A Secretária de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) iniciou nesta semana o Serviço de Acolhimento Conjunto, nova modalidade de acolhimento institucional voltada a crianças e adolescentes que serão acolhidos junto com suas mães. A Sedes analisará caso a caso para avaliar se a família de origem não oferece risco para a criança e evitar a separação da mãe.
O novo serviço também tem como objetivo reduzir o número de crianças e adolescentes em situação de rua. “O acolhimento conjunto atende às situações em que a criança ou adolescente se encontra em risco social, mas o afastamento do convívio com o responsável principal não é a alternativa mais adequada, sendo possível a preservação e o fortalecimento do vínculo familiar, se houver apoio técnico intensivo e acompanhamento psicossocial especializado”, ressalta a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra.
Foram destinadas 50 vagas para o acolhimento conjunto, que já estão previstas no último edital de vagas de acolhimento da Sedes, sob a responsabilidade da organização da sociedade civil Casa da Criança Batuíra, parceira da secretaria nesse serviço.
“O diferencial desse tipo de acolhimento, é que o serviço tem como foco, primeiramente, a proteção da criança e do adolescente e o fortalecimento dos vínculos com a família, além de prevenir a institucionalização de crianças e adolescentes sozinhos. É diferente do acolhimento para famílias. Nesse caso, são acolhidas somente mães e seus filhos. É um projeto-piloto que está iniciando aqui no Distrito Federal, que pode ser ampliado futuramente”, complementa Ana Paula.
"Nós verificamos que há muitas crianças na primeira infância, especialmente bebês, que estão em acolhimento institucional, mas que poderiam estar com a família, se houvesse um suporte"
Brigida de Freitas, gerente de Serviços de Acolhimento para Crianças, Adolescentes e Jovens
A triagem e destinação das vagas para o Serviço de Acolhimento Conjunto será realizada por meio da Central de Acolhimento de Crianças e Adolescentes. “Nós verificamos que há muitas crianças na primeira infância, especialmente bebês, que estão em acolhimento institucional, mas que poderiam estar com a família, se houvesse um suporte. Em muitos casos, a criança é encaminhada para acolhimento após avaliação prévia, porque a mãe não tem condições naquele momento de cuidar do filho, por uma questão financeira, por não ter lugar para morar, por exemplo. Mas há um vínculo forte entre mãe e filho. Eles não precisariam ser separados. O acolhimento conjunto é para esses casos”, explica a gerente de Serviços de Acolhimento para Crianças, Adolescentes e Jovens, Brigida de Freitas.
Funcionários da OSC e das gerências de acolhimentos de crianças e adolescentes e de adultos da Sedes e as famílias participaram de uma capacitação de quatro dias com a Associação Beneficente Encontro com Deus, OSC sediada em Curitiba (PR) que já executa serviço semelhante há 25 anos na capital paranaense.
“Nós trabalhamos conteúdos que são estruturantes para a realização do serviço de acolhimento conjunto, desde aspectos técnicos do serviço, à gestão de equipes, a comunicação, o atendimento humanizado, processos pedagógicos dentro do serviço. Acreditamos que esses conteúdos são suficientes para que eles comecem o serviço com segurança”, pontua a gestora de programas e projetos da Associação Beneficente Encontro com Deus, Alessandra Vidmontas.