sem aviso prévio, referente à venda de lotes cujos valores e justificativas ainda são desconhecidos pelos distritais.
Com rumores nos bastidores de que um único lote poderia custar cifras bilionárias, a ordem agora é frear qualquer avanço precipitado. "Até eu saber quanto vale cada lote, se cada lote realmente precisa ser vendido, eu não posso falar nada. A gente não vai votar num projeto que a gente não sabe dessa vez não", cravou.
O escândalo promete continuar esquentando as sessões no plenário da Câmara Legislativa nas próximas semanas, à medida que os distritais buscam respostas e tentam blindar o Legislativo de novas crises institucionais.
(A entrevista completa pode ser conferida em: https://www.youtube.com/watch?v=FwExEJqRa94)