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DF em alerta - tempestade na eleição e "super El Niño" à porta Alerta no DF - frente fria traz tempestades no fim de semana da eleição, e o “super El Niño” já está batendo à porta

Por Redação EG News • 02/10/2026 às 18h31 (Atualizado em 02/10/2026 às 18h32) • ⏱️ 5 min de leitura
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Por Walter Pinaya

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Hoje é 2 de outubro de 2026, sexta-feira. O Distrito Federal amanheceu sob alerta do INMET para tempestades. Uma frente fria que avança pelo Sul do Brasil está mudando o tempo na capital, e a previsão é de chuva forte, ventos de até 60 km/h e queda de granizo entre hoje e domingo, justamente o dia da eleição

O meteorologista Olivio Bahia, do INMET, explica que a atmosfera está instável sobre o DF e que “pode chover de forma intensa, mesmo que em áreas localizadas”. No domingo, a maior chance de precipitação deve ser a partir da tarde, quando os eleitores já estiverem voltando para casa. O alerta amarelo do INMET vale para todas as regiões administrativas com chuva prevista entre 20 e 30 mm/h, ventos de 40 a 60 km/h e possibilidade de granizo. Para quem vai votar, a recomendação é sair mais cedo e evitar se abrigar debaixo de árvores. A boa notícia é que o transporte público será gratuito no domingo, com ônibus e metrô operando na tabela de dias úteis.

Essa virada no tempo acontece depois de um fim de setembro brutal. Na quinta-feira, 1º de outubro, o Paranoá registrou 36,4°C, o novo recorde de calor de 2026 no DF. Antes disso, em 29 de setembro, a umidade do ar em Águas Emendadas caiu para 11%, o menor índice do ano, enquanto o Plano Piloto chegou a 12%. O calorão e a seca não foram acaso. O Painel El Niño 2026-2027, coordenado pelo INPE com INMET, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC, confirmou que o fenômeno deve atingir intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro, com 95% de probabilidade, e pode ser o mais intenso desde 1950. A NASA, que monitora o Pacífico por satélite, registrou anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 2°C no fim de setembro e estima 97% de chance de o El Niño durar até o início de 2027. O COPERNICUS, serviço europeu de clima, já havia alertado em junho que este poderia ser um evento “potencialmente histórico”.

Para o DF, o cenário do El Niño significa exatamente o que estamos vivendo com temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal no Brasil Central, com o risco de a estação chuvosa começar atrasada. O Inmet projeta para outubro máximas mais de 2°C acima da climatologia no DF e no centro de Goiás. A chuva que chega neste fim de semana é um alívio, mas não é a virada definitiva. É uma tempestade de primavera, típica dessa época de transição, quando o calor acumulado encontra a umidade que volta à atmosfera, e o resultado são pancadas fortes e localizadas, às vezes com granizo.

A água que cair neste fim de semana ajuda, mas o solo do Cerrado está tão seco que boa parte dela vai escorrer em vez de infiltrar. Os reservatórios do DF ainda estão em níveis confortáveis, mas se a estação chuvosa demorar a se firmar, a situação pode mudar nos próximos meses. E há outra preocupação que o El Niño traz, o aumento do risco de incêndios. Com a vegetação seca e as temperaturas altas, qualquer faísca vira fogo. O Painel El Niño recomenda acompanhamento contínuo dos alertas da Defesa Civil (199) e do Corpo de Bombeiros (193).

Enquanto isso, a vida segue. As pessoas vão votar no domingo, algumas levando guarda-chuva, outras torcendo para que a chuva chegue só depois de depositarem o voto na urna. Os agricultores do entorno olham para o céu esperando a chuva que planta. Os feirantes torcem para que a tempestade não estrague o que sobrou da safra. E cada família que faz a conta do mercado sente no bolso o efeito de um clima que já não segue mais o calendário de antes. Não dá para parar uma frente fria, nem segurar um El Niño. Mas dá para escolher como atravessar tudo isso, com informação, com solidariedade e com a certeza de que, mesmo debaixo da tempestade ou chuvas fortes, a gente segue junto. Porque nenhuma chuva forte dura para sempre. E depois dela, sempre vem o sol.