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Luta, Resistência e "Doralidade": Fátima Tolentino debate a Equidade Racial e a Realidade da Mulher Negra no Brasil

Por Redação EG News • 01/10/2026 às 12h44 (Atualizado em 01/10/2026 às 12h54) • ⏱️ 5 min de leitura
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Em uma entrevista impactante concedida ao apresentador Walter Pinaia no programa Junto e Misturado (TV EG News), a assistente social, ativista do Movimento Negro Unificado (MNU) e conselheira de Igualdade Racial do Espírito Santo, Fátima Tolentino da Silva — carinhosamente conhecida como Fatinha —, trouxe reflexões profundas sobre racismo estrutural, políticas públicas, direitos sociais e a dignidade do povo negro.

A entrevista foi gravada no Museu Capixaba do Negro (Mucane), em Vitória (ES), um importante espaço de resistência cultural afro-brasileira.

"Sobreviventes, não Apenas Fortes": A Desconstrução dos Mitos sobre a Mulher Negra

Durante o papo, Fatinha desfez a narrativa romantizada de que a mulher negra é naturalmente "forte e resistente". Para a militante, essa rotulação muitas vezes serve para mascarar violações de direitos, desigualdades e a violência obstétrica .

"Nós não somos apenas fortes, somos sobreviventes. Nossa luta é por oportunidade e igualdade: se uma mulher branca tem acesso ao mercado e à dignidade, a mulher negra também precisa ter. Nós também queremos passear, descansar e viver com dignidade, e não apenas sobreviver para enriquecer o outro" ]Empreendedorismo vs. "Gerenciadoras de Negócios"

Outro ponto alto da conversa foi a crítica de Fatinha ao termo "empreendedorismo negro" desvinculado da realidade financeira periférica. Segundo ela, empreender exige capital inicial substancial, algo distante da realidade da maioria.

Por isso, ela defende o conceito de "Gerenciadoras de Negócios" para descrever as mulheres periféricas que transformam a necessidade em sustento seja na venda de alimentos artesanais, no artesanato, nas tranças, na estética ou nos serviços domésticos e diários.

Do "Soro" à "Doralidade": Empatia que Transforma

Ao abordar a empatia e a solidariedade entre lutas sociais, Fatinha propôs uma visão crítica do conceito tradicional de sororidade, cunhando a ideia de "Doralidade".

  • A crítica ao "soro": A ativista compara a palavra sororidade ao soro hospitalar — uma medida paliativa e imediata usada apenas em momentos de crise

  • O significado de Doralidade: Consiste na capacidade real e contínua de sentir e se indignar com a dor do outro]. É defender a causa negra, cigana, indígena, dos idosos, da juventude e da comunidade LGBTQIA+ não por conveniência, mas pelo compromisso ético e diário contra as injustiças].

Fatinha também desmistificou o termo "racismo reverso", explicando didaticamente que o racismo é um sistema estrutural de poder e opressão histórica, e não apenas um desentendimento interpessoal ou estético.

A Ausência do Estado e a Luta por Políticas Públicas

Relembrando o impacto da pandemia de COVID-19 nas periferias, a assistente social denunciou a assimetria na oferta de serviços públicos fundamentais. Ela pontuou que o transporte público lotado funcionou como um "navio negreiro moderno" para trabalhadores essenciais, enquanto o fechamento de órgãos de assistência social (como os CRAS) deixou milhares de famílias sem respaldo rápido.

Fatinha ressaltou ainda a urgência de:

  1. Garantia de Cotas e Acesso ao Ensino Superior: Ampliar a presença de jovens negros nas universidades e em posições de decisão (juízes, médicos, legisladores)].

  2. Aplicação da Lei 10.639/03: Ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas como ferramenta antirracista.

  3. Representatividade e Acesso: Ocupar espaços de poder para que as políticas públicas atendam verdadeiramente às periferias.

O Verbo Esperançar

Encerrando a entrevista, a ativista deixou uma mensagem inspirada no verbo esperançar. Para ela, ter esperança não é esperar passivamente, mas levantar todos os dias e agir em busca do "bem viver" .

"O não a gente já tem. Tudo o que vier a mais é possibilidade. Não perca a esperança no ser humano e lute por direitos com dignidade. Precisamos enegrecer as universidades, os fóruns, o Congresso e as nossas cidades!" .

Assista à entrevista na íntegra no canal da TV EG News no YouTube.

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