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Saúde mental: o que é um surto psicótico e como tratar?

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Por conta do isolamento social, em função da pandemia de Covid-19, muito tem se falado sobre a importância da saúde mental. Afinal, é cada vez mais comum encontrar casos de depressão, ansiedade e até mesmo surtos psicóticos se tornarem públicos.

No Distrito Federal, exemplos recentes são os casos da mulher do personal trainer flagrada mantendo relações sexuais com um morador de rua e o coronel da PM investigado por estuprar um jovem em motel.

O psiquiatra do Instituto Merake Saúde Mental, Luan Diego Marques, explica que o surto psicótico é um episódio repentino. O maior sintoma, segundo o médico, é a mudança repentina de comportamento, mas ela pode acontecer de forma gradual.

”Pessoas que, por exemplo, não são religiosas e, de uma hora pra outra, se tornam extremamente fieis é um sinal vermelho. Na psiquiatria, chamamos de comportamentos ‘bizarros’, são aleatórios e completamente contrários a personalidade do paciente”, diz o psiquiatra.

 

Luiza Sarsur Ribeiro, psiquiatra do Hospital Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais ( UFMG), explica, ainda, que o surto psicótico é um episódio temporário do estado mental em que ocorre uma dissociação entre a realidade e a percepção que a pessoa tem dela, podendo haver alucinações, delírios, ansiedade, agressividade, pensamento desorganizado e/ou comportamento desorganizado.

”Durante um ‘surto psicótico’, com a presença de delírios ou alucinações, além de pensamentos desorganizados, o paciente sofre um amplo comprometimento do juízo crítico e da realidade”, diz a psiquiatra.

 

Sintomas de um surto psicótico

 

Homem leva mão ao rosto em imagem ilustrativa  — Foto: BBC

Segundo os especialistas, os principais sintomas do surto psicótico são as alucinações e os delírios, que causam uma perda de contato com a realidade. De acordo com a psiquiatra Luiza Ribeiro, as alucinações são experiências semelhantes à percepção, que ocorrem sem um estímulo externo, são vívidas e claras, com toda a força e o impacto das percepções normais, não estando sob controle voluntário.

“Esses episódios podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial [pelos órgãos dos sentidos], como ouvir vozes, ver pessoas e objetos ou até sentir cheiros”, diz a médica.

 

Já os delírios são são crenças fixas, não passíveis de mudança à luz de evidências reais que se argumente. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas, como delírio persecutório(mania de perseguição), mistico religioso, de grandeza, entre outros.

De acordo com o psiquiatra Luan Diego Marques, a maioria dos quadros de “surto'” apresenta delírio persecutório – chamado também de mania de perseguição – mas isso também depende das vivências de cada paciente.

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”Uma pessoa ansiosa é mais passível de passar por um delírio persecutório por estar constantemente pensando que algo pode dar errado. Já uma pessoa religiosa, provavelemente terá um delírio religioso”, aponta o médico.

 

Outros sintomas comuns são:

  • Desorganização do pensamento: a pessoa começa a ter um discurso confuso, podendo mudar de um tópico a outro repentinamente e apresenta respostas e perguntas que podem ter uma relação oblíqua ou não ter relação alguma
  • Comportamento motor desorganizado ou anormal: o paciente pode ficar, de silencioso e imóvel, até agitado e agressivo, sem motivo aparente
  • Comportamento catatônico: ficar parado, sem qualquer reação, além de mostrar expressão emocional diminuída (emoções mostradas pelo rosto, no contato visual, na entonação da fala)
  • Falta de sociabilidade
  • Capacidade de discernimento comprometida: pacientes podem agir, falar, se comportar e se expressar de formas que não são coerentes com seu julgamento e entendimento racional
  • Oscilações bruscas de humor: rápidas mudanças de emoções, como medo, euforia, pânico e raiva

 

Quem pode ter um surto psicótico?

 

De acordo com os psiquiatras, em geral, o primeiro episódio psicótico tem origem orgânica, sem causas clínicas, uso de drogas e medicações – e não há como evitar que ele ocorra. O psiquiatra, Luan Diego Marques, destaca que é comum associar o ‘surto’ a pessoas violentas mas relembra que qualquer pessoa que tiver uma mínima perda de juízo critico pode ter um episódio.

De acordo com a psiquiatra Luiza Ribeiro, a psicose é um transtorno relativamente frequente, com uma incidência estimada entre 1.5 e 6.5 por 100 mil pessoas por ano, comparável com a incidência de doenças psiquiátricas como Transtorno Bipolar de Humor e Transtorno Esquizoafetivo .

“Os transtornos psicóticos são heterogêneos e a gravidade dos sintomas pode prever aspectos importantes da doença, como o grau de déficits cognitivos ou neurobiológicos”, diz a médica.

 

Em princípio, “qualquer indivíduo está sujeito a desenvolver um quadro psicótico”, aponta a especialista. “Nos quadros psiquiátricos primários, como esquizofrenia e bipolaridade, existem características de herdabilidade e de ligação à carga genética importantes, determinando que as pessoas que têm parentes de primeiro grau tenham mais chances de desenvolver estas mesmas patologias que outros indivíduos que não as têm”, explica.

Já o especialista, ressalta que além das carga genética importantes, outro fator que pode contribuir para uma futura crise é o ambiente do paciente. Uma criança com um elevado grau de estresse na primeira infância ou durante o desenvolvimento é mais suscetível desenvolver um surto.

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“É importante que as pessoas próximas percebam mudanças comportamenais do paciente, e prestem atenção ao que ele fala, suas percepções da realidade e outros sintomas. Deve-se ficar atento e levar a um profissional especializado”, diz Luan Diego Marques .

 

Como agir diante de uma pessoa em surto psicótico?

 

Quando uma pessoa se mostra de maneira diferente da forma com que costuma agir, ou passa a ter comportamentos que a coloquem em risco, ou que tragam prejuízo – para si ou para os outros – o mais importante é, primeiro, acolher o amigo ou familiar “com calma”, dizem os médicos.

Após retirar a pessoa da situação imediata de perigo, a orientação é levá-la a um serviço médico.

Além disso, o psiquiatra Luan Diego Marques destaca que é essecial levar a sério o quadro do paciente. ”Muitos parentes tem receio de buscar ajuda e preferem fazer algo com vies religioso isso não é o ideal. Essas pessoas precisam de auxilio psicologio e ajuda médica’.’

O que não fazer diante de um surto psicótico?

 

Os médicos alertam que não é recomendado partir para o confronto com as ideias delirantes, alucinações ou ilusões que a pessoa apresenta. “O mais indicado é acionar imediatamente um serviço profissional, como o SAMU, Corpo de Bombeiros ou uma clínica especializada para prestar socorro”, dizem os especialistas.

Qual o tratamento?

 

O tratamento para o surto psicótico tem início com a estabilização ou correção da sua causa, como suspender algum medicamento – se essa for a causa – ou administrar o antídoto adequado.

Em quadros psicóticos já estabelecidos, ao longo da vida, as melhores formas de evitar novos episódios, é a adesão ao tratamento medicamentoso, além do acompanhamento de uma equipe de saúde mental multidisciplinar.

“As medicações devem ser avaliadas de forma individualizada, em geral, com uso de antipsicóticos que podem ser associados a outras classes medicamentosas”, dizem os psiquiatras.

Onde buscar atendimento no DF?

Fonte: G1

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SAÚDE

Estudo aponta que antiviral pode ser eficaz contra sintomas da varíola dos macacos em humanos

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Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (24) na revista científica “The Lancet Infectious Diseases”, do grupo “The Lancet”, aponta que um antiviral pode ser promissor em reduzir a duração dos sintomas e o tempo em que pacientes com a varíola dos macacos são capazes de infectar outras pessoas.

Segundo os cientistas, do Reino Unido, os sete casos analisados na pesquisa (pessoas infectadas entre 2018 e 2021) foram os primeiros do mundo de transmissão da doença dentro de um hospital e de contágio doméstico fora do continente africano.

Os pesquisadores observaram as respostas dos pacientes a dois antivirais: brincidofovir tecovirimat: três pacientes receberam o brincidofovir e um, o tecovirimat (veja detalhes em “os casos” mais abaixo nesta reportagem).

O paciente que recebeu o tecovirimat teve uma duração de sintomas menor e expeliu vírus por menos tempo pelo trato respiratório superior (nariz, faringe, laringe e parte superior da traqueia).

Por outro lado, a pesquisa não encontrou benefícios no uso do outro remédio testado, o brincidofovir, para tratar a doença.

Os casos relatados foram os primeiros em que ambos os medicamentos foram usados, de forma “off-label”, para tratar a doença – ou seja, fora da indicação já prevista na bula; ambos foram desenvolvidos para tratar a varíola humana, erradicada em 1980, e já haviam demonstrado alguma eficácia em tratar a varíola dos macacos em animais.

Mas, por causa da amostra pequena de pacientes, os autores apontaram que mais pesquisas são necessárias para determinar o potencial do tecovirimat como tratamento da varíola dos macacos em humanos.

O medicamento já tem uso autorizado para tratar varíola humana, dos macacos e bovina na União Europeia e para a varíola humana nos Estados Unidos, mas não tem autorização no Reino Unido. No Brasil, não existem medicamentos com indicação para tratamento de varíola, segundo a Anvisa.

Todos os pacientes infectados tiveram casos leves da doença e nenhum teve as complicações mais severas associadas à infecção, como pneumonia ou sepse. Eles se se recuperaram após serem mantidos em isolamento em hospitais britânicos, para evitar que a doença se espalhasse (e não pela gravidade dos quadros).

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Dados sobre transmissão

 

Um ponto apontado pelos pesquisadores sobre a transmissão da varíola dos macacos é que, em surtos anteriores, os pacientes eram considerados contagiosos até que todas as lesões de pele formassem crostas.

Nos 7 casos do estudo, entretanto, “a disseminação viral foi observada por pelo menos três semanas após a infecção”, afirmou Catherine Houlihan, uma das coautoras do artigo.

Mas a cientista, que também integra a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido e a University College London, apontou que os dados sobre a infecciosidade da doença “permanecem limitados” e são uma área” importante para estudos futuros”.

Os casos

 

Quatro dos casos relatados foram tratados entre 2018 e 2019: três deles importados da África Ocidental e o quarto ocorreu em um profissional de saúde no Reino Unido, que se infectou no hospital.

Os primeiros três pacientes foram tratados com o brincidofovir sete dias após aparecerem as primeiras lesões na pele, mas nenhum benefício foi observado com o tratamento. Também foram observadas alterações nos exames de fígado após o uso do remédio.

Por outro lado, os pesquisadores também apontaram não saber se, caso o remédio tivesse sido dado de outra forma – de forma mais precoce ou em dosagem diferente –, teria funcionado.

Lesões causadas pela varíola dos macacos no braço e na perna de uma menina na Libéria. — Foto: Domínio público (via Wikipedia)

Os outros três casos ocorreram em uma família que chegou ao Reino Unido vinda da Nigéria em 2021, país onde a doença é endêmica. Dois dos casos representaram os primeiros de transmissão doméstica da doença fora da África.

O paciente tratado com o tecovirimat teve duração menor dos sintomas, além de ter expelido vírus por menos tempo em comparação aos outros.

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“Os casos relatados em nosso estudo, além dos surtos recentes, destacam a importância de manter uma rede colaborativa de centros de prontidão para gerenciar surtos esporádicos de patógenos de alta consequência, como a varíola dos macacos”, avaliou Nick Price, autor sênior da pesquisa.

 

Atualmente, mais de 15 países fora da África enfrentam surtos da varíola dos macacos, com mais de 100 casos confirmados. A doença não costuma aparecer fora do continente africano, onde é endêmica em 12 países.

Price apontou, ainda, que os casos de 2018 e 2021 foram “desafiadores” e exigiram uso intensivo de recursos, mesmo em um país de alta renda como o Reino Unido.

“Com as viagens internacionais retornando aos níveis pré-pandemia, autoridades de saúde pública e profissionais de saúde em todo o mundo devem permanecer vigilantes à possibilidade de novos casos de varíola dos macacos”, alertou o pesquisador.

Por outro lado, lembrou o pesquisador High Adler, da Universidade de Liverpool, autor principal da pesquisa, embora o surto atual esteja afetando mais pacientes do que nos surgimentos anteriores da doença fora da África, “historicamente a varíola dos macacos não se transmitiu de forma muito eficiente entre as pessoas e, em geral, o risco para a saúde pública é baixo”.

Sintomas e letalidade

 

Os sintomas da varíola dos macacos incluem febre, erupção cutânea e gânglios (linfonodos) inchados. Complicações incluem inflamação dos pulmões, cérebro, córnea (com risco à visão) e infecções bacterianas secundárias.

As taxas de mortalidade publicadas variam entre 1% a 10% na Bacia do Congo e menos de 3% na Nigéria. A maioria das mortes pela doença ocorre em crianças e pessoas que vivem com HIV.

Fonte: G1

 

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