Candidatas trans fazem história em Alabama e Washington nas midterms de 2026
Duas candidatas transgênero eleitas nos Estados Unidos nesta terça-feira (3) romperam barreiras em estados distantes entre si e de tradições políticas opostas. Em Alabama, no Sul profundo, uma democrata virou uma cadeira republicana. Em Washington, no Noroeste, uma ativista comunitária venceu com folga. As duas entram para a história por motivos diferentes.
1 · Alabama: a primeira legisladora transgênero do estado
A democrata Allison Montgomery, engenheira de software, venceu a disputa pela Câmara dos Representantes do Alabama no Distrito 25 e se tornou a primeira pessoa abertamente transgênero eleita para o Legislativo estadual — em um dos estados mais conservadores do país.
Segundo a Associated Press, que projetou o resultado:
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Candidato |
Partido |
Votos |
Percentual |
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Allison Montgomery |
Democrata |
12.456 |
53% |
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Phillip Rigsby |
Republicano (reeleição) |
10.929 |
47% |
A margem foi de 1.527 votos, com mais de 95% dos votos estimados contados. Rigsby era o deputado estadual incumbente, de Huntsville.
A vitória não foi um caso isolado no estado. A eleição de Montgomery foi uma das quatro cadeiras republicanas viradas pelos democratas no Alabama — e três delas no norte do estado, a mesma região do Distrito 25. O padrão indica que o resultado não decorre de um desempenho individual excepcional, mas de uma onda com alcance estadual.
2 · A campanha dela
Montgomery fez campanha sobre custo de vida e desinvestimento de interesses corporativos na política. Não foi uma candidatura construída em torno da identidade — o eixo foi econômico, no mesmo registro que marcou outras vitórias democratas do ciclo.
Depois de o resultado ser anunciado, ela publicou uma declaração nas redes sociais em que se comprometeu a trabalhar também para quem votou contra ela. A formulação virou a frase-síntese da vitória:
"Vou trabalhar por aqueles que me odeiam."
3 · Washington: a primeira legisladora trans negra do país
No Distrito 37, no sudeste de Seattle, a democrata Jaelynn Scott venceu com 87,5% dos votos — 13.823 no total — contra a independente Evon McCorkle.
O marco dela é maior do que o do estado. Scott se torna a primeira legisladora transgênero de Washington e, segundo a 19th News, a primeira legisladora trans negra eleita em todo o país.
Ela é diretora executiva do *Lavender Rights Project*, organização que constrói redes de proteção social e defende justiça para comunidades negras de gênero diverso em Washington. A campanha a apresenta como líder espiritual, organizadora comunitária e socialista democrática, com bandeiras de segurança pública, oportunidade econômica e proteção dos direitos civis.
4 · Por que as duas vitórias dizem coisas diferentes
As margens opostas contam histórias distintas, e vale não tratá-las como um bloco único:
· No Alabama, foi uma virada apertada. 53% a 47%, com 1.527 votos de margem, em um distrito que era republicano — a vitória depende do desempenho da onda democrata no estado.
Em Washington, foi uma reafirmação. 87,5% em um distrito de Seattle já de maioria democrata — a eleição de
· Scott confirma uma base que já existia, e o marco é a representação que ela leva para a legislatura.
Juntas, porém, indicam a mesma coisa: as barreiras de representação trans deixaram de estar concentradas nos estados de tendência progressista. Um dos dois resultados veio de um distrito conservador, conquistado por sete pontos e meio.
5 · O conjunto das barreiras rompidas
As duas vitórias se somam aos marcos das midterms de 2026:
· Allison Montgomery (Alabama) — primeira legisladora transgênero do estado.
· Jaelynn Scott (Washington) — primeira legisladora trans negra eleita no país.
· Adam Hamilton (Kansas) — primeiro democrata eleito ao Senado pelo estado em 94 anos.
· Peggy Flanagan (Minnesota) — primeira mulher indígena no Senado.
· Abdul El-Sayed (Michigan) — primeiro senador muçulmano da história dos EUA.
· Chris Pappas (New Hampshire) — primeiro homem abertamente gay no Senado.
· Deb Haaland (Novo México) — primeira mulher indígena governadora de um estado.
· Keisha Lance Bottoms (Geórgia) — primeira mulher negra governadora na história dos EUA.
· Gina Hinojosa (Texas) — primeira latina a governar o Texas.
Todos se somam à onda que devolveu ao Partido Democrata o controle das duas casas do Congresso.
6 · Nota metodológica
Os resultados do Alabama são da Associated Press, com mais de 95% dos votos estimados contados: 12.456 a 10.929 votos, 53% a 47%. Os números de Washington são os consolidados no Ballotpedia, com 87,5% e 13.823 votos para Jaelynn Scott. A apuração ainda não estava encerrada no momento do fechamento desta edição, e os valores podem sofrer pequenas alterações até a certificação.
Sobre a extensão das vitórias trans: as fontes que cobriram o resultado listam os candidatos trans e não-binários que fizeram história por primeira vez em cada estado ou distrito, e não divulgam uma contagem total consolidada de eleitos no país. Esta reportagem não estima esse número. Os dois casos acima são os que têm projeção de vitória confirmada e divulgação nominal por veículo de referência.
O perfil das candidatas, o contexto do distrito e o conjunto dos marcos foram apurados em reportagens da 19th News, AL.com, NBC 15, The Advocate, Jovem Pan, Ballotpedia e Associated Press, de 3 e 4 de novembro de 2026.