Rádio EG News Terça, 27 de outubro de 2026 27/10/2026
EG News
Siga-nos
BRASIL POLITICO

Ele negou que sairia do país. O passaporte está cancelado e a prisão foi pedida.

Por Redação EG News • 27/10/2026 às 12h31 (Atualizado em 27/10/2026 às 12h57) • ⏱️ 8 min de leitura
WhatsApp
Tamanho:
Imagem da matéria

Na prática, o Supremo tem flexibilizado essa leitura em casos de descumprimento reiterado de medidas cautelares — o que é exatamente a moldura deste caso.

5 · Por que ele não é, tecnicamente, foragido

É uma distinção importante, e ela costuma desaparecer no noticiário do dia. **Não há mandado de prisão expedido contra Flávio Bolsonaro** — e sem mandado, não há foragido. O que existe é uma ordem de entrega de documentos descumprida e uma investigação sobre a saída do território.

Isso significa que, hoje, não há instrumento de captura a ser executado. É por isso que o pedido de prisão preventiva foi formulado por parlamentares ao relator, e não decorre automaticamente da situação.

A expressão "foragido" só passa a ser tecnicamente correta se houver mandado expedido e não cumprido.

6 · Se ele estiver no exterior

Estar fora do país não encerra o caso — mas muda o caminho. A prisão, se decretada, dependeria de **cooperação internacional** ou de **extradição**.

No âmbito do Mercosul, o regime de cooperação tem como base o **Tratado de Assunção, de 1990**, e os acordos posteriores entre os países do bloco. Isso facilitaria um pedido dirigido à Argentina — país com o qual o Brasil tem tradição de cooperação.

O quadro muda se o destino for os Estados Unidos, para onde ele estaria a caminho segundo uma autoridade americana ouvida pela Reuters. **Não há tratado bilateral de extradição em vigor entre Brasil e Estados Unidos**, o que torna o processo dependente de decisão política do governo americano e não de um procedimento automático. Este é o ponto de maior incerteza do caso — e o de maior peso político.

6.1 O precedente do pai

Jair Bolsonaro teve o passaporte retido em fevereiro de 2024, na Operação Tempus Veritatis, e continua em prisão domiciliar. O irmão, Eduardo Bolsonaro, teve os passaportes cancelados em outubro de 2026, na decisão que determinou o início do cumprimento de sua pena. Contra Eduardo, a medida **não teve efeito prático**: ele já estava nos Estados Unidos desde 2025, e há mandado de prisão aberto contra ele que não foi executado.

É o caso que mostra o limite concreto das decisões judiciais que restringem a saída: quando a pessoa já está fora, o instrumento existe no papel e não produz efeito real.

7 · O foro privilegiado e o calendário

Um fator de tempo pesa sobre tudo isso. Flávio **deixa o mandato de senador em 31 de janeiro de 2027** e perde o foro privilegiado no Supremo. A maior parte dos ministros deve manter as apurações na Corte mesmo depois disso, dependendo do enquadramento dos fatos.

Isso produz uma janela jurídica curiosa: **as medidas mais duras tendem a ser discutidas nos meses finais do mandato**, enquanto ele ainda tem a proteção processual — e as mesmas medidas voltariam ao debate, em outro foro, depois de fevereiro.

Ele é alvo de ao menos dois inquéritos no Supremo: o de relatoria de Alexandre de Moraes, sobre lavagem de dinheiro com plataformas de apostas e Willer Tomaz; e o de relatoria de André Mendonça, sobre o financiamento do filme "Dark Horse", no qual a Polícia Federal pediu prorrogação por mais 90 dias. A imprensa registra ainda investigações ligadas ao caso do Banco Master e a desvios no INSS.

8 · O que a lei eleitoral permite — e o que não permite

Vale registrar o que **não** está em discussão, para evitar confusões frequentes. A saída do país não suspende nem cancela automaticamente o processo eleitoral, não altera o resultado da eleição e não retira dele o direito de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

O que ele anunciou foi uma **Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE)** por abuso de poder econômico, pedindo a cassação da chapa do presidente reeleito, com foco na chapa adversária e não no processo eleitoral. A assessoria dele confirmou o instrumento, mas não havia confirmação de petição protocolada até o fechamento.

Uma peça jurídica pode ser apresentada por advogados constituídos, sem a presença física do autor. Não há impedimento processual na ausência dele — mas há um impedimento de fato evidente: quem contesta a posse de um adversário enquanto está no exterior apoia seu argumento em terreno frágil.

9 · O que observar

●        se o ministro Alexandre de Moraes decreta a prisão preventiva, e com qual fundamento;

●        se o nome entra no alerta vermelho da Interpol e em qual momento;

●        se a Procuradoria-Geral da República se manifesta, e em qual sentido;

●        se as autoridades americanas confirmam oficialmente a entrada dele no país;

●        qual a resposta do governo dos Estados Unidos a um eventual pedido de cooperação;

●        se a defesa apresenta recurso contra o cancelamento dos passaportes;

●        como evolui a situação do willer tomaz, que também deixou o Brasil e está nos Estados Unidos;

●        o que acontece com as apurações após 31 de janeiro de 2027, quando ele perde o foro.

10 · Nota metodológica

O descumprimento do prazo de entrega dos passaportes e o cancelamento dos documentos são informações atribuídas à Polícia Federal, que também vai comunicar o ocorrido ao ministro Alexandre de Moraes. O prazo de 24 horas venceu por volta das 11h de 27 de outubro de 2026.

O pedido de prisão preventiva e de inclusão no alerta vermelho da Interpol foi formulado por deputados federais do PT ao relator e noticiado pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

As avaliações jurídicas sobre a possibilidade de prisão preventiva são atribuídas a especialistas ouvidos pela imprensa e estão identificadas como avaliação, não como decisão. A observação sobre o limite constitucional à prisão de parlamentares consta da legislação e da jurisprudência citadas nessa cobertura.

A existência de tratado bilateral de extradição entre Brasil e Estados Unidos, e sua ausência em relação a este caso, foi verificada como característica geral do ordenamento, e não como manifestação oficial de qualquer dos dois governos.

A informação de que o senador estaria a caminho dos Estados Unidos é de uma autoridade do governo americano ouvida pela Reuters, e não de confirmação oficial. A Polícia Federal não tem registro de saída por ponto regular de migração. O governo argentino nega a entrada no país.

Não há, até o fechamento desta reportagem, mandado de prisão expedido contra o senador — e é por isso que o texto não o trata como foragido.