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Reviravolta no caso da morte da médica Sabrina Nominato, suicídio ou feminicidio?

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Escoriações e costelas quebradas: tratado como suicídio, caso de médica morta no DF deve sofrer reviravolta

O corpo de Sabrina Nominato Villela foi encontrado pelo marido na cama do casal com sinais que, segundo familiares, não foi suicídio

Escoriações e costelas quebradas: tratado como suicídio, caso de médica morta no DF deve sofrer reviravolta

Arte sobre reprodução

Há cinco meses sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a morte da médica Sabrina Nominato Fernandes Villela, 37 anos, permanece cercada de mistérios. Inicialmente tratado pelas autoridades como suicídio, o inquérito conduzido pela 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) revela detalhes que, no mínimo, reduzem a possibilidade de que a cardiologista e intensivista tenha tirado a própria vida.

Recheado de perguntas que ainda precisam ser respondidas, o inquérito traz à tona depoimentos que demonstram uma relação supostamente abusiva entre Sabrina e o marido. Casados há seis anos, os dois viviam em uma propriedade alugada, no condomínio Mini Chácaras, no Altiplano Leste.

Sabrina foi encontrada morta pelo marido na cama do casal, na tarde de 10 de outubro do ano passado. Ela estava de bruços, com o rosto contra um dos travesseiros, em uma posição que provoca asfixia. Roxa e com o corpo enrijecido, estava coberta e já sem vida. Uma ambulância do Corpo de Bombeiros foi acionada pelo personal trainer. Logo em seguida, a equipe de socorristas confirmou o óbito. A Polícia Civil foi chamada pelo porteiro do condomínio somente no dia seguinte, por volta das 16h.mulher de óculos

Violência doméstica

No decorrer da investigação, a PCDF ouviu amigos e parentes da cardiologista. Dois deles revelaram indícios de que Sabrina sofria agressões físicas e tinha dificuldades de se livrar do suposto relacionamento abusivo. Uma enfermeira ouvida em termo de declaração afirmou que, em agosto do ano passado, a profissional apareceu no trabalho com marcas no rosto semelhantes a unhadas. Na ocasião, Sabrina disse à amiga que havia sofrido um acidente no Uber.

Constantemente machucada, Sabrina teria passado a usar roupas com mangas para esconder os sinais de violência. A testemunha ressaltou que, em março de 2020, a cardiologista quebrou o braço, mas se recusou a dizer os motivos que provocaram a imobilização do membro. De acordo com a enfermeira, Sabrina tinha um comportamento alegre quando estava entre amigas e outro, totalmente subserviente, na presença do marido.

Em outro depoimento, uma advogada que teve contato com a médica durante um jantar contou à polícia que Sabrina a chamou para uma conversa reservada e pediu conselhos sobre como lidar com a violência física e psicológica. A profissional de saúde chegou a revelar ter comprado uma arma de fogo e passado a treinar em uma escola de tiro. A pistola ficava guardada no cofre de sua residência.

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De acordo com a testemunha ouvida no inquérito, a médica teria tido que pretendia ir até a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar ocorrência de violência doméstica, mas acabou desistindo. Na mesma ocasião, Sabrina desabafou com a amiga dizendo que tentava se livrar do relacionamento abusivo e pretendia se “separar o mais rápido possível” do então marido.

O laudo produzido a partir do exame de necropsia feito no corpo de Sabrina apontou uma série de lesões, como duas costelas quebradas e várias escoriações no rosto e nos braços. Quatro dias após a morte dela, a PCDF pediu ao personal trainer que passasse por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), em razão de lesões apresentadas num dos braços.

De acordo com a advogada Sofia Coelho, que representa a família da cardiologista, existem pontos nebulosos na história, principalmente em relação ao depoimento prestado pelo marido da médica. “O André afirmou que teria deixado a residência por volta de 7h50 e teria chegado na academia por volta das 8h10, mas, na verdade, as câmeras o flagraram saindo às 8h23 do condomínio”, disse.

A advogada ainda contou que o próprio André admitiu brigas recorrentes com a esposa. “Ele narrou que teve discussão forte e áspera com a mulher dois meses antes da morte dela e que Sabrina gritava que estava sendo agredida na rua. Outro ponto confirmado por ele é que Sabrina nunca havia tentado suicídio ou falado sobre isso”, explicou.

Metrópoles apurou que a cardiologista tinha um cofre em casa, no qual guardava joias, dólares e outros bens de valor. Além disso, era dona de dois veículos. Todo o patrimônio ficou com o personal trainer. Os advogados da família de Sabrina afirmaram que ela era detentora de duas apólices de seguro de vida com valores ainda não revelados.

Os defensores solicitaram que autoridades do caso peçam as quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico, tanto da cardiologista quanto do marido. Ainda faltam ser anexados ao inquérito os exames periciais feitos sobre as degravações de conversas travadas por meio do WhatsApp e e cópias de imagens gravadas na entrada e saída da academia onde André Villela trabalhava.

Os advogados também aguardam o resultado do exame de copo de delito ao qual o personal trainer se submeteu quatro dias após a morte da médica e o laudo de um recorte de tecido com manchas de sangue encontrado na casa de Sabrina. O exame de local produzido pelo Instituto de Criminalística, que é outra forma de obter provas, ainda não concluído.

Acompanhado de um advogado, o personal trainer prestou depoimento na delegacia horas após o corpo da cardiologista ter sido encontrado. Villela afirmou que, no dia anterior, o casal havia participado do aniversário de uma amiga, em um restaurante na QI 5 do Lago Sul, entre 14h e 19h. Em seguida, foram para um bar na 202 Sul, onde Sabrina teria ingerido muita bebida alcoólica.

No local, a médica teria passado mal por sofrer com a síndrome de Vasovagal, doença que consiste na perda transitória da consciência, provocada pela diminuição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. De acordo com o marido, ela teria deitado no chão e levantado as perna. Sentindo-se melhor, teria voltado a beber.

O marido relatou em depoimento que Sabrina fazia uso diário de remédios para dormir. A médica tomaria até cinco comprimidos de uma vez e, em função disso, chegava a urinar na cama com regularidade, o que o deixava irritado. O personal trainer contou aos policiais que a esposa apresentava sinais de depressão e já havia sofrido dois abortos espontâneos. Na mesma oitiva, ele disse nunca ter visto a mulher falar sobre tirar a própria vida.

Fonte: Metropoles
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Feminicídio: mulher morre após ser mordida e esfaqueada pelo marido

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Tatiane Pereira da Silva chegou a internada no Hospital Regional de Planaltina, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Agressor foi preso

Fachada da 6ª Delegacia de Polícia - ParanoáRafaela Felicciano/Metrópoles

Mais uma mulher morreu no Distrito Federal vítima de feminicídio. Tatiane Pereira da Silva chegou a ser internada no Hospital Regional de Planaltina na sexta-feira (9/4) após ser esfaqueada pelo marido. A vítima, de 41 anos, não resistiu e faleceu nessa segunda (12).

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a briga do casal começou por volta de 00h15 de sexta. Ricardo Viana, delegado-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), relata que o agressor mordeu e esfaqueou a mulher após uma discussão.

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Foram determinadas as seguintes medidas ao agressor:

  • Proibição de aproximação da vítima, familiares e testemunhas, restando fixado o limite mínimo de 300 metros de distância;
  • Proibição de contato com a vítima, familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação, tais como ligação telefônica, WhatsApp, e-mail, Facebook, Instagram e outros.
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Para o delegado, uma vez que Tatiane chegou a ficar internada em estado grave e faleceu dias depois, ela pode ter sido agredida novamente depois de prestar queixa na delegacia. Outra hipótese é que um dos ferimentos teria sido mais grave do que aparentava.

“Ela levou uma facada de raspão nas pernas e uma mordida no braço, mas pode ter tido mais lesões. A gente acredita que ela escondeu da família o resultado da briga e isso pode ter levado à morte dela”, pontuou Viana.

Conforme informações da PCDF, a vítima de feminicídio e o agressor viviam em união estável há cerca de 6 anos e criavam um filho de 3 anos. À polícia, Tatiane relatou que as agressões começaram no ano passado.

Na data da briga, o casal voltava para casa após sair de um bar na DF-250, no Núcleo Rural 06 do Paranoá. Manoel queria retornar ao estabelecimento e Tatiane não, o que gerou a discussão. Ele mordeu o braço dela e a esfaqueou na perna. Depois disso, ela teria ido à casa da mãe e, em seguida, procurado a polícia.

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Na segunda-feira, porém, a delegacia foi informada, por um familiar da mulher, que ela estava internada em estado grave e que precisaria passar por cirurgia, em decorrência das agressões sofridas. O quadro de saúde de Tatiane piorou e ela faleceu à tarde.

Fonte: Metropoles
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