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Diagnósticos de morte cerebral cresceram 27% no DF em 2020

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O Metrópoles conversou com especialistas sobre as etapas até o diagnóstico e o processo de doação de órgãos após constatado o óbito

Yanka Romão/Metrópoles

As redes pública e privada de saúde do Distrito Federal registraram 222 diagnósticos de morte cerebral em 2020. O número é 26,8% maior do que o de 2019, quando foram confirmados 175 casos. Os dados constam em levantamento da Secretaria de Saúde do DF.

Mas afinal, o que é a morte cerebral? O Metrópoles conversou com profissionais para detalhar como é identificada, quais as etapas para o diagnóstico e como é o processo para doação de órgãos após constatado o óbito.

“Importante diferenciar do coma. O coma é quando o paciente ainda tem atividade cerebral e pode até ficar anos nessa situação e depois retomar algumas funções – nem sempre todas, mas pode voltar. Agora, a morte cerebral é, pelas nossas leis, o óbito”, explica.

Etapas para o diagnóstico

Os eventos que levam à morte encefálica são provocados por danos que fazem o cérebro parar de trabalhar, como traumatismo craniano e acidente vascular cerebral (AVC). Fernando Diogo Barbosa, neurocirurgião da Secretaria de Saúde do DF, esclarece que existem etapas a serem cumpridas antes de determinar a morte cerebral do paciente, diagnóstico que não admite falhas.

“A primeira coisa é a suspeita. Se o paciente não está tendo nenhum tipo de reação neurológica, precisamos fazer exame que demonstre que ele tem uma lesão cerebral irreversível. A partir do momento em que ele não tem reação a estímulos, e o exame mostra isso, abre-se a suspeita de morte cerebral”, pontua.

“Depois, vem um segundo profissional e faz um outro exame neurológico e ainda um exame complementar, que é o de imagem. Hoje, o mais comum é o doppler transcraniano – feito para avaliar se ainda existe circulação intracraniana – mas também tem o eletroencefalograma e a angiografia cerebral. Se o paciente não pode fazer um exame por algum motivo, faz os outros”, narra.

“Então, juntamos os dois exames clínicos neurológicos com os exames complementares e fechamos o protocolo. Só aí é confirmada a morte cerebral”, diz Fernando.

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O Decreto nº 9.175/2017, que regulamenta a doação de órgãos, garante à família o direito de contar com um médico de confiança para acompanhar o diagnóstico.

Respiração por aparelhos

De acordo com Fernando, enquanto é feita a investigação quanto à morte cerebral, são aparelhos que mantêm a respiração e os batimentos cardíacos do paciente. “Uma vez que há o diagnóstico de óbito, ou a família aceita doar os órgãos e esse paciente fará a doação, ou não aceita e, a partir desse momento, os aparelhos são desligados”, explica.

Conforme Camila Vieira, diretora da Central de Transplantes do DF, nesse momento, “é fundamental o acolhimento e a transparência com a família do paciente”. “Os parentes podem ter impressão de que ele está respirando, que está vivo, mas é tudo artificial. Quando ocorre essa comunicação, o familiar já passa a participar mais do processo”, diz.

Ela ressalta que a ação de desligar os aparelhos após constatado o óbito não deve ser confundida com eutanásia. “É totalmente diferente. Na eutanásia, você provoca a morte de alguém e, neste caso [da morte encefálica], a pessoa já está morta. Na situação de não ser um doador, é retirado aquele suporte artificial e liberado o corpo para a família”, destaca. Já no caso de haver doação, os aparelhos mantêm os órgãos funcionando até a cirurgia de captação.

Criança atropelada

O estado de saúde da pequena Vitória Nascimento Oliveira, de 4 anos, atropelada no acostamento da DF-130, chegou a ser avaliado nesse sentido. A menininha ficou internada em estado gravíssimo no Hospital de Base e passou por exames para o diagnóstico da morte encefálica. Contudo, ela teve falência múltipla dos órgãos e veio a óbito na segunda-feira (22/2).

Conforme o especialista, o tempo para a confirmação da morte encefálica varia de acordo com a faixa etária do paciente. “Em adultos, o intervalo entre exames pode ser de uma hora. Mas, em crianças, pode levar 24 horas, porque o metabolismo é diferente”, ressalta.

No Brasil, a doação de órgãos post mortem só pode ser feita quando for constatada a morte encefálica. No caso de parada cardiorrespiratória, somente pode ser realizada a doação de tecidos (córnea e pele, por exemplo). Essa última situação foi o caso da pequena Vitória, que doou as córneas.

“Ver que alguém pelo menos vai conseguir enxergar o mundo com os olhos dela, para a gente, vai ser maravilhoso”, declarou, Samantha, emocionada.

Segundo o Ministério da Saúde, cada órgão precisa de um intervalo máximo de tempo para ser transplantado, que é o chamado tempo de isquemia. A tabela abaixo mostra os períodos:

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Arte/MetrópolesTabela com tempo de isquemia
*Já a córnea, que é tecido, tem tempo de isquemia maior: 14 dias.

Ela ainda ressalta que “o doador é tratado com muita dignidade”. “Não fica deformidade no corpo após a cirurgia. Então, pode ser feito o velório normalmente”, afirma a diretora de Transplantes do DF. “Se a pessoa tem esse desejo de doar, que ela fale para a família, porque isso realmente pode salvar outras vidas”, finaliza.

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SAÚDE

Vacinados contra a covid-19 no Brasil chegam a 23,8 milhões, 11,26% da população

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Nas últimas 24 horas, 561.543 pessoas receberam a vacina, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias de 23 Estados e Distrito Federal

Foto: Agência Brasil

Entre os mais de 23 milhões de vacinados, 7.391.544 receberam a segunda dose, o que representa 3,49% da população com a vacinação completa contra o novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, 339.142 pessoas receberam essa dose de reforço. Somando as vacinas de primeira e segunda dose aplicadas, o Brasil aplicou 900.685 imunizantes nesta segunda.

Em termos proporcionais, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais vacinou sua população até aqui: 15,06% dos habitantes receberam ao menos a primeira dose. A porcentagem mais baixa é encontrada no Amapá, onde 6,78% receberam a vacina. Em números absolutos, o maior número de vacinados com a primeira dose está em São Paulo (5,58 milhões), seguido por Minas Gerais (2,31 milhões) e Bahia (1,94 milhão).

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Fonte: Jornal de Brasilia

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