BRASÍLIA

OPINIÃO

Extinção do trabalho docente? Não.

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Por: Dra Eunice Nóbrega Portela- UNB

Alguns colegas do doutorado na UNB questionaram meu projeto de pesquisa por investigar o processo histórico da precarização do trabalho docente, o desencanto e despersonalização do sujeito professor, da substituição da escola pelos meios tecnológicos e pela falta de desejo dos jovens em exercer a profissão docente. O desinteresse dos universitários dos cursos de licenciatura da UNB pela docência evidenciou que esse processo de desvalorização do trabalho docente e as condições precárias em que o professor exerce seu mitiê não torna a docência atrativa. Embora não optem pela profissão a maioria reconhece a importância e função social do professor.
A pesquisa trabalha com fatos e dados representativamente coletados e, embora muitos duvidassem do possível apagão por falta de professores, a extinção agora ganha notoriedade com a aprovação da regulamentação da educação domiciliar no Distrito Federal. Lamentavelmente os deputados não leem pesquisas, muito menos escutam os alunos para tomar uma decisão que pode mexer muito com a vida, o desenvolvimento, a cultura e até como a saúde psíquica dos educandos.
Estamos diante de um cenário que nega a historicidade, a totalidade e as contradições. Não há transformação essencial do objeto sem que haja um salto qualitativo, segundo o materialismo dialético marxista. Qualquer mudança que não esteja pautada nessa tríade está fadada ao fracasso. A história da pedagogia e da educação já registraram os descaminhos em períodos em que, por modismo, defendiam a desescolarização da escola. As chamadas teorias não diretivas deixaram um rastro de grandes perdas para a educação, os educandos e, consequentemente, para a sociedade. Não precisa ir muito longe para saber que essas ideias não são novas e deram errado em todas as tentativas de implantação. Há um ditado popular de quem não conhece a história está fadado a repetir os mesmos erros.
Registro aqui o meu repúdio. Não se constrói uma nação “destruindo“ as escolas e nem tampouco substituindo professores formados por pais sem a menor condição de suprir as necessidades de formação plural dos filhos. A nossa Constituição Federal em vigor deixa bem claro o caráter colaborativo da família, mas a educação escolar formal é garantia do cidadão.
Estamos indo na contramão do desenvolvimento das pessoas e da economia. Quer edificar uma nação construa escolas e ofereça educação integra ás crianças. Se algo diferente for proposto mostra o caráter despreparado de alguns políticos para propor a regulamentação do ensino domiciliar, que eu considero um grande e desnecessário retrocesso. Retrocesso, esse será o novo capítulo com regulamentação da educação domiciliar. A “desescolarização da sociedade” é a maior sandice que a Câmara Distrital cometeu esse ano e o pior erro se o governador do DF aprovar. A pandemia não pode justificar uma mudança tão radical e irresponsável. É um tiro no pé da sociedade brasiliense e na sanidade dos alunos. Pior ainda é se essa loucura virar modismo em outros estados.
Pais educadores dos próprios filhos. E daí? Daí que eles não têm formação docente, ser pai e mãe não dá a eles o título acadêmico e a competência necessária para exercer a profissão docente. Que tipo de regulamentação é essa que transforma a educação escolar em uma mera receita caseira sem nenhum parâmetro e garantia de qualidade? A educação é plural, relacional, multidisciplinar e humana, mesmo que isso pareça neologismo. O homem é um ser social e se desenvolve nessa relação plural. A educação domiciliar é um dano irreparável para a formação dos sujeitos.
Quem se importa com isso? A sociedade deveria se importar. O assunto é sério é compromete a vida integral das pessoas em idade escolar. Uma enquete realizada pela internet mostra que os alunos preferem estudar na escola e com a presença do professor e dos colegas. Quando entrevistados os relatos de crianças, jovens e adolescentes submetidos ao ensino em casa revelaram autos índices de depressão, idealização suicida, borderline, esquizofrenia, suicídio e um profundo mal-estar com os pais. Pelo visto vamos acertar dois alvos, regulamentamos a educação domiciliar e “enlouquecemos” pais e alunos. É inadmissível pegar uma experiência em tempo de pandemia e regulamentá-la para que continue o isolamento social quando não for mais necessário.
Se os deputados distritais acham que os pais podem educar os filhos em casa eu começo a duvidar da representatividade deles na Câmara. Como educadora e mãe eu registro aqui o meu repúdio. Não se constrói uma nação “destruindo” as escolas e nem tampouco substituindo professores formados e multidisciplinares por pais-professores leigos, sem formação docente. Como já afirmava Anísio Teixeira “a escola é a máquina que forma e transforma a sociedade”. Estamos indo na contramão do desenvolvimento das pessoas e da economia. Quer edificar uma nação construa escolas e ofereça educação integral de qualidade para as crianças.
Se algo diferente for proposto mostra o caráter despreparados de político para mudar a história da educação e da pedagogia no Brasil. Retrocessos será o novo capítulo que será escrito com regulamentação da educação domiciliar. A pandemia não pode justificar uma mudança tão radical e irresponsável da bancada da Câmara Legislativa. Um tiro no pé da sociedade brasileira e na sanidade mental dos pais e alunos.

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Fonte: Dra Eunice Nóbrega Portela- UNB, exclusivo para o Portal EG NEWS

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Raio X da águia na saúde pública de Planaltina

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Raio X da saúde pública de Planaltina

Fizemos um apanhado do que vem ocorrendo na cidade, nos últimos anos, após duas décadas sem qualquer investimento na área

Ao contrário do que a desinformação vem provocando em algumas redes sociais, a saúde de Planaltina evoluiu muito nos últimos anos. Mas, antes de falar sobre essa evolução, é importante que você saiba que a cidade passou nada menos que duas décadas sem receber qualquer investimento em saúde. Foram vinte anos sem que uma só parede em um posto de saúde fosse erguida.

Esse limbo na saúde de Planaltina foi fruto de uma histórica omissão de sucessivos governos. Dessa forma, por mais que a comunidade pedisse, e o Poder Legislativo trabalhasse por melhoras, houve praticamente um boicote à cidade, agravado ainda mais no último governo.

Nossa equipe fez uma blitz em Planaltina e mostra que, desde 2019, tudo isso tem mudado. Confira:

  1. UBS 20 – Em meados de 2019, a Unidade Básica de Saúde 20, na Área Especial 9A, no Setor Norte, foi entregue à população. A nova UBS foi uma resposta a uma situação causada pelo governo anterior, que não pagou o aluguel da unidade e por isso ela foi despejada. A solução veio de forma definitiva para a população, que ganhou uma unidade nova, moderna e cujo raio de atendimento atinge cerca de 25 mil pessoas.
  1. Reforma do pós-cirúrgico do Hospital Regional de Planaltina – O Hospital da cidade teve a ala completamente reformada, com a entrega de 32 leitos pós-cirúrgicos. Esses leitos são dotados de mobiliário específico e garante o conforto do paciente que deixou o centro cirúrgico. Pelo fato de as cirurgias estarem restritas, a ala hoje em dia é fundamental no atendimento a pacientes acometidos de Covid-19.
  1. UBS do Vale do Amanhecer – Um antigo sonho dos moradores do Vale, a Unidade Básica de Saúde local sofreu diversos ataques antes mesmo de ter suas fundações concluídas. Mas a vontade do morador local prevaleceu, e o trabalho foi levado adiante. Agora, a Unidade está em acabamento, e há o compromisso de ser entregue à população até o mês de agosto, como um presente à cidade.
  1. UPA da Estância – A Unidade de Pronto Atendimento é outro equipamento público de saúde que chega para somar para o cidadão de Planaltina. A obra inclui cerca de 70 ambientes, com consultórios, espaço para vacinação, procedimentos e outros. Os trabalhos também estão em acabamento.
  1. UBS do IFB – A Unidade presente no Instituto Federal de Brasília foi reaberta e atende pacientes do Arapoanga, Vale do Amanhecer, Bica do DER e outros. Graças à sua ativação, entrou em atividade a linha a 0.615 (Circular Planaltina/IFB), que atende pacientes que se deslocam para o local e outras pessoas.
  1. UBS 5 (Arapoanga) – A Unidade passou por uma reforma que terminou em 2019 e ganhou um consultório odontológico. Anteriormente esses atendimentos eram feitos em um espaço improvisado.
  1. UTI do Hospital Regional de Planaltina – O grande sonho do morador da cidade, a UTI já começa a receber a infraestrutura de retaguarda, que inclui reformas e construções novas instalações. Confira:
  1. Central Elétrica – primeiro passo a ser dado para a chegada da UTI, bem como para a melhora do serviço como um todo. A atual central, inclusive, já sofreu sobrecargas e passou por incêndio. A licitação para a obra já foi publicada no Diário Oficial. Vale ressaltar que uma queda de força em uma UTI significa a morte para os pacientes hospitalizados.
  2. Radiologia – o bloco de exames também é fundamental para a instalação definitiva da UTI, uma vez que a medicina intensiva requer um elevado número de diagnósticos diários. A licitação também já foi publicada.
  3. Bloco da UTI propriamente dito – última das obras a ser concretizada para a chegada da UTI, é onde de fato os pacientes ficam hospitalizados durante o tratamento intensivo. A licitação está prevista para até o mês de maio.
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Um detalhe: é importante que a população de Planaltina saiba que, quando estiver pronta, a UTI do Hospital Regional vai atender pacientes de todo o DF, e até de fora. Isso porque as internações nas UTIs públicas são feitas de acordo com o que a central de regulação estabelece, e o paciente que precisa de UTI vai para onde houver vaga. Então, a chegada da UTI a Planaltina será mais uma opção para moradores de todo o Distrito Federal, e não apenas para os da cidade.

É do conhecimento de todos que a Saúde de Planaltina ainda está longe do ideal. Mas, como se vê, em dois anos o cenário evoluiu, e muito. De modo que hoje temos importantes avanços para a cidade, num curto período de tempo. A atual legislatura já entregou à cidade melhoras que não ocorreram em um prazo 20 anos, e ainda tem muito mais pela frente.

Em resumo, ainda que a UTI do Hospital Regional não esteja pronta, ainda que nem tudo esteja entregue, não se pode desconsiderar todo o trabalho que tem sido feito e o quanto a saúde da cidade já evoluiu. E toda a sociedade ganha com essas mudanças.

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Fonte: Redação

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