Érica Kokay repassa trajetória de 50 anos de vida pública e reforça pautas para o Senado em entrevista
"Nós não somos números, somos pessoas. Meu compromisso é reafirmar um Brasil soberano e assegurar que as políticas públicas sejam para todas as pessoas, qualquer que seja a religião, a cultura ou a forma de amar", Erika Kokai.
No podcast "Sob o Mesmo Céu" dá TV EG NEWS, a deputada federal Erika Kokai destacou a luta contra a desigualdade, a urgência climática e a defesa incansável dos direitos das mulheres e dos povos tradicionais.
A deputada federal Érica Kokay (PT-DF), que atualmente exerce seu quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados e concorre a uma vaga no Senado Federal (com o número 131), foi a grande convidada do podcast Sob o Mesmo Céu, apresentado por Walter Pinaia na TV EG News. Em uma conversa profunda e abrangente, Kokay revisitou sua trajetória política de cinco décadas e detalhou os eixos centrais que norteiam sua atuação e sua atual campanha.
O combate à fome e a "desnaturalização" da desigualdade
Um dos momentos mais fortes da entrevista abordou a erradicação da fome no Brasil. Relembrando as desigualdades que testemunhou desde a infância no Ceará, onde via crianças vítimas da miséria sendo chamadas de "anjinhos" por seus pais, Érica ressaltou o papel do atual governo federal nessa pauta.
Segundo a parlamentar, o presidente Lula tem o mérito não apenas de combater a miséria com políticas públicas, mas de "desnaturalizar a fome e as desigualdades". "A fome não é natural, como se fosse algo dado. Lula, saindo do ventre da fome, carrega essa capacidade de mostrar que um bom governo é aquele em que todas as pessoas se alimentam pelo menos três vezes ao dia", pontuou.
Defesa da Democracia e o enfrentamento ao negacionismo
Com um histórico de lutas que remonta ao movimento estudantil na Universidade de Brasília (UnB) em 1976 — de onde chegou a ser expulsa durante a Ditadura Militar —, a deputada alertou para os perigos do extremismo recente. Kokay lamentou a "captura da política pelo ódio e pela mentira" e classificou o bolsonarismo como um negacionismo estrutural que nega a própria realidade.
"Quando você nega a realidade, você nega a própria democracia", afirmou, traçando um paralelo direto entre a opressão dos Anos de Chumbo e os ataques de 8 de janeiro. Para a candidata, a disputa atual no Distrito Federal é uma polarização clara: "da barbárie contra a civilidade, da democracia contra a ditadura".
PL Macota Valdina e a força dos Povos Tradicionais
Outro tema de destaque foi a defesa dos territórios de matrizes africanas e dos povos originários. Kokay é uma das grandes vozes por trás da formulação do PL Macota Valdina, um marco legal que visa garantir direitos, segurança alimentar, geração de renda e proteção cultural para os terreiros e comunidades tradicionais.
"Os terreiros são espaços de resistência, mas também de produção de conhecimento. O projeto estabelece a inviolabilidade das casas e a importância desses territórios para o acolhimento psicossocial da população", explicou. A deputada defendeu a necessidade de um fundo de reparação histórica e reforçou a importância de construir um Brasil genuinamente antirracista.
Urgência Climática e o futuro do Cerrado
Questionada por Walter Pinaia sobre os alarmantes índices de seca e os riscos iminentes aos biomas brasileiros, especialmente o Cerrado, Érica foi taxativa ao criticar o desmonte ambiental do governo anterior. Ela relembrou a atuação na Câmara contra a mineração em terras indígenas e os retrocessos no licenciamento ambiental.
"O Cerrado é o berço das águas. A grilagem e a ocupação desordenada no Distrito Federal estão impermeabilizando o solo e impedindo a recarga dos aquíferos", alertou. Kokay defendeu a soberania nacional sob um viés ecológico, destacando que a proteção da natureza é, acima de tudo, "uma luta generosa, que cuida da terra para quem ainda vai chegar".
Direitos das Mulheres e Combate ao Feminicídio
Abordando o alarmante cenário da violência de gênero, a deputada reiterou que não haverá país livre enquanto as mulheres sentirem medo de voltar para casa. Para combater o feminicídio, ela destacou a urgência de levar essa discussão para o ambiente escolar e fortalecer a rede de proteção.
"Precisamos de mais delegacias de atendimento à mulher funcionando em período integral, sobretudo aos finais de semana, que é quando as maiores expressões de violência ocorrem. Sem educação e sem orçamento no Estado, não resolvemos nada", cobrou.
Rumo ao Senado
Ao final da entrevista, Érica Kokay deixou uma mensagem de esperança e coragem ao eleitorado, pedindo o apoio da população do DF para sua candidatura ao Senado. Emocionada, ela reafirmou que seu mandato continuará sendo um instrumento coletivo para pautar a defesa irrestrita dos direitos humanos, de um estado laico e de políticas do "afeto".
"Nós não somos números, somos pessoas. Meu compromisso é reafirmar um Brasil soberano e assegurar que as políticas públicas sejam para todas as pessoas, qualquer que seja a religião, a cultura ou a forma de amar", concluiu.
Para assistir à entrevista completa, acesse o canal da TV EG News no YouTube neste link.
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