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BRASIL LGBTQI+

Dia das Mães: FIV tem maior taxa de sucesso em tratamentos de reprodução e abre a possibilidade de gestação compartilhada

Por Redação 09/05/2026 às 21h47 • Atualizado em 10/05/2026 às 00h47
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A técnica é a mais indicada para casais homoafetivos femininos que buscam tratamentos de reprodução para realizar o sonho da maternidade

Com inovações tecnológicas e avanços fundamentais na legislação, casais homoafetivos femininos já podem concretizar o sonho de ter um filho biológico com segurança e altas taxas de sucesso, afirmam especialistas. As técnicas de Fertilização In Vitro (FIV) e Inseminação Intrauterina (IIU) despontam como os principais métodos, oferecendo esperança e um caminho viável para a maternidade compartilhada. Até poucos anos atrás, a possibilidade de um casal homoafetivo ter um filho biológico era considerada distante e, muitas vezes, cercada de preconceitos. Contudo, a medicina evoluiu para se tornar cada vez mais inclusiva. Um marco decisivo ocorreu em 2015, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) alterou suas resoluções para garantir explicitamente os direitos de casais homoafetivos ao uso de técnicas de reprodução assistida, estabelecendo regras claras e seguras para os procedimentos no país. O impacto dessas mudanças já é perceptível nos números. Segundo dados da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a procura de casais homoafetivos por tratamentos de fertilidade cresce exponencialmente nos últimos anos. O movimento acompanha uma tendência social mais ampla: somente em 2024, o Brasil registrou mais de 14 mil casamentos homoafetivos — um aumento de 26% em relação ao ano anterior — e mais de 50 mil crianças foram registradas por casais do mesmo sexo nos últimos três anos. Para casais formados por duas mulheres, o processo envolve a utilização de sêmen de um doador anônimo, selecionado em bancos especializados de acordo com características desejadas pelas futuras mães. O doador abdica de todos os os direitos e deveres legais sobre a criança, garantindo segurança jurídica à família. Atualmente, a idade máxima permitida para doadores é de 50 anos para homens e 35 anos para mulheres. ## Duas técnicas disponíveis: diferenças e indicações ### Inseminação Intrauterina (IIU) A Inseminação Intrauterina é um procedimento de baixa complexidade, rápido e indolor, realizado no próprio consultório. Nele, uma das parceiras passa por indução da ovulação e recebe o sêmen do doador, previamente preparado em laboratório, diretamente no útero durante o período fértil. A fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher. A técnica costuma ser recomendada para mulheres mais jovens, com ovulação regular e trompas uterinas saudáveis. As taxas de sucesso variam conforme a idade da paciente: podem chegar a 20% por tentativa para mulheres com menos de 35 anos, cair para 5% a 15% entre 35 e 39 anos, e ficar entre 1% e 5% para mulheres acima dos 40 anos. ### Fertilização In Vitro (FIV) A Fertilização In Vitro é considerada uma técnica de alta complexidade, oferecendo maiores taxas de sucesso e a possibilidade da chamada “gestação compartilhada”. Nesse método, o óvulo de uma das mulheres é fecundado em laboratório com o sêmen do doador e o embrião resultante é transferido para o útero da outra parceira. Dessa forma, ambas participam ativamente do processo: uma contribui com a carga genética e a outra com a gestação. A FIV costuma ser indicada quando existem fatores de infertilidade associados, idade materna avançada ou quando o casal deseja vivenciar a maternidade de maneira biológica e gestacional conjunta. ## Elegibilidade e limites de idade Uma dúvida frequente entre as pacientes é sobre quem pode realizar o procedimento e se existe limite de idade. A legislação brasileira não estabelece uma idade máxima rígida para tratamentos de reprodução assistida, deixando a decisão a critério médico, com base na saúde geral da paciente. No entanto, a idade continua sendo o fator isolado mais importante para o sucesso do tratamento. Especialistas recomendam que, em casais homoafetivos femininos, a parceira mais jovem forneça os óvulos, já que a qualidade ovariana diminui significativamente após os 35 anos. Qualquer mulher com saúde reprodutiva adequada pode se submeter aos procedimentos, desde que passe por avaliação clínica completa e acompanhamento psicológico, obrigatório para todas as partes envolvidas. > “A medicina não tem preconceitos. Nosso papel é utilizar a ciência para ajudar as pessoas a construírem suas famílias com amor e segurança. A possibilidade de uma gestação compartilhada, onde uma mãe doa o óvulo e a outra gesta o bebê, é um dos avanços mais bonitos da reprodução humana moderna, pois fortalece ainda mais o vínculo do casal com a criança desde o primeiro momento”, afirma o Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana e diretor da Clínica Mãe. Para os casais que desejam seguir esse caminho, é fundamental escolher clínicas especializadas que ofereçam não apenas excelência técnica, mas também atendimento humanizado, acolhedor e livre de julgamentos. Todo o processo exige acompanhamento médico multidisciplinar, suporte emocional e orientação jurídica adequada, garantindo mais tranquilidade e segurança durante toda a jornada da maternidade.