Na Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 de Taguatinga, equipes multiprofissionais (e-Multi) e de Saúde da Família (eSF) vêm transformando a realidade de mães e responsáveis por crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Chamado Tealogando, o grupo, que iniciou as atividades em 2024, se reúne mensalmente para dialogar e compartilhar orientações voltadas ao cuidado integral das famílias.
Na terça-feira (14), a quinta turma do projeto teve o primeiro encontro. Sueli Gomes, de 62 anos, participou da atividade ao lado do neto, Victor, 11, e falou sobre a expectativa em relação ao acompanhamento: “Aqui no grupo a gente vai poder ficar mais informada, e espero que, com as outras reuniões, a gente possa adquirir experiências para lidar melhor com essa situação. É muito difícil para mim, e eu creio que esteja sendo mais difícil ainda para meu neto”.
“A UBS também serve de espaço para promoção, educação e acompanhamento em saúde”
Susy Mashuda, fonoaudióloga e facilitadora do grpuo Tealogando
Sueli conta que a família observou os primeiros sinais do TEA na infância de Victor, em comportamentos incomuns, como ficar se batendo. “Creio que o grupo vai ajudar muito as mãezinhas que estão perdidas e não estão sabendo dar conta”, disse. “É muito importante que todas [as mães] permaneçam para a gente estar unida e chegar aonde a gente quer chegar, que é lidar com o comportamento da criança com autismo”.
Espaço de convivência
Uma das facilitadoras do grupo, a fonoaudióloga Suzy Mashuda lembra que a iniciativa surgiu a partir da demanda das próprias famílias por mais orientações sobre o transtorno. “A UBS também serve de espaço para promoção, educação e acompanhamento em saúde”, ressalta. “Elencamos vários temas, como comunicação, seletividade alimentar, medicação e fluxo da rede, e reunimos os pais e familiares”.
Antes mesmo do início dos encontros coletivos, os profissionais da equipe fazem anamnese — uma entrevista completa, abordando diversos aspectos que ajudam a identificar o perfil da pessoa entrevistada — de cada família, mapeando as principais necessidades e traçando um perfil de cada criança. A proposta é tornar o acompanhamento mais direcionado e efetivo. “O grupo serve como espaço para troca entre as mães, resgatando e fortalecendo essa rede de apoio; o pouco que a gente troca com elas já traz resultados muito significativos”, especifica.
Abril Azul